O programa Sentinela, criado em 2001 para o atendimento de crianças e adolescentes violentadas sexualmente, atende também a população indígena da Reserva de Dourados. Hoje, duas meninas, uma de 17 e outra de 13 anos, são atendidas no local.
Conforme contou ao Dourados News a coordenadora do programa, pedagoga Andréia Penco Faria, essas meninas foram estupradas, sendo o agressor familiar. Uma delas recebe a equipe de profissionais do Sentinela em casa, por conta da dificuldade de sair da Reserva com o bebê que é fruto do estupro.
Andréia explica que as meninas indígenas são mais fechadas o que dificulta um pouco o trabalho da equipe, levando mais tempo o tratamento. “Não conseguimos atingir resultados e formar vínculos tão rápido. Elas têm cultura diferente que devemos respeitar”, disse a coordenadora.
Em 2007, três garotas das aldeias foram atendidas no local de um total de 76 que passaram pelo programa. “Nós auxiliamos no fortalecimento da auto-estima porque essas meninas chegam aqui com uma mistura de sentimentos, como os de culpa e fragilidade. O agressor coloca que elas são culpadas do ato e isso dificulta a convivência social. Muitas entram em depressão e não querem contato”, disse Andréia.
Outros programas da rede de assistência social são utilizados para a reintegração dessas crianças e adolescentes na sociedade como o PETI e o CEIA que desenvolvem atividades pedagógicas com esse público.
O SENTINELA
Uma equipe de profissionais entre pedagogo, assistente social, psicólogo e advogado atua no programa Sentinela em Dourados que atende nos períodos matutino e vespertino crianças a adolescentes vítimas de violência. O programa trabalha em parceria com instituições da segurança pública que utilizam os relatórios como subsídios para as investigações dos agressores.
As crianças e adolescentes atendidas participam das atividades do programa durante um período e no outro devem continuar na escola. Muitos vivem em abrigos e não possuem mais contato com a família.
Desde a abertura do programa em Dourados, passaram pelo local mais de 620 meninas e meninos.
O Sentinela possui o Disque Denúncia para ser utilizado pela sociedade. As informações são anônimas e a pessoa não precisa dispor nome ou outros dados para denunciar a violência, o sigilo é absoluto.
O número do Disque Denúncia é o 0800-647-0444.
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