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CPI DAS PRÓTESES

CPI derruba cirurgias desnecessárias; queda nos implantes foi de 50%

04 janeiro 2016 - 14h20



Após a Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia das Próteses, 50% das cirurgias de implantes caíram no Brasil. A informação é do diretor da Associação Brasileira de Medicina em Grupo, Pedro Ramos, ao programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (03). Segundo ele, trata-se de cirurgias desnecessárias, que antes da CPI eram feitas por maus profissionais acusados de receber propina.

“A redução é motivada pelo receio do médico, que estava acostumado a atender cirurgias desnecessárias porque ganhava propina dos distribuidores ou da indústria. O médico se assusta e começa a ter receio”, destacou Ramos, que informou ainda que a Associação está processando a indústria de prótese dos Estados Unidos que é responsável por 70% do mercado brasileiro.

O presidente da CPI na Câmara Federal, deputado federal Geraldo Resende (PMDB-MS) destacou os resultados da Comissão. Segundo ele, o relatório final pediu o indiciamento dos médicos Fernando Sanchis, Edson Cerqueira Garcia de Freitas, Gerson Miranda, Zandonai Miranda, Vagner Vinícius Ferreira; da advogada Nieli de Campo Severo; do ex-servidor dos Correios João Maurício Gomes; secretária de clínica médica, Eleuza Alves; dos empresários Marcelo Telles e Daniel Eugênio dos Santos. Além disso, apresentou projetos de lei que regulamentam o mercado dos dispositivos médicos implantáveis no país, cria o Sistema de Educação Permanente em Tecnologia e Dispositivos Médicos, além da Tipificação penal. Esta última proposição trata-se de destinar a promover a adequação punição de todos os atores envolvidos na Máfia de Órteses e Próteses, como empresas, fabricantes e distribuidoras.

O relatório apresentou eixos específicos que visem regulamentação sanitária, econômica, de uso, além das ações de gestão do SUS, proibições e penalidades. A Comissão também defende a criação de um sistema nacional de gerenciamento de informação sobre produtos, procedimentos e profissionais. “Fizemos o que nos coube fazer, sem espetáculos, mas com trabalho reconhecido. Apresentamos um marco regulatório, que abrange, desde a produção dos materiais médicos a sua utilização, passando por importação, aquisição, distribuição, utilização, tributação e avaliação. Além disso, profissionais foram presos e indiciados e empresas denunciadas no Ministério Público. Queremos que a fiscalização e a implementação dessas medidas vá além desta CPI, por isso iremos manter reuniões sistemáticas entre os parlamentares e com o Ministério da Saúde para que nos próximos meses já consigamos avançar nesta questões”, finalizou.

Pontos da Regulamentação:


Criminalização privada


O destaque é a proposta que altera o Código Penal (Decreto-Lei 2848/40) para criminalizar a cobrança de vantagens na indicação de marcas específicas de implantes, especificamente no setor privado.

Hoje, essa prática é considerada crime apenas quando envolve prejuízo aos cofres públicos. Por essa razão, o relator não pode pedir o indiciamento das empresas denunciadas no esquema.

De acordo com a proposta, o profissional de saúde que aceitar ou pedir vantagem financeira de fabricantes ou distribuidores de implantes estará sujeito à pena de reclusão, de dois anos a seis anos, além de multa.

Já para o médico que fizer cirurgia desnecessária que envolva implantes, a pena é de dois a quatro anos de reclusão. Se a cirurgia resultar na morte do paciente, a prisão varia de seis a quinze anos.

O texto cobra postura mais rígida do Conselho Federal de Medicina (CFM) na apuração de denúncias sobre o comércio ilegal de itens médicos.

Regulação


Outro projeto define normas de regulamentação para o setor farmacêutico e cria a Câmara de Regulamentação do Mercado de Medicamentos e Dispositivos Médicos (CMED).

A ideia é que o conselho atue no mercado, propondo regras para estimular a oferta de medicamentos e a competitividade no setor. Conforme o texto, a composição do conselho será decidida pelo Ministério da Saúde.

Sistema de educação


Outra proposta institui o Sistema de Educação em Tecnologia e Dispositivos Médicos, vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme o relator, a iniciativa também combate o aliciamento de profissionais e a falta de transparência na relação entre médico e empresa. “Ao liberar as empresas de custear os treinamentos, reduzimos o custo produtivo, o que permitirá reduzir o preço final dos implantes”, afirmou.

Nomenclatura
O relator sugeriu aprimorar a nomenclatura para os produtos médicos. Hoje a denominação “próteses e órteses” abrange diversos itens – de aparelhos de marca-passo a cintas ortopédicas.

O objetivo é melhor detalhar os produtos que são autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Demandas judiciais


O texto também fixa uma série de regras para a concessão de urgência aos pedidos feitos à Justiça para fornecimentos de implantes e medicamentos. De acordo com o projeto, caberá ao juiz solicitar uma segunda opinião de médico antes de aprovar as liminares. Esses profissionais de saúde irão compor câmara técnica que passará a funcionar no tribunal e em instituições conveniadas.


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