Por Juliana Oliveira. Assistindo ao programa eleitoral gratuito, que nos é imposto goela abaixo, e faz mais rir do que convencer os eleitores, me recordo de uma música de Chico Buarque chamada Cotidiano que diz “... Todo dia ela faz tudo sempre igual / me sacode às seis horas da manhã / Me sorri um sorriso pontual... Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar / Todo dia eu só penso em poder parar / Meio dia eu só penso em dizer não / Depois penso na vida pra levar / E me calo com a boca de feijão...Todo dia, eles fazem tudo sempre igual, propondo o pacote convencional educação, saúde e trabalho. Outros são ainda mais audaciosos e prometem segurança pública, lazer, conforto, bolsa qualquer coisa e até cotas para todos os problemas, como se as dificuldades da população brasileira fossem resolvidas com tantas propostas.Os rostos mudam, as vestimentas também, mas no geral, as propostas são as mesmas e os resultados, pós-eleições, também. Grande maioria daquilo que é prometido não se cumpre e o discurso, após as eleições, dos candidatos que foram mais convincentes com as propostas e são capazes de obter o maior número de votos passa por algumas fases.A primeira fase é do “To organizando”. Praticamente todos os que entregam as cadeiras afirmam: - Deixamos a casa em ordem. Os que assumem o assento negam: - Precisamos por a casa em ordem, pagar as dívidas da administração anterior, blá, blá, blá...Após esta fase, o discurso muda para falta verba [até hoje não consegui entender como em um país que tem taxas tributárias tão elevadas pode ficar “sem verbas”], estamos estudando uma solução caso a caso, e iremos solucioná-lo. Há aqueles mais descarados que ainda afirmam: - O Brasil está bem, a economia vai bem, a educação está bem, o povo está feliz, blá, blá, blá. Outros são ainda mais ridículos em dizer: - Eu não sabia, juro, eu não sabia de nada.O discurso varia ligeiramente de acordo com a situação, os penteados e plumagens, os ternos e vestidos, mas na essência, eles fazem tudo sempre igual, nos sorriem com um sorriso pontual, e nos calam com a boca de feijão. A autora é jornalista, DRT 143/MS.
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