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FÁBIO PERBONI

Para presidente de sindicato, cortes do governo vão prejudicar não só os servidores, mas a UFGD

15 outubro 2015 - 06h48

A entrevista desta semana do Dourados News é com Fábio Perboni, 41, presidente do sindicato dos docentes da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e abordará com o profissional sobre o fim do movimento da greve dos docentes.

Fábio está a frente do sindicato desde o início do ano, mandato que seguirá até o fim de 2016.

Ele é professor na UFGD desde 2013 e anteriormente lecionou em universidades públicas e privadas no interior de São Paulo. O profissional é graduado em Pedagogia e História, possui mestrado em História e cursa doutorado na área de Políticas Públicas Educacionais na Unesp (Presidente Prudente (SP)).

O professor cita que a categoria obteve poucas conquistas com a greve que foi a mais longa até o momento e fala também sobre a demora de respostas do governo. Para ele, o reajuste inflacionário oferecido aos docentes foi insuficiente e há a incerteza quanto a reformulação da carreira que não ficou definida.

Um ponto ressaltado pelo professor é quanto ao corte de repasses a instituição, o qual afirma que irá gerar prejuízos aos técnicos, docentes e alunos, já que com isso não há previsão de término de obras paradas, nem de novos investimentos.

Para ele, essa situação deve se complicar em breve já que recentemente cursos foram abertos e não há estrutura ainda para atendê-los. Outro fator que será prejudicado é o plano de expansão da universidade que segundo ele, terá que ser reformulado o que pode afetar diretamente no reconhecimento e na qualidade da instituição.

O profissional fala ainda de uma proposta que há com intuito de cobrar cursos oferecidos em universidades públicas e quem tem sido motivo de preocupação. Ele afirma que os reflexos dessa falta de negociação devem ser sentidos de forma negativa em breve e que mesmo com o fim do movimento, a classe seguirá em busca de acordos.

Veja a entrevista na íntegra

Dourados News- Na visão dos docentes, qual a avaliação do movimento de greve?

Fábio Perboni- De modo geral o movimento foi importante. Existem alguns problemas na universidade e o ato não foi apenas por questão salarial, existe o fator do ajuste fiscal por exemplo que para Universidade significa menos professores, menos salas de aulas, menos laboratórios, é então uma precarização do ensino. Temos essa preocupação e sabemos que isso não será sentido de imediato, mas com o tempo. Para a categoria isso foi insuficiente pois temos uma perda salarial da inflação que é grande. A gente pedia no início da greve 27.6% de correção para zerar com as perdas inflacionadas e o que o governo ofereceu é 5.5% de agosto para 2016, mais 5% para janeiro de 2017, isso corresponde em média a inflação de 2015 apenas, ou seja é uma proposta bastante ruim. Na prática o Andes – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior- não assinou o acordo, a gente está retomando a aula sem isso e vai continuar o processo de renegociação mas já entendemos que na questão salarial não vai se ter mais que isso.

D.N- Mesmo sem a assinatura o retorno é certo?

F.P- A decisão de voltar é certa porque foi feita em uma rodada de assembleias na semana passada. Aqui (UFGD) votamos para continuar a greve até que se assinasse o acordo garantindo algumas outras questões que não o acordo salarial. Mas, nacionalmente se definiu pelo fim da greve, então isso é certo.

D.N- Como foi a votação?

F.P- Aqui aprovamos a saída unificada, ou seja que todas as universidades saíssem da greve ao mesmo tempo, só que a gente condicionava isso a assinatura do acordo. Mas, o que acontece é que vamos cessar o movimento sem o acordo assinado.

D.N- Como será o retorno as atividades após o fim da greve?

F.P- Em assembleia definiremos como será e a reitoria vai reorganizar o calendário. Se estava encerrando o primeiro semestre quando começou a greve no começo de maio e a aulas se encerrariam em junho. Então se tem aí cerca de quatro semanas de aulas do primeiro semestre para finalizar e aí então começar o segundo semestre, tem que se garantir a carga horária letiva. Aqui foram 53 profissionais a favor da saída unificada e 42 a favor de manter a greve com intensificação.

D.N- A greve a foi mais longa da categoria, a que o senhor credita essa demora?

F.P- Teve um processo muito confuso por parte do governo. Algumas das propostas que os docentes pediram vem desde de 2012 como a reestruturação da carreira e nossa pauta foi entregue em fevereiro desse ano e não haviam respostas. Essas proposições passaram por três ministros e segue sem respostas, ou seja, estamos entregando a greve sem respostas as questões solicitadas e existe um movimento do governo para intensificar o corte de verba na educação pública e durante toda a greve o governo disse que isso não está em negociação. Há uma redução no número de concursos o que implica em menos professores em salas de aula, uma redução em verba que implica em menos laboratórios e estruturas, e não houve abertura de negociação na verdade, o que é uma intransigência do governo. A única coisa que foi negociada foi a questão salarial e achamos que não está a contento. Vejo que a negociação depende de uma proposta e uma contraproposta mas o governo não respondeu as propostas que foram enviadas pelo sindicato. Outra coisa é que o governo propôs um grupo de trabalho para reformular a carreira, mas isso sem um mecanismo definido, não se sabe quem participará, nem do prazo para terminar, tudo está muito vaga. Vale lembrar que isso foi proposto em 2012 também e até hoje não tivemos resultados.

D.N- E qual o motivo da decisão de cessar a greve mesmo sem muitos avanços?

F.P- O entendimento é que a greve foi pensada no conjunto de todos os funcionários públicos federais –docentes, técnicos, servidores do INSS-lembrando que a negociação com o governo não se dava só no MEC – Ministério da Educação- várias questões eram solucionadas com o Ministério de Planejamento e quando o governo propôs o reajuste salarial em dois anos o que ocorreu foi que para algumas categorias ele propôs benefícios a mais que contemplavam carreira e outras questões e essas categorias saíram da greve. Então os professores entendem que apesar de não se ter atingido os objetivos esperados a greve não teria mais como cumprir seu objetivo pois de certa forma ficamos “isolados” só os professores em greve.

D.N- E como será a partir de agora quanto as reivindicações que ficaram para trás?

F.P- O sindicato vai continuar negociando com o governo mesmo retornando com as atividades. Entendemos que irão surgir muitos problemas o que a gente ressaltou durante a greve que ainda não foram sentidos mas, serão em breve, como o corte de verbas que foram anunciados durante o movimento. Acredito que no ano que vem já vai se notar como que isso vai impactar na nossa atividade tanto para nós docentes quanto para os técnicos e para os estudantes. Nossa busca é seguir com as negociações no intuito de reverter isso e garantir orçamento para investimentos, concursos.

D.N-Quanto a retirada do apoio da classe acadêmica no final do movimento, como vê isso?

F.P- A gente ficou muito contente de ver os estudantes mobilizados, eles sabem que essa medida de corte na verdade vai impactar a universidade nos próximos anos e se preocuparam com esse fato. Existem medidas do governo que preocupam muito a gente e os impactam diretamente que é para solucionar a falta de recursos o suprimento seria por investimento privado. Uma das medidas que tramita no congresso é a PEC 395 que prevê a cobrança de cursos na universidade pública e os estudantes tem se mostrado atentos a essas questões que vão impactá-los diretamente e vemos a importância disso. Os estudantes declaram greve em junho junto aos docentes e técnicos e se mobilizaram participando das discussões durante todo o período e agora no final eles decidiram sair da greve estudantil optaram por continuar declarando apoio a greve por entenderem que ela não é só por uma questão corporativista.

D.N- Quanto aos cortes, quais vão ser os aspectos mais afetados na UFGD?

F.P- Os cortes são anunciados nacionalmente e são R$ 12 bilhões que deixarão de ser repassados as universidades de acordo com o MEC. Agora não temos o valor exato, mas temos uma grande preocupação já que a UFGD tem uma necessidade maior de recursos do que outras universidades já consolidadas pois estamos em um processo de expansão. Basta andar um pouco pelo campus para notar várias obras paradas, não concluídas, e essas significam necessidade de sala de aula, necessidade de laboratório e outros. Temos cursos novos e professores novos que não tem aonde trabalhar, isso é crítico. A redução que havia sido anunciada é de 70% de corte nas obras e as que haviam sido previstas e não tinham sido iniciadas seriam adiadas. Já as que estivessem em andamento e próximas de finalização seriam concluídas. Com isso as mesmas teriam que ser analisadas caso a caso. A reitoria diz que tem algumas coisas garantidas mas, no nosso entender é muito insuficiente. Novos cursos que viriam para a instituição não terão como ser inseridos na grade. Acredito que a priorização vai ser para as obras que visam a questão do ensino, por exemplo salas de aula, mas nossa preocupação é que se isso não for revertido para os próximos anos a gente sabe que nem isso os alunos terão. Destaca-se que a universidade trabalha com outros tipos de produção de conhecimento como os laboratórios em cada área de curso e nada disso está garantido e não temos perspectivas muito boas, não tem previsão de reverter os cortes e na verdade o que sobrou de investimento de capital vai ser priorizado para algumas coisas e outras que estavam previstas e eram necessárias ficarão de fora.

D.N- Com isso, como fica o plano de expansão da UFGD?
F.P- Com certeza o plano está suspenso, no sentido de que havia previsão de se abrir vários novos cursos e não vejo como isso acontecer uma vez que o governo por exemplo anunciou que não vai ter mais concurso e nem obras para se abrir os prédios necessários para essa demanda. No momento a nossa maior preocupação não é com o plano que já foi prejudicado mas com o que já foi expandido. Recentemente abrimos dez cursos de engenharia, mais uma turma nova de Medicina. Visto a grosso modo só esses dez cursos já significam dez turmas de 50 pessoas, 500 alunos novos por ano e a questão é que não se tem sala de aula nem professor para esses alunos. Os professores já reclamam de precariedade de trabalho e a falta de laboratórios e nem perspectivas disso, uma vez que o governo anunciou que tem que cortar investimentos. Esse foi o principal motivo da greve, a tentativa de não deixar esses cortes acontecer.

D.N - O que deveria ser priorizado?

F.P- Nossa preocupação é garantir a conclusão das obras paradas, estrutura. A cada ano chegam mais turmas e mais professores e nossa preocupação é que isso seja interrompido. A gente entende que a universidade tem uma produção de conhecimento, importante para a região do Mato Grosso do Sul e do país e tememos que isso seja prejudicado. Da forma que está não garante que a qualidade da universidade que por vários anos já foi vista como a mais bem avaliada de MS, o que acontece por existirem investimentos contínuos desde quando a mesma foi criada.

D.N- Como o senhor vê isso nos próximos anos, acredita que acontecerão mudanças significativas?

F.P- A gente espera que o governo reveja essas posições de cortes para que não haja prejuízos grandes no futuro, mas as perspectivas não são boas. Um exemplo é que se não se ter mais concursos como foi anunciado, de imediato a gente tem os professores no quadro da universidade, mas à medida que os professores vão se aposentando e vai se abrindo novas turmas isso vai ter um impacto, por isso a busca para reverter isso.





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