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Conselho aponta riscos de contaminação em massa por coronavírus no HV

03 junho 2020 - 17h32Por Da redação

O Coren (Conselho Regional de Enfermagem do Mato Grosso do Sul) realizou fiscalização no Hospital da Vida de Dourados para verificar denúncias recebidas sobre imprudência, negligência e falta de segurança para funcionários e pacientes nesta quarta-feira (03).

A avaliação levou em consideração a “urgência em assegurar condições para o enfrentamento à pandemia provocada pelo coronavírus, em especial os recursos humanos para a assistência às pessoas infectadas e para as com outras patologias” e constatou estrutura insuficiente no local no que diz respeito a parte física e de equipamentos especialmente.

Aponta-se no documento que “não há separação no fluxo de pacientes com queixas respiratórias dos que apresentam outros problemas de saúde”, sendo ainda os mesmos profissionais para atendimento de todos os pacientes, independente da patologia.

Sobre este aspecto, o Coren enfatiza que o recomendado é separar a classificação de risco de pessoas com sintomas respiratórios dos demais problemas de saúde.

“Essa é uma estratégia para reduzir o potencial de infecção e, ainda, o uso racional de roupas especiais para o manejo de pessoas portadoras do Coronavírus” diz o relatório.

É apontada a obra em execução para atendimento exclusivo para pacientes com queixas respiratória (suspeitos e casos confirmados) do coronavírus, a qual mesmo sem a estrutura adequada ainda está contando com paciente no local e ocorrendo trânsito livre de profissional de todos os setores.

Conforme o Coren, “há condições de restringir a circulação de pessoas, de modo a não ter circulação de profissionais e pacientes, sem, com isso, prejudicar a assistência”.

Neste ponto é citado que as obras do ponto de atendimento para pessoas com sintomas de Covid-19 que estão em fase avançada, com previsão de término em dez dias e o local contará com uma estrutura física adequada, sendo que a única preocupação é com os recursos humanos específicos para essa nova ala hospitalar.

Com a obra interminada, a sala de triagem respiratória e classificação de risco foi realocada na frente do hospital (rua Toshinobu Katayama) ligada ao setor da área verde que atualmente admite paciente da Rede de Atenção as Urgências, e também tem acesso ao corredor onde atualmente tem permanecido pacientes internados rotineiramente devido déficit de leitos, que foram destinados para o coronavírus.

Uma situação destacada é que o único banheiro possível para os pacientes/acompanhantes, da área verde e corredor, está localizado ao lado da “nova sala de triagem”, sem limitação de área ou barreiras. O corredor permanece com seu acesso livre para a circulação até a porta de entrada de ambulância, o que acarreta a necessidade da retirada de pacientes /acompanhantes que permanecem nos locais para realizar o transporte dos pacientes suspeitos ou casos confirmados”.  

Além destas defasagens, o relatório destaca fato que merece atenção especial, pois compromete a assistência, devido a indisponibilidade de equipamentos essenciais para o manejo de pessoas em respiração artificial.

“Algumas situações são importantes citar:  ausência de pia e dispenser (álcool e sabão), ausência de banheiro e vestiário para o colaborador, sem painel/régua de gazes, sendo impossível o funcionamento do ventilador de transporte, mantendo os pacientes mais graves com ventilação por meio de bolsa válvula máscara (AMBU), onde não se conta com o filtro adequado, ausência de aspiração fechado - trach care, o oxigênio está sendo disponibilizado por meio de torpedo,  o que torna necessário a entrada da equipe de manutenção, que muitas vezes não está paramentada e não tiveram treinamento para tal situação; ausência de termômetro  adequado, não há identificação das áreas (quente ou fria , limpa ou contaminada), não há limite de transitação e ausência de refeitório e dormitório exclusivo para esses profissionais”, aponta o documento.

Possibilidade de contaminação em grande escala

Frisa-se no documento que a sala de triagem respiratória e classificação de risco na frente do hospital e o setor que este destinado aos pacientes respiratórios, que está no fundo do hospital, proporciona “um ambiente inseguro com possibilidade de eventos adversos e contaminação em grande escala”, pois os pacientes, considerados suspeitos de coronavírus passam pelo setor/corredor da área verde, ortopedia, consultório da neuro, área amarela e consultório médico, locais que no cotidiano recebem paciente para consultas e retorno que não possuem queixa respiratória e assim acabam por ficarem expostos ao vírus. 

A ressalva é que a situação descrita será corrigida após a conclusão das obras na entrada pela rua Ciro Melo.

EPI’S

Conforme o Coren, existem materiais de equipamento de proteção individuais para os atendimentos de pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19 de acordo com os padrões científicos. No entanto, foi constatada a escassez de aventais de manga. 

Recomendações 

Diante dos fatos, o Coren detalhou no relatório recomendações a autoridades de saúde. 

Para a Secretaria de Saúde de Dourados, ficou recomendado reunir todos os representantes das redes de assistência à saúde do município de Dourados e rediscutir o plano de contingência, assegurando minimamente a participação de representantes das equipes multiprofissionais, minimamente: bioquímicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas e médicos. 

Acompanhar a conclusão das obras no Hospital da Vida, visando contribuir para a celeridade da conclusão. 

Prover, junto a Funsaud, todos os recursos necessários para a assistência das pessoas atendidas no Hospital da Vida. 

Para a Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados) foi recomendado que faça gestão junto aos responsáveis pelas obras, visando o trabalho ininterrupto para a conclusão o mais rápido possível, que faça a regularização de todos os materiais essenciais para o manejo de pessoas em ventilação mecânica e ofereça roupas (privativos) para todos os profissionais do Hospital da Vida. 

Ainda foi recomendado que comprove o estoque de materiais de equipamento de proteção individual. 

As últimas recomendações são ao Conselho Regional de Medicina, para que manifeste se o dimensionamento de médicos garante a assistência de todos os pacientes atendidos na unidade hospitalar, nas 24 horas, inclusive com a criação de uma nova ala. Manifestar se os materiais, equipamentos e medicamentos atendem as necessidades de saúde dos pacientes atendidos no Hospital da Vida. 

O Dourados News tentou contato via telefone com o médico Renato Nassr, da Funsaud, e a secretaria de Saúde Berenice Oliveira para um posicionamento sobre as medidas pontuais indicadas pelo Coren ao HV, porém, não obteve êxito no contato. 

 

 

 

 

 

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