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AMÉRICA DO SUL

Conheça quatro tipos de roteiros pela América do Sul

18 setembro 2014 - 08h39

Um roteiro pela América do Sul inclui um surpreendente caminho. As opções de turismo no Hemisfério Sul têm gelo, montanha, mar e floresta. Entre um ponta e outra do meu roteiro, feito ao longo de cinco anos, foram 8 mil quilômetros percorridos, com diversidade de temperaturas, altitudes, cenários e sensações.

Comecei a formar o meu cardápio latino de aventuras em 2010, com uma ida à Patagônia. Dessa viagem carrego algumas das mais marcantes lembranças que trago na minha eterna mala de (memórias) de viagens.

Essa quase inenarrável experiência começa com os primeiros quilômetros percorridos de barco entre a pequena El Calafate, no sul da Argentina, até o Parque Nacional dos Glaciares, onde se localiza o glaciar Perito Moreno (foto acima), apontado como a maior geleira em extensão horizontal do mundo, com 725 mil hectares, e declarado Patrimônio da Humanidade em 1981.

Depois, curioso por descobrir mais sobre os vizinhos latinos, passei a sondar a possibilidade de visitar um ícone da América do Sul: Machu Picchu, ou a "velha montanha", em quíchua, linguagem dos nativos. Qual poderia ser o melhor representante das montanhas e altitudes da região? Cidade símbolo do império inca, Machu Picchu foi apresentada ao mundo tardiamente, em 1911, pelo explorador e arqueólogo Hiram Bingham, à frente de uma expedição da Universidade de Yale. Subi (de van) seus 2,4 mil metros acima do nível do mar para conhecer as sagradas ruínas peruanas.

Das montanhas rumei, cerca de um ano depois, para a floresta, a maior delas. Conheci um pedaço ínfimo da Amazônia, mas lindo, a partir de Santarém (PA). Fui em um período de alta dos rios, então me restou conhecer a floresta por meio de dois passeios de barco pela mata inundada e por Alter do Chão, uma paradisíaca praia do Rio Tapajós.

Um desejo: ver o pôr do sol no mar

Faltava-me, ainda, o mar. No Brasil temos realmente exemplares e cenários impressionantes do oceano. De Santa Catarina ao Nordeste, passando por Angra dos Reis (falando apenas do que conheci), os brasileiros são privilegiados. Mas duas coisas me faltavam entre esses salgados cenários: ver o pôr do sol no mar era um desejo, já que o astro rei se põe no Oeste e, por isso, não se observa do Brasil.

E eu andava cismado, há anos, em conhecer um pouco do famoso Mar do Caribe. Optei por rumar a este destino indo primeiramente para a histórica Cartagena das Índias, na Colômbia, e em suas cercanias.

1. O GELO

É da pequena El Calafate, cidade de 5,5 mil habitantes localizada a quase 3 mil quilômetros ao sul de Buenos Aires, que parte a maioria dos turistas rumo ao Parque Nacional dos Glaciares, onde um conjunto de aproximadamente 50 glaciares formam cerca de 700 mil hectares de gelo. Essa é principal atração do começo ao fim da viagem: gelo, muito gelo.

Para chegar ao Glaciar Upsala, por exemplo, percorrem-se 50 quilômetros de barco. É um trajeto que vai ficando mais frio conforme se aproxima do parque e em que pedaços imensos de gelo começam a aparecer flutuando, pouco a pouco e cada vez maiores. É ao avistar os primeiros blocos de um azul translúcido impressionante que a emoção surge. A falta de ar vem quando se olha ao longe um imenso paredão gélido que se ergue majestoso. É o ponto de início da caminhada e que marca com lágrimas até mesmo experientes viajantes.

Por questão de tempo e economia, optei pela caminhada de pouco mais de uma hora sobre as geleiras, mas poderia ter ficado mais. Amei andar cravando as garras metálicas que são acopladas nos calçados dos turistas. É como andar com um picador de gelo sob os pés, o que permite se locomover sobre a mais deslizante das superfícies. Além de instigante e realmente prazerosa, a caminhada se encerrou com um bela mesa montada pelos organizadores sobre o glaciar, com alfajores e uísque. Com gelo fresquinho, recém tirado do Upsala.

Dica de gastronomia

Sempre fui fã de anchova, e a pizza deste sabor servida em El Calafate é uma salivar lembrança, especialmente acompanhada da cerveja local Patagônia, em qualquer uma de suas versões. Para sobremesa, um sorvete de calafate, frutinha roxa que dá nome à cidade e se assemelha um pouco ao sabor da uva, porém mais suave.

Para os incas, uma montanha era um ser sagrado, uma divindade. Em uma viagem até Machu Picchu, todo o encantamento começa cedo. E o soroche, o tal mal da altura, também. Para mim, ao menos o efeito da baixa quantidade de oxigênio no ar passou rápido e era facilmente solucionado mastigando folhas de coca. O impacto dessa mudança se sente (com diferentes intensidades) logo no desembarque em Cusco, onde comecei a viagem até a montanha.

Antes de chegar a Cusco, ainda em Lima, capital peruana, comecei a tomar as chamadas soroche pills, que vão preparando o corpo para a mudança, reduzindo o impacto. Uma curiosidade: Cusco fica a mais de 3 mil metros acima do nível do mar, mais alta, portanto, do que Machu Picchu, e por isso se "desce" para chegar até o povoado de Aguas Calientes, ao pé da montanha sagrada.

De Cusco a Machu Picchu, a viagem é de trem, com teto de vidro para melhor apreciar a paisagem – que se torna cada vez mais voltada para cima, conforme os vagões descem o vale rumo a Aguas Calientes. São quase duas horas de uma agradável viagem, e mais uns 40 minutos subindo de van até cidade perdida.

Achei as ruínas menos místicas do que imaginava, mas não menos lindas. Tudo impressiona: a engenharia para erguer aquilo tudo, ali, no topo da montanha, a história e as dúvidas sobre a real finalidade daquela construção. Uns dizem ser uma área de lazer dos antigos imperadores, outros, uma cidadela com vida própria e proteção nas alturas, entre outras histórias.

Dica de parada

Ainda que pareça lógico, nem todos aproveitam a viagem para conhecer a capital do Peru. Lima merece uma parada. Além de aparentemente segura e limpa, tem um povo impressionantemente solícito. Na cidade, vá ao espetáculo das águas e dedique pelo menos um final de tarde na Ponte da Paixão, tomando pisco sour e admirando o Pacífico.

3. A Floresta

No norte da América do Sul, estende-se por aproximadamente 7 mil quilômetros quadrados o manto verde denominado Floresta Amazônia. Apesar de ter sua maior porção no Brasil, a selva amazônica adentra territórios de países como Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador. No Brasil, tem teus seus galhos espalhados por Amazonas, Amapá, Rondônia, Acre, Roraima e Pará.

Foi pelo Pará que conheci um pedacinho da floresta. A convite de amigos que vivem em Santarém, cruzei 3 mil quilômetros e me esbaldei em Alter do Chão, uma praia de água doce nas margens da floresta. Banhada pelas águas do imenso Rio Tapajós, Alter do Chão se apresenta em duas realidades distintas, conforme a época do ano. Na alta temporada, entre julho e janeiro, a areia se sobrepõe em um longo trecho do Tapajós. No restante do ano, o rio sobe lentamente, vai tomando conta da areia e deixando quiosques apenas com telhados de sapê à vista.

Visitei a região durante a cheia do rio. Uma das aventuras que só se pode fazer nessa época é percorrer os igapós (trechos alagados da floresta amazônica) e navegar por entre as copas das árvores. Algumas ficam apenas com essa parte visível, criando imagens surrealistas em uma paisagem entrecortada por raios de sol e sons diversos, que atravessam a densa mata e criam imagens duplicadas no reflexo das águas.

No trajeto, não faltam macacos e bichos-preguiça em seu hábitat natural. O passeio dura cerca de quatro horas Tapajós adentro – entre ida e volta –, mas há opções mais curtas.

Dica de gastronomia

Para glutões como eu, afoitos por provar de tudo um pouco na gastronomia local, recomendo o mirante no centro de Santarém. À noite, há quiosques que servem, em pequenas cumbucas, cinco diferentes pratos típicos da região, como arroz paraense, com camarão, jambu e tucupi (tempero extraído da raiz da mandioca), maniçoba (tipo feijoada, mas de folha da mandioca), vatapá, camarão com tucupi (doce ou azedo) e farinha de piracuí (de peixe) com banana. Na cidade, também não deixe de provar os sorvetes das mais diversas frutas.

4. O Mar

Quando decidi que deveria mesmo conhecer o mar caribenho e seus tons de azul (o que fiz neste ano), busquei como ponto de partida aquela que foi a primeira cidade-alvo dos piratas do Caribe. Viajei a Cartagena das Índias, na Colômbia, e fiz dela meu ponto de partida para as Antilhas Holandesas.

Cartagena me atraiu pela sua cidade murada e sua riqueza histórica. Inicialmente, planejava conhecer as Ilhas Rosário (em busca de diferentes tons do mar), mas me encantei tanto com a cidade que fiquei por lá mesmo durante quatro dias – e só depois parti para Aruba e Curaçao.

Cartagena foi fundada em 1º de junho de 1533, quando o Brasil recém havia sido descoberto, e teve seu centro murado para dificultar os ataques de piratas e corsários. Três décadas após sua fundação, a cidade foi pilhada pelo nobre francês Jean-François Roberval e, posteriormente, por outros personagens históricos das águas do Caribe, como Sir Francis Drake – que teria destruindo grande parte da cidade em um de seus ataques em busca de ouro.

Conhecido como a cidade fortificada, o centro histórico foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 1984. Ao todo, a coroa espanhola ergueu cerca de 10 quilômetros de muralhas, incluindo o Castelo de San Felipe de Barajas, que serviu para repelir ataques terrestres.

Bom, foi depois de me esbaldar nos labirintos e na história da cidade murada que parti em um cruzeiro rumo a Curaçao e Aruba, onde, então, perdi o fôlego com o mar das duas capitais. Ah, antes, em Cartagena, tomei muitas cervejas Aquillas e Club Colombias curtindo o pôr do sol no mar (quente, mas nada azul) de Barranquilla.

Dica de gastronomia

Assim como temos no Brasil nossas inúmeras barraquinhas de cachorro-quente, o comum em Cartagena são os quiosques de ceviche. Deliciosos, com copos na medida da fome de cada um, e de variados sabores (peixe, marisco, ostra, camarão...). Ao contrário do ceviche mais comum no Peru (basicamente peixe, limão, milho e cebola), na Colômbia é comum a opção com molho vermelho.

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