Prisões, confusões, revoltas, problemas técnicos, além da falta de informação e de ingressos, marcaram o primeiro dia de comercialização das entradas para os Jogos Pan-Americanos do Rio, nesta terça-feira. Os torcedores eram surpreendidos pela falta de tíquetes mais baratos, o que contribuiu para que apenas 13.480 passes, dos cerca de 900 mil disponíveis, tenham sido adquiridos até às 19 horas desta terça. No Maracanã, o mais procurado dos quatro postos de venda, os guichês foram abertos ao meio-dia, e, parecendo prever o caos que viria a seguir, um integrante do Comitê Organizador dos Jogos (CO-Rio), com um megafone, pediu ´calma´. Três minutos depois, a revolta estava deflagrada. “É uma vergonha. Cheguei às 5h30 e estou saindo sem ingresso. Queria ver a cerimônia de abertura, mas só tem ingresso de rico. Não vou pagar R$ 100”, disse a aposentada Lucy Landy, de 61 anos. “O pior é que eles avisam sorrindo que não há entradas. Eles riem da nossa cara. É brincadeira.”
Outra revoltada pela falta de ingressos mais baratos era a vendedora Cristiane Kely Santana Caetano, de 27 anos. “O sonho da Cristiane [sua filha de oito anos] era ver a abertura, por que prometeram entradas de R$ 20 se elas não existem?”, indagou.
Antes de começar a venda, o inconformismo já era grande, porque o CO-Rio fixou uma placa com as sete modalidades que não teriam ingressos disponibilizados para as finais (vôlei de quadra e praia - masculino e feminino -, ginástica rítmica, futsal, handebol, hipismo de saltos e tênis masculino) e ainda incluiu a natação. Muitos ainda não sabiam da decisão tomada no sábado de vender entradas para essas disputas somente pela internet.
Falta de informação
Aliada aos problemas técnicos operacionais, a falta de informação provocou tumultos e fez com que uma compra demorasse, no mínimo, dez minutos. “Fiquei uma hora ali, porque o sistema não funcionou. Depois, perdi tempo porque não tinha os ingressos que queria e precisei escolher outros”, disse o artesão Sebastião Santos, de 39 anos, o primeiro a chegar ao Maracanã, às 3h30, acompanhado pela sobrinha, Marília, de 18 anos, e do amigo Jorge Nogueira, de 40 anos. “Queria ver a cerimônia de abertura, e dois jogos de vôlei das seleções feminina e masculina. Só consegui ingressos para uma partida das mulheres contra o México. Não tem mais nada.”
Nem mesmo o primeiro torcedor a comprar o ingresso sem problemas, o militar Ricardo de Souza Ramos, o terceiro a chegar à fila, escapou da frustração. Queria ver a final do vôlei masculino e precisou se contentar com uma partida da semifinal: “Pelo menos vou estar lá”.
O tumulto aumentou à medida em que três pessoas da organização tentavam, em vão, responder todas as perguntas dos torcedores. O prometido contingente de voluntários responsáveis por atender ao público não foi mandado pelo CO-Rio. Nos outros postos de venda a procura não chegou a ser tão intensa, mas também foi registrada a indignação dos torcedores.
Cambistas
A polícia prendeu seis pessoas suspeitas de atuarem como cambistas. Com elas foi apreendido um total de R$ 10 mil em dinheiro. “Estava na fila e ele [Maurício Paes de Almeida, 61 anos] me pediu para comprar quatro ingressos, porque só ia adquirir uma entrada”, argumentou Daniel Novo Filho, de 44 anos, preso ao repassar os tíquetes “ao amigo que conheceu na fila”.
Sobre a falta de informação e ingressos mais baratos para o público, o CO-Rio não se manifestou. Reconheceu que houve problemas operacionais no início das vendas. E ainda observou que “muitos espectadores deixaram para escolher na própria bilheteria o que gostariam de assistir nos Jogos, aumentando o tempo de atendimento”.
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