Menu
Busca sexta, 23 de julho de 2021
(67) 99257-3397

Comissão pedirá perícia em fotos de Vladimir Herzog

19 outubro 2004 - 18h40

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados pedirá uma investigação sobre a autenticidade das fotografias que mostram, possivelmente, o jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 nas dependências do Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), durante a ditadura militar. As fotos foram encontradas nos arquivos da comissão e publicadas no jornal Correio Braziliense no último domingo. Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Mário Heringer (PDT-MG), a Comissão reúne-se amanhã às 14h para discutir as medidas que serão tomadas em relação às fotos. Entre as sugestões, está a de verificar a origem dos documentos. Heronger também está disposto a retomar as análises dos arquivos sobre torturas praticadas no período da ditadura militar."Vamos investigar todo o material de novo. A coisa foi reacesa e não pode ficar no esquecimento", afirmou. Apesar de a viúva do jornalista, Clarice Herzog, o ter reconhecido nas fotografias, o presidente da comissão quer comprovar a autenticidade das fotos."Além de serem cópias, uma das fotografias aparenta ser de época diferente das outras duas", afirma Heringer. Heringer explicou que as fotos foram entregues à Comissão em 1997 pelo cabo José Alves Firmino, ex-agente informante do Exército. "Quando vi as fotos tive um sentimento de indignação, constrangimento, não pelas fotos, mas pelo ato de tortura e pelo constrangimento da foto do prisioneiro nu". Os documentos originais entregues pelo cabo Firmino foram encaminhados pelo presidente da Comissão na época, Pedro Wilson (atual candidato à prefeitura de Goiânia), à biblioteca da Universidade de Brasília (UnB). No ofício, o então deputado considerava que a biblioteca seria "o local ideal para se guardar documentos históricos e públicos". Mário Heringer quer saber ainda se houve resposta do governo federal à comissão quando, em 1997, cópias dos documentos entregues pelo cabo Firmino foram encaminhadas ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, aos ministros do Exército, Zenildo Lucena, da Justiça, Íris Rezende, e ao secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori. Heringer também não descarta a possibilidade de convidar o atual secretário Nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, a esclarecer o caso na Comissão. Nota do Exército O comando das Forças Armadas divulgou uma nota no domingo em resposta à reportagem publicada pelo Correio Braziliense. A nota afirma que "à época, o Exército brasileiro, obedecendo ao clamor popular, integrou, juntamente com as demais Forças Armadas, a Polícia Federal e as polícias militares e civis estaduais, uma força de pacificação que logrou retomar o Brasil à normalidade". Afirma, ainda, "que o movimento de 1964, fruto de clamor popular, criou, sem dúvidas, condições para a construção de um novo Brasil, em ambiente de paz e segurança". A resposta do Exército foi duramente criticada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, disse Heringer . "Quem leu a nota, viu que foi extemporânea, parecendo que foi feita há 20 anos", disse. A postura do texto indignou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou uma atitude do ministro da Defesa, José Viegas Arquivos da tortura Para o atual presidente da Comissão, Mário Heringer, não será fácil reabrir os arquivos do governo federal sobre as torturas praticadas no período da ditadura."É difícil para um ministro civil (José Viegas, da Defesa) ter a força (de abrir as investigações) até porque tão pouco tempo se passou do regime militar", afirmou Heringer. A publicação das supostas fotos de Vladimir Herzog no cárcere mobilizaram também parentes de vítimas do regime militar. Iara Xavier Pereira e Criméia Almeida estiveram hoje com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara para solicitar o acesso aos documentos entregues pelo cabo Firmino. Segundo Heringer, os documentos são públicos e estão abertos à pesquisa. Quanto à reabertura das investigações dos arquivos do governo federal, tanto Criméia Almeida quanto Iara Xavier são céticas: "tem que ser uma decisão de governo, do presidente Lula. Na questão da abertura dos arquivos sobre a guerrilha do Araguaia não tivemos qualquer avanço. Nossa expectativa é que isso tudo não vai dar em nada". O caso Herzog Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, filiado ao Partido Comunista Brasileiro, foi à sede do DOI-Codi em São Paulo para prestar esclarecimentos sobre sua atividade política. Lá, foi morto. No dia seguinte ao assassinato, seu corpo foi apresentado à Imprensa pendurado a uma grade pelo pescoço, atado a um cinto. A grade à qual o cinto estava preso era mais baixa que a altura do jornalista. Apesar disso, a informação oficial era a de que ele havia se suicidado. Porém, além da incongruência de um enforcamento de uma altura mais baixa que a do próprio jornalista, quando o comitê funerário judaico preparou o corpo para o enterro o rabino notou sinais de tortura, o que reforçou a tese de assassinato.

Deixe seu Comentário

Leia Também

APREENSÕES
TJ/MS anuncia abertura de leilões com 77 lotes de veículos e sucatas
Novato de MS quer surpreender na Taça Brasil e encara o atual campeão na estreia
FUTSAL
Novato de MS quer surpreender na Taça Brasil e encara o atual campeão na estreia
Após perseguição, polícia apreende três veículos com produtos de contrabando e descaminho
POLÍCIA
Após perseguição, polícia apreende três veículos com produtos de contrabando e descaminho
Em meia hora, dois são presos por violência doméstica
POLÍCIA
Em meia hora, dois são presos por violência doméstica
Golpista usa nome de secretário de saúde para arrecadar fundos em falso jantar
ALERTA
Golpista usa nome de secretário de saúde para arrecadar fundos em falso jantar
COTAÇÃO
Dólar fecha próximo da estabilidade nesta sexta-feira
POLÍCIA
Contido por populares, homem é preso ao tentar furtar residência de idoso
IMBRÓGLIO
MPF recomenda à Funai que faça a demarcação física da terra indígena em Aquidauana
MATO GROSSO DO SUL
Auditor da Receita assume Diretoria de Transportes, Rodovias e Portos na Agepan
POLÍCIA
Em ação conjunta polícia inicia Operação Cidade Tranquila, com atuação de cães de guerra

Mais Lidas

DOURADOS
Onda de frio vai embora e previsão é de termômetros acima de 30ºC
DOURADOS
Polícia fecha 'boca' na Cachoeirinha e quatro são levados à delegacia
UTILIDADE PÚBLICA
Manutenção: onze bairros podem ficar sem água em Dourados; confira a lista
VIAS DE FATO
Confusão entre "trisal" resulta em agressão e envolvidos vão parar na delegacia