A vigésima sexta sessão da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) ocorreu em Glasgow, na Escócia, entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro, reunindo diversos "líderes mundiais" para discutir formas de enfrentar problemas ambientais a partir da adoção de compromissos de reduzir emissão dos gases poluentes e melhorar as práticas de sustentabilidade ao redor do planeta.
"Ao aderir a novos compromissos ambientais, demonstrar ações práticas aqui adotadas e revelar tecnologias novas para manejos mais sustentáveis, o Brasil avança na agenda verde. O atual presidente da Embrapa, Celso Moretti, é um dos respeitados profissionais brasileiros participantes da Conferência que está viajando também por outras regiões do mundo para evidenciar as ações já em prática por aqui." (Fonte: jovempan.com)
Infelizmente, muitos representantes e personalidades de outros países propagam uma visão muito ruim do Brasil em matéria de preservação ambiental (e aqui dentro também não falta quem fale mal do próprio país, a turma do "quanto pior melhor"). É uma narrativa falsa de que somos um país inimigo do meio ambiente, que desmata florestas, que polui ares e rios, que maltrata a população indígena e que substitui a vegetação nativa por lavouras e pastagens. Uma imagem muito equivocada, distante da realidade dos fatos, mas transmitida por muitas ONGs, militantes políticos e boa parte das chamadas "nações desenvolvidas."
Assim escreveu (com toda a razão) o jornalista JR Guzzo em um de seus artigos: "Europa, Estados Unidos e outros lugares de primeira classe são maravilhosos para dar aulas altamente edificantes de boa conduta ambiental ao Brasil (e de fazerem ameaças cada vez mais agressivas para serem ouvidos, e ouvidos já), mas foram horríveis com as suas próprias naturezas. Conclusão: não são exemplo de nada, para ninguém." (Fonte: gazetadopovo.com.br)
O Brasil é vilão ambiental? Não mesmo. Vamos aos fatos? Citaremos apenas alguns dados que revelam a potência agroambiental brasileira. Plantio Direto: o Brasil tem 47 milhões de hectares em sistema de plantio direto, tecnologia que apoia todo o trabalho de redução de emissão do gás de efeito estufa, pois mantém o carbono aprisionado no solo. Fixação biológica de nitrogênio: a Embrapa demonstrou que, na safra 20/21 da soja, o país deixou de emitir entre 100 e 120 milhões de toneladas de CO2 equivalente ao usar microorganismos para sequestrar nitrogênio da atmosfera. Tratamento de dejetos: milhões de toneladas são tratadas na agricultura de baixo carbono, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Leis rigorosas: a legislação brasileira estabelece que uma propriedade localizada na Amazônia só pode produzir em 20% da área, mantendo os outros 80% preservados. Dentre outras medidas que demonstram o alto grau de regramento e de tecnologia aplicados no Brasil, que permitem avanços em produtividade e sustentabilidade (Fonte: jovempan.com).
O Brasil é uma Potência !
O Brasil está ruim ambientalmente, comparado aos outros países? Muito pelo contrário. O número de emissões dos chamados gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, entre outros), no Brasil, não chega a 3% do total mundial. Na frente estão, por exemplo, China (cerca de 26%), Estados Unidos (12%), União Europeia (7,5%), Índia (7%) e Rússia (5%). “Destes menos de 3% brasileiros, um terço vem da agricultura e pecuária, um terço da indústria e o restante das florestas e terras não produtivas”, esclarece Roberto Castelo Branco, ex-secretário de Relações Internacionais do Ministério do Meio Ambiente. “Ao mesmo tempo, alimentamos 20% da população do planeta.”
E como produzimos a energia em nosso país, muita depredação e poluição? Não. Fatos: Em 2020, 84% da energia elétrica produzida no Brasil veio de fontes renováveis. Canadá (65%) e a Suíça (60%). A matriz hidrelétrica é o modelo responsável por quase 65% de toda a geração de eletricidade no Brasil. Ou seja, o Brasil é campeão em energia hidrelétrica, considerada "limpa": menos agressiva à natureza que outras, os resíduos são muito menos nocivos que os modelos fósseis e nucleares. (Fonte: revistaoeste.com)
E sobre a preservação de áreas indígenas, o Brasil descuidou da terra dos seus pobres nativos? Fatos: 614 áreas indígenas existentes no Brasil ocupam 14% do território nacional. O total dessas terras é maior que a França e a Alemanha juntas. O Estado de Roraima, por exemplo, tem 46% do seu território reservado a tribos indígenas. E os nossos produtores rurais, seriam eles os grandes "vilões ambientais" do Brasil, certo? Fatos: as áreas preservadas no interior dos imóveis rurais ocupam um terço (33,2%) do mapa nacional. “Nem o Estado Brasileiro preserva mais vegetação nativa do que os produtores rurais”, registra Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial (sugiro aos leitores assistirem à palestra de Evaristo sobre meio ambiente, disponível no Youtube).
“Outro fato a considerar é a dinâmica da recuperação das florestas e outros tipos de vegetação no mundo rural”, lembra Evaristo. “O balanço entre desmatamento e regeneração florestal na Amazônia pelo Projeto Terraclass mostra que quase 30% das áreas mapeadas como desmatadas nos últimos 30 anos hoje estão ocupadas de novo por vegetação nativa. Conjugadas, as áreas protegidas e preservadas do Brasil ocupam mais de 5,6 milhões de quilômetros quadrados — ou 66,3% do território nacional. “Há 8 mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais. Hoje, detém 28,3%”, informa Evaristo. "A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% das florestas do planeta; hoje, tem apenas 0,1%. A África possuía quase 11%, e agora tem 3,4%. A Ásia já deteve mais de 23%; agora, possui 5,5% e segue desmatando”.
Um País de Florestas !
Em resumo, o Brasil é exemplo e referência para o mundo em questão ambiental, e não esse vilão do meio ambiente, como querem pregar. "Se o Brasil fosse seguir o mundo desenvolvido em matéria de preservação ambiental, a Amazônia estaria reduzida ao tamanho do Passeio Público de Curitiba, e o resto da superfície do país seria um deserto de asfalto, estradas e outros portentos da infraestrutura. Nada é tão falso como o teatro montado nessas conferências mundiais onde se celebra a correção ecológica, fala-se em carbono zero e se joga no Brasil a culpa por tudo o que existe de errado com a natureza do “planeta”. O Brasil não é o problema. É, ao contrário, onde se pode estudar, aprender e encaminhar soluções." (Fonte: gazetadopovo.com)
Antônio Cabrera, ex-ministro da Agricultura, revela porque há, atualmente, tanta perseguição contra o nosso país em matéria ambiental: “O que mudou é que o Brasil está assumindo uma posição de liderança no agronegócio internacional. E essa liderança incomoda cada vez mais.” Outra transformação, segundo Cabrera, é que hoje o país produz mais utilizando menos recursos naturais. “Estamos na era das fake news”, lamenta Cabrera. “As maiores notícias falsas envolvem a área ambiental, principalmente em relação à Amazônia. O presidente da França, Emmanuel Macron, chegou a publicar uma foto antiga das queimadas na Amazônia como se fosse atual. E outras celebridades opinam sobre um assunto que desconhecem, como Cristiano Ronaldo, Lewis Hamilton, Gisele Bündchen ou Leonardo DiCaprio. Temos de começar a combater essas fake news com fatos, com informação. Nenhum outro país, entre as grandes potências agrícolas, tem o mesmo ativo ambiental do Brasil.”
Como sempre, há interesses políticos e econômicos envolvidos. Os tais "países desenvolvidos" não estão preocupados com a natureza (do contrário, teriam preservado melhor o meio ambiente deles, antes de apontarem o dedo para os outros). Eles também não estão preocupados com o Brasil, nem com outros países chamados de "subdesenvolvidos", ou seja, os países mais pobres. "Os verdadeiros problemas ambientais aqui não são, como querem a militância e a ignorância ambientais do Primeiro Mundo, o resultado do progresso e da prosperidade econômica – são, exatamente o inverso, o fruto direto do atraso e da pobreza. Problema ambiental de verdade, no Brasil, é 50% da população viver sem sistema de esgotos". (Fonte: gazetadopovo.com)
A conclusão de JR Guzzo, para a nossa reflexão: "O mundo dos ricos, depois de ter alcançado um grau de desenvolvimento que lhes fornece PIBs per capita de 80.000 dólares por ano, quer que o Brasil cancele o seu desenvolvimento econômico para resolver os problemas mundiais do meio ambiente. Está mais do que na hora, portanto, de se concentrar nas soluções reais, nas preocupações legítimas da comunidade internacional e no debate honesto das questões ecológicas."
*o autor é bacharel em Direito pela UFMS e pós-graduado em Direito Público
Instagram/Facebook: @rodolphobpereira
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