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ARTIGO

Rotina transfronteiriça que segue após obter sua mais jovem e inocente vítima

16 novembro 2017 - 19h20Por Vitor Teixeira

Num de seus muitos ataques componentes da cruel luta pelo domínio do comércio de drogas entre o Paraguai e o Brasil, pistoleiros não lograram êxito direto em matar uma vítima no país vizinho, tendo, entretanto, a conduzido após escapar das balas de calibre pesado ao suicídio ao perceber que seu filho havia perecido ante elas. No seio do sistema policial e até no Poder Executivo das terras hispano-guaranis o sucesso na captura dos autores do crime, entre os quais um brasileiro constava, foi enaltecido, sem demonstrações de convencimento quanto à relevância de um reforço o mais imediato possível no incondicional ímpeto para desalojar das instituições indivíduos e procedimentos com perfil similar ao encontrado por aqui presentes lá por influência destes que sustentam a viabilidade e atratividade de esquemas mercantis ilícitos (que englobam, além do narcotráfico, o fluxo de sofisticadas armas e produtos de consumo popular tomados de seus proprietários ou trazidos para cá após a fabricação sem dar satisfações a nossas autoridades tributárias e fiscalizadoras) entre investidores paraguaios e verde-amarelos, que são por sua vez o pilar central de disputas por culpa das quais muita gente perde o patrimônio ou a vida de ambos os lados da fronteira e não só exatamente nela.

Em dois dias o atentado a bala do dia 25 do mês passado em Assunção contra a caminhonete onde estavam entre outras pessoas o pretendido alvo, William Giménez Bernal, 28 anos, e seu filho Gabriel Giménez González, de 5, foi sucedida a rápida operação da Polícia Nacional de que resultou o encontro dos três autores do crime. E após dito intervalo de tempo coincidentemente o Ministério Público paraguaio anunciou a ratificação por análise forense, do relato por um dos ocupantes do veículo que sobreviveram, o primo daquele suposto funcionário do traficante Jarvis Chimenes Pavão, do impacto indireto da artilharia pesada sobre o alvo. Alheia aos negócios suspeitos do genitor e inculpável por ter alguém assim entre os responsáveis por sua concepção, a criança acabou sendo presa fatal dos disparos de fuzil efetuados pelo trio, composto por um brasileiro e dois paraguaios, vinculado ao PCC. A bala na cabeça que encerrava depois a vida do pai saíra da pistola manejada por ele mesmo intencionando punir-se devido ao preço cujo tamanho não podia determinar da escolha por aquele meio de obtenção de renda.

Sem dúvida por referidas particularidades o acontecimento, além de ostensivamente usado como tema em matérias na imprensa paraguaia e ter espaço nos noticiários sul-matogrossenses, teve a dinâmica da retaliação policial elogiada por Luiz Rojas, comandante da Polícia Nacional, e, nas redes sociais, pelo presidente da República, Horacio Cartes. Como, porém, o grau mais elevado de comoção social originada do caso não se mostra um suficiente atenuador da busca dos criminosos por seus lucros perversos e sanções a quem os esteja impedindo, seria muito proveitosa neste momento a todas as esferas governatícias de nosso vizinho uma autocorreção com a intensidade que as dimensões das incompetências no exercício de seus deveres requerer. 

Na avaliação posterior à ocorrência pelo antes mencionado chefe da polícia paraguaia do desempenho na luta contra o crime organizado a negação de que houve fracassos só não fica realmente sem indícios de correspondência com a realidade em virtude de ser salva pela menção de uma tendência a queda nos crimes de pistolagem observada nos mais recentes anos. Mas o desenvolvimento de muitos dos delitos não impedidos de se consumar, entre os quais o duplamente fatal ato, apresenta um aperfeiçoamento que aponta a eficácia para os infratores do conforto recebido de quem deveria estancar o efeito de facilitações a seus ganhos de vantagens em cima do sofrimento de grande soma do povo lá e aqui. 

William integrava a horda de profissionais do mundo narcótico que rumo a Assunção têm deixado Pedro Juan Caballero, cidade limítrofe com a brasileira Ponta Porã, em nosso estado, esquivando-se das ameaças postas em suas vidas pela disputa por um lugar ao sol nesse mercado por justa causa não legitimado política e socialmente. Desta rota das presas já se inteiraram muitos matadores remunerados, levando a expandir-se para a capital nacional o integro conjunto das mazelas inerentes ao crime organizado acessíveis também à maioria honrada da população. Nada do que aconteceria a quem busca o sucesso por caminhos tortos sem que no governo haja conivência ao ficar aberto à participação de representantes do poder paralelo (onde, quando se fala em cargos diretamente eletivos, há responsabilidade das massas), dispor aos criminosos o suborno como alternativa às corretas recompensas e nutrir de modo sovina as demandas dos setores incumbidos de colocar ordem na casa, como a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

No usufruto do vazio de autoridade organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) e contrabandistas de produtos lícitos sem mérito "carregam nossa bandeira". A pouca expressividade das diferenças essencialmente etnolinguísticas entre os estadistas brasileiros e paraguaios pouco atua como barreira a essa irmandade não declarada benéfica aos bandidos, como se ainda não estivesse bom deixar em parte o comando dos nossos presídios às associações criminosas, permitindo-lhes preservarem-se na ativa, estando isto por trás do envolvimento das facções em violentos clamores por direitos cabíveis apenas aos reclusos obedientes à finalidade dos espaços prisionais.

O exposto caso das mortes de pai e filho com o último tendo injustamente partido em instante menos separado da ocasião em que viera a este mundo é, no período contemporâneo da história criminalística do Paraguai, a melhor lente pela qual fica visível a diferença que fazem no trabalho do poder público recursos humanos, equipamentos e perfil moral capazes de se imporem sobre as artimanhas de malfeitores e aos cidadãos o interesse em averiguar nas épocas eleitorais e depois que os candidatos bem-sucedidos ascendem ao poder a capacidade de seus representantes proporcionarem tais atributos às instituições governamentais. Do lado de cá acontecimentos do gênero são dispensáveis para compor o balde de água fria a ser jogado nos políticos e na população com o intuito de despertá-los para a realidade frente à serventia para tal de tudo que já faz parte de nosso cotidiano, englobando a tomada de decisões nos bastidores do poder e seu acato prático.

*Estudante

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