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ARTIGO

Quando a igreja se torna um clube social

15 junho 2019 - 07h30Por Jackeline de Lara

Se adequar a grupos cristãos, quando você não se encaixa em padrões convencionais, e tidos como corretos para a maioria, se não for algo torturante, é no mínimo complicado de se buscar. Não se encaixar em padrões não é sinônimo de cometer atrocidades, prejudicar outrem, que isso fique claro.

Homens, mulheres, crianças, estão de alguma forma, procurando um contato com um ser superior, no caso do cristianismo dos que nascem em lares Cristãos, se procura por Cristo, o filho unigênito de Jeová, enviado à terra para a remissão dos pecados de todo aquele que nele crê, desta forma a busca por igrejas cristãs, é o alvo para todo aquele que entende a importância de se congregar em algum templo, para estreitar relações com pessoas que professam a mesma fé.

Toda relação quando começa a se estreitar, junto à intimidade, os bons momentos, vêm também os conflitos, já que as diferenças começam a gritar, isso ocorre entre pais e filhos, colegas de trabalho, enfim, todo e qualquer relacionamento.

Sabemos que a igreja somos nós, e à reunião de membros em um templo, também chamamos de igreja. É maravilhoso pessoas com pensamentos iguais e diferentes caminhando juntas, principalmente quando crêem e buscam o mesmo Deus.

Assim como um hospital de corpos físicos, a igreja é um hospital de almas, portanto ali congrega pessoas com vários níveis e tipos de doenças emocionais, e ter isso em mente, sem se desviar dessa verdade, é de extrema importância, para não desanimar e desistir de participar dessas comunidades religiosas.

Pessoas feridas, também ferem isso é fato, mas como em uma empresa, creio que os cargos devem ser ocupados pelos que estiverem nos graus de cura mais avançados. Infelizmente é comum, conversar com pessoas que dizem que suas feridas mais profundas, vieram de lugares, e pessoas que estão em um posto em que não têm aptidão, paciência, capacidade, maturidade para ocuparem, ainda estão em uma fase espiritual e emocional, em que necessitam de adquirir mais conhecimentos.

Um cargo em uma igreja é algo sério, e deve ser tratado como tal. Inadmissível um fofoqueiro por exemplo, ser colocado em um trabalho onde ouvirá confissões de membros, que não podem ser compartilhadas. Um líder que faz bullying  com seus liderados, que difama integrantes do seu grupo, após conhecer fatos de suas vidas.

Ninguém é perfeito, todos precisam de tratamento, mas certos defeitos não podem fazer parte de quem aceita um cargo de liderança onde irá tratar pessoas, é como colocar um advogado para fazer uma cirurgia em um paciente, ele irá matar o doente.

Pessoas comuns (que não demonstram diferenças significativas, para com o resto do grupo), sofrem durante o convívio religioso, então vamos falar daquelas em que não se enquadram totalmente nos padrões estabelecidos nos templos cristãos, mesmo que seus “defeitos”, suas enfermidades emocionais, espirituais se fosse possível pesar em uma balança, talvez fossem menos graves que os demais.

Quando se fala em comparação, me vem à mente, aquele ser que vive em “santidade”, mas tortura psicologicamente a empregada, prejudica o colega no trabalho perante o chefe, difama as pessoas quando conhece seus segredos com desculpa de orar (sem contar que normalmente distorcem a realidade dos fatos), não perde a oportunidade fazer o outro se sentir mal.

O problema do ser humano, é querer usar e não adorar à Deus. Adorar não é apenas abrir a boca, e erguer as mãos, adorar implica em generosidade, caridade, lealdade, ética, ser bom para o próximo, não prejudicar, e se por um deslize isso ocorrer, voltar atrás e reparar os danos causados.

Adolescentes se enojam, famílias inteiras se tornam desigrejadas, são destruídas, por causa das feridas que adquirem, onde deveria ser um local de cura. Alguns querem fazer missões no exterior, mas dentro da própria igreja oque fazem é contendas, fofocas, e destilam venenos como cobras raivosas. São doentes são, também precisam de misericórdia sim precisam, mas então não deveriam ocuparem cargos de destaque, essa é a questão.

Não se deve dar ou aceitar uma posição na qual não está preparado para desenvolvê-la, e se aceitar, a responsabilidade em buscar aptidão, conhecimentos deve ser primordial. Quem lidera seres humanos, assim como um médico, pode salvar ou matar. Respeitar as diferenças, trabalhar a inclusão, não aceitar qualquer tipo de discriminação são requisitos fundamentais para o bom funcionamento de tudo o que envolve pessoas, e a igreja deve ser exemplo nesses quesitos, pelo contrário não é igreja, é apenas um clube social.

*Pedagoga, pós graduada em Educação Infantil e Educação Especial. Proprietária do Centro de Recreação Espaço Kid's em Dourados

As opiniões de artigos são de responsabilidade dos autores e não reflete o posicionamento do jornal. 

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