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ARTIGO

Qual a sua religião?

04 dezembro 2020 - 08h47Por Rodolpho Barreto

Estamos nos aproximando do Natal, o mais famoso feriado religioso do ano. A data é mais relacionada aos cristãos, mas também é celebrada por muitas outras pessoas, das mais diferentes religiões, e até mesmo entre aqueles que não professam nenhuma religião. Há quem ensine que esta palavra, "religião", veio do latim "religare", cujo significado é "religar". A religião, portanto, seria o instrumento capaz de religar o homem a Deus, fazendo a comunhão da criatura com o Criador. Mas como funciona essa "religação"? Você tem uma religião? Como é fazer parte de uma determinada religião? O que é ser religioso? Basta dizer que tem uma crença ou seria necessário viver em conformidade com a orientação religiosa escolhida? Vamos refletir? 

Muitos entendem a religião como uma espécie de associação. Antes de fazer parte de uma instituição religiosa, você deve primeiro simpatizar e concordar com o que é estabelecido, os conceitos, as informações, os chamados "dogmas". Depois passa a frequentar aquele "clube" religioso que escolheu e se torna mais um sócio ou membro. E pronto, você já é uma pessoa religiosa

O que é necessário para ser seguidor de uma religião? Basta "assinar embaixo" de uma cartilha proposta para ganhar a sua "carteirinha de sócio"? Basta "vestir uma roupa" da religião A, B ou C? Basta ostentar o "título" de adepto ou associado de uma determinada crença, grupo, igreja ou templo? Basta simplesmente dizer que acredita e tem fé nisso ou naquilo?

Qual a melhor religião? Se uma está certa, necessariamente as outras estariam erradas? Crer em uma inviabiliza as outras? Sim, há quem acredite que apenas uma única religião é a verdadeira e "salvadora", ou seja, seria então apenas um grupo religioso, composto por pessoas "escolhidas" e especiais, que "o Senhor elegeu" para ao final da vida adentrarem o "paraíso" e viverem uma vida eterna de prazeres "celestiais"!?

Enfim, independentemente da religião, fato é que milhares de criaturas resumem a sua vida religiosa ao puro e simples cumprimento de certos rituais semanais, como uma obrigação, um protocolo, um dever social com o grupo e com a entidade em que o compromisso foi assumido ou uma forma de "bater o ponto" com Deus.

Não são poucos também os que buscam na religião a solução de todos os seus problemas imediatos. Querem terceirizar as dificuldades para "os anjos" solucionarem aquilo que está incomodando. Querem uma "salvação divina" para problemas terrestres. Se a prece não vier acompanhada de uma solução mágica, então ela não funcionou. Muitos de nós ainda agimos assim no campo religioso, somente para atender interesses e necessidades particulares. São os que buscam a religião pela dor, não pelo amor. Sempre na condição de vítimas, com lamentações e pedidos dirigidos ao Criador, para que Ele tudo possa prover e operar "milagres" Essa é a função da religião? Creio que não.

Eu creio que a religiosidade, no sentido profundo da palavra, não se resume apenas ao cumprimento de um determinado padrão externo ou do atendimento de pedidos (esse seria o Papai Noel). A verdadeira religiosidade, que poderíamos também chamar de ESPIRITUALIDADE, é de dentro para fora. É uma conquista que "não cai do céu." O céu continua no mesmo lugar e nada vai cair de lá. É você que tem que subir, escalar, buscar. É o "Reino de Deus" que começa em nós. É a semente divina que temos que cultivar. Não leva em conta as aparências de uma religião. Pelo contrário. O que vale é a essência.

Tudo começa no pensamento, mas tudo se concretiza no comportamento. E o comportamento trabalha o sentimento. A vivência religiosa é moldada por orações constantes. Mas lembre-se: oração é ORAR + AÇÃO! Uma coisa não tem efeito sem a outra. É preciso um esforço contínuo da nossa parte para haver uma harmonia entre o nosso pensar, sentir e agir. Transformar-se individualmente, fazendo o melhor possível coletivamente. Isso é religião!

Religiosidade ou espiritualidade é este semear de pensamentos e comportamentos no mundo a nossa volta, para colher aprendizados e sentimentos no mundo interior. A verdadeira religiosidade ou espiritualidade não é um rótulo de uma determinada religião. É uma realidade interna, crescente e vibrante. É o exercício humilde e pulsante da fé pelo trabalho. É o aprender servindo e servir aprendendo. É o buscar incansável de trans-formação, ou seja, ir além da forma, transcender, transbordar, superar limites, crescer e evoluir sempre.

Pois, "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus", disse Jesus, o aniversariante do mês (Mateus 7:21). Ou seja, para ganharmos este "reino dos céus", não basta pedir, é preciso FAZER, merecer, construir! É preciso plantar para colher! Religião é vivência diária. Quando alguém faz algo habitualmente, dizemos que a pessoa faz aquilo "religiosamente".

Reflita: Como tem sido a sua vida religiosa Apenas veste a religião socialmente? Ou quando lhe convém? Ou já tem se esforçado para ser tudo o que Deus espera de você? Isso mesmo, não é o que esperamos de Deus, mas o que Deus espera de nós. Invejas, mágoas, orgulho, egoísmo, ainda fazem parte dos nossos hábitos? Estamos combatendo esses vícios que tanto nos fazem sofrer e que também geram tanto sofrimento às pessoas do nosso convívio?

Virtudes são apenas palavras bonitas? Ou já conseguimos ser pessoas mais virtuosas por meio da nossa religião de preferência? Porque no final das contas, é "só" isso que importa: SER UMA PESSOA MELHOR!

Perceba que o desenvolvimento da espiritualidade não é tanto o que temos a receber, mas o que já podemos (e devemos) desenvolver, doar, compartilhar e multiplicar! Como na conhecida "parábola dos talentos", há os que multiplicam os recursos que receberam de Deus, da Vida, da Natureza, mas há os que enterram o talento na areia. Religiosidade é o desenvolvimento dos potenciais humanos por meio da religião. Perdão, caridade, paciência, coragem, superação de si mesmo: os grandes religiosos foram reconhecidos por uma vida de lutas, renúncias, superações, sacrifícios e boas obras.

Somos uma família universal. Estamos ligados a Deus e uns aos outros. Mas podemos sempre melhorar a qualidade desses laços. Você já escolheu a sua religião? Você tem uma crença? Ter uma fé na qual se apoiar é importante. Mas a "fé sem obras é fé morta". Disse um sábio que a religião ideal para você é aquela que te faz SER alguém melhor para si e para o próximo. Então, Seja! Viva. Faça o teu melhor. Diariamente. Alegremente. Frequentemente. Religiosamente. Isso é tudo. Até a próxima reflexão!

Instagram: rodolphobpereira

Whatsapp: (51) 98616-3132

*O autor é palestrante e escritor nas áreas de desenvolvimento pessoal, espiritualidade e atualidades.

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