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ARTIGO

Propaganda Eleitoral

02 outubro 2020 - 10h15Por Rodolpho Barreto Pereira

Começou a campanha das eleições municipais 2020 aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador. Isso significa que os candidatos estão oficialmente liberados para, dentro das normas eleitorais, pedir votos e divulgar propostas nas ruas, na internet e na imprensa escrita. Já o chamado "horário eleitoral gratuito", em rádio e televisão, ficou previsto para o período de 9 de outubro a 12 de novembro, no primeiro turno. Propaganda eleitoral "gratuita"? Pesquise a respeito para saber como funciona, mas pode saber que nós pagamos essa também. Nesta primeira rodada de muitas caras e números, a votação será em 15 de novembro, e não início de outubro, como de costume em anos anteriores. "Apesar do adiamento das eleições, a propaganda eleitoral continuará seguindo as normas estabelecidas na Resolução TSE nº 23.610/2019, que regulamenta a matéria. A propaganda eleitoral é aquela que promove o candidato e a sua plataforma no âmbito público. Por meio dela, os concorrentes do pleito podem pedir votos aos eleitores" - esclareceu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em publicação na página www.tse.jus.br.

Na internet, a publicidade eleitoral poderá ser feita nos sites dos partidos e dos candidatos, em blogs, redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. Certamente, o ambiente virtual terá uma grande importância neste ano, tendo em vista a pandemia do novo coronavírus e todas as restrições ainda vigentes para o contato presencial. Diante da liberação, as campanhas já estão "bombando", especialmente nas redes sociais, e posso imaginar você, eleitor(a), no meio deste bombardeio, tentando pensar e fazer a melhor escolha, certo? 

Provavelmente, se ainda não sabe em quem votar, você deve estar pensando em navegar entre várias propagandas, para ver qual melhor lhe convence ou agrada e só então decidir pelo candidato ou candidata de sua preferência? Pois é! Só que esta é a pior forma de selecionar ou saber algo de verdade sobre os "cândidos" (a palavra candidato vem do latim "candida tus", que significa cândido: puro, sincero, inocente). Vamos refletir? Campanha, discursos, propostas etc. Tudo "blá blá blá" que só vai te confundir ainda mais. Vídeos e imagens, alguns com produção cinematográfica. Tudo marketing. Tudo propaganda! Já viu alguma propaganda que falasse mal do produto que pretende vender? Propaganda, quase que por definição, é uma criação audiovisual, promovida pela própria marca, com o objetivo de convencer o consumidor a comprá-la. "A propaganda é a alma do negócio". Portanto, você, eleitor(a) consciente, vai basear-se na propaganda para "comprar" o seu candidato - o qual sabemos que de cândido não tem nada? 

Eles estão longe de serem santos (por mais que distribuam milhares de "santinhos"). Definitivamente, não dá para confiar na propaganda. O que fazer então? Simples. Avalie por si mesmo, pelas suas convicções, pelo seu conhecimento sobre a pessoa, não pelo que campanhas (contra ou a favor) dizem. Filtre o candidato pelo seu histórico, pelos seus valores e pela sua conduta. Pesquise além das fontes tradicionais e dos sites de internet, que estão recheados das famosas "fakenews". Você pode, por exemplo, ver uma notícia contrária ou favorável, na tv ou noticiário virtual, mas veja também a resposta àquela notícia, o contraponto, e tire suas conclusões. Averigue a veracidade dos fatos e o contexto. Não se deixe manipular por esta guerra de desinformação. Outra coisa muito importante (e na minha opinião isto deve ser um ponto determinante na sua escolha): veja com quem o candidato já se associou no passado e com quem está envolvido atualmente, ou seja, quais foram e quais são seus parceiros e parcerias, pois quem é realmente "ficha-limpa" não pode estar associado com "ficha-suja". É a sabedoria da máxima: "Diga me com quem andas e eu te direi quem és". Honestidade não é só não ter condenação na justiça. É ter coerência. 

As últimas eleições que tivemos foram mais complexas, referente aos cargos nacionais e estaduais, presidente, governador, senador e deputados. Sendo o eleitorado de antes o mesmo que vai votar agora, há uma certa expectativa do que pode vir a ser as eleições municipais deste ano. Eleitores parecem estar mais atentos e exigentes com as qualificações (técnicas e morais) dos concorrentes. E continua, ainda bem, o clima geral muito forte de rejeição à corrupção e às velhas práticas políticas. Essa é a esperança! Quem sabe teremos também uma boa renovação no âmbito municipal?

Segundo o historiador e comentarista político, Marco Antônio Villa, a velha política está sendo cada vez mais derrotada. "O mundo político foi surpreendido com os resultados eleitorais de 2018. Acreditavam que a velha política ainda continuaria dando as cartas. Que os conciliábulos definiriam a vontade do eleitor, como se o ato de escolha fosse meramente formal, ou seja, o cidadão iria simplesmente referendar o que os caciques já tinham decidido. Contudo, o desfecho foi outro. O cidadão tomou nas suas mãos o destino do país e determinou uma mudança radical na política nacional. As grandes manifestações de 2015 e 2016 — as maiores da História do Brasil — não ficaram reduzidas apenas à memória. Foram muito mais que isso. Apontaram que é possível construir — apesar de todas as limitações do sistema político — alternativas produzidas pelo sentimento de enfado, de raiva, indignação, com tudo que está aí. É patente que o eleitor referendou as ações moralizadoras da Lava Jato. Boa parte dos políticos envolvidos com os escândalos de corrupção foram derrotados, especialmente nos estados onde há vida política, ou seja, onde a sociedade civil é independente, onde o voto é realmente livre."

De fato, estamos numa melhor época democrática, de mais vida política e liberdade popular. Claro que ainda tem muito o que melhorar. Mas, com certeza, hoje temos uma possibilidade de votação mais livre e independente, hoje há mais democracia verdadeira (poder do povo) nas eleições. Antigamente, "voto livre", para a maioria da população, não era tão livre assim. A grande massa era manipulada pelo poder econômico e político dominantes. Não havia internet, como agora. Quem tivesse mais dinheiro, mais tempo de televisão, mais influência, mais coligações e arranjos partidários - era vitória eleitoral certa! Felizmente, isso começou a cair por terra nas últimas eleições. Há também o fato de que todas as práticas eleitoreiras e políticas sujas contavam com a conivência do judiciário. Mas os eleitores também souberam identificar isso. No comentário de Villa:

"O repúdio dos eleitores não foi dirigido somente aos políticos corruptos. Não. Foi também direcionado àqueles que na estrutura jurídica se colocam como obstáculo ao exercício efetivo da justiça, em especial os tribunais superiores de Brasília. A velha política não se restringe ao Congresso Nacional ou ao Palácio do Planalto. Ela atravessa a praça dos Três Poderes e atinge em cheio o Supremo Tribunal Federal. Os eleitores deixaram isso claro. Sabem muito bem o que não querem. Foi feito o que na linguagem popular chama-se rapa, uma limpeza ética fantástica. Poucos acreditavam que seria possível. A maioria dos analistas não detectou, porque não está conectada com o sentimento das ruas. É um processo, certamente longo. Todavia, já teve início. Quem quiser negá-lo vai ficar pelo caminho. O Brasil mudou — e para melhor."

Realmente, o país está mudando. Há uma maior conscientização do papel do cidadão e a nossa democracia está amadurecendo. Nunca esteve tão forte. Vivemos uma época de mais poder popular e de mais condições para votar bem. Nunca tivemos tantos meios de conhecer (de verdade) os candidatos. Saber o que de fato está por detrás da propaganda, do vídeo e do discurso bem elaborado. Afinal, vamos nos deixar enganar por palavras? "Propostas" e "soluções" teóricas, mas que, no fundo, escondem o "lobo em pele de cordeiro"? Eu, particularmente, tenho preferido o contrário: tem gente que pode até não falar muito bem, mas é "gente que faz." Quem tem pouco carisma, quem demonstra falhas de comunicação, pode ser mais confiável. Tirando as falhas de caráter, a demonstração de certas falhas humanas podem até ser um fator positivo, pois revelam autenticidade, verdade e transparência. Esses, ao meu ver, possuem mais credibilidade, pois são menos atores e mais humanos. Muitos usam máscaras, não as de proteção contra a COVID, mas as da falsidade, do politicamente correto, da polidez e beatitude, da santidade e candura que não existem. São "falsos profetas", que aparentam bondade e altruísmo, mas escondem interesses escusos. Pessoas montadas, produzidas, vestindo um personagem para enganar e confundir.

No decifrar do ser humano que está por trás da figura do candidato, este é um outro detalhe a ser observado: Já reparou que, normalmente, quem é bom de falar, o "bom de bico", bom de papo, cheio de lábia, muitas vezes é péssimo no que realmente interessa, na prática! Quando não é incompetente, é de má índole mesmo, ou as duas coisas. Já o que é mais sério, considerado antipático, "faca na bota", como os gaúchos dizem, é aquele tido como 'o chato', sistemático, mas talvez seja o mais preparado, confiável, que realmente faz o que tem que fazer, o que resolve a bronca! 

Portanto, reflita bastante antes de votar. Não se deixe enganar. Quando o assunto é campanha política brasileira, desconfie até da própria sombra. Pense bem nestas questões aqui apresentadas na hora da sua escolha e da sua manifestação na defesa do seu candidato. O voto e a liberdade de expressão é um direito seu e de todo eleitor cidadão. E para encerrar a reflexão, fica mais uma sugestão: quando estiver sem nada para fazer e der de cara com uma propaganda eleitoral, não perca seu tempo, desliga a televisão e vai ler um livro - ou acesse um jornal de qualidade www.douradosnews.com.br - que com certeza você vai ganhar muito mais.

Instagram: rodolphobpereira
Whatsapp: (51) 98616-3132

*O autor é analista judiciário, pós-graduado em direito público e eleitor no Rio Grande Do Sul

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