Menu
Busca domingo, 13 de junho de 2021
(67) 99257-3397
PESQUISA

Pesquisador do MS ajuda a contar história de soldado da II Guerra

18 maio 2021 - 15h12Por Da Redação

Mário Novelli morava em Santo André/SP e foi um dos 25 mil soldados brasileiros que embarcaram junto à Força Expedicionária Brasileira – FEB, para combater o nazifascismo, em solo italiano, entre 1944 e 1945. Ele era da 8ª Companhia, III Batalhão, do 6º Regimento de Infantaria.

Desde quando foi convocado para os treinamentos, ainda no Brasil, ele manteve o costume de escrever em um diário e o fez durante o internato, durante a viagem de travessia para Europa e nos dias em que serviu na Companhia de Comando do III Batalhão. Porém, Mário morreu jovem, aos 39 anos de idade, vítima de problemas cardíacos, agravados por uma depressão profunda, que hoje se conhece como estresse pós-traumático, fruto dos dias que passou na Itália. 

O diário dele seria apenas mais uma história em um baú de família, se não fosse o empenho do sobrinho-bisneto dele, Gerson Doria, que se interessou pelo assunto, sempre falado entre os parentes, mas, nunca exteriorizado para outras pessoas. Ele foi atrás do diário e acabou encontrando mais de 50 fotos do tio-bisavô combatente.

Foi aí que ele conheceu o jornalista, professor doutor, Helton Costa, pesquisador sul-mato-grossense e apaixonado pelos estudos sobre o Brasil na Segunda Guerra. Quando os dois conversaram, nasceu ali mesmo a obra "Dias de quartel e guerra: diário do Pracinha Mário Novelli" (Editora Matilda, 2021).

Helton pesquisa a participação brasileira na guerra há quase duas décadas e tem dois livros sobre o tema. A ele coube transcrever e
inserir as notas explicativas dos termos, locais, batalhas e pessoas citadas no diário. "Quando eu li o diário, foi paixão à primeira
vista. A história era muito interessante e cobria um período pouco tratado na historiografia brasileira, que é o tempo de internato no
interior de São Paulo, para adestramento da tropa. No caso do batalhão dele, foi em Araçatuba. Mário escrevia muito bem e o diário mostra seu lado humano, com seus amores, seus momentos de ira e suas decepções”, explica o jornalista.

"O meu tio avô encerrou dizendo que um dia sonhava em ver aquele diário publicado em forma de livro. Morreu muito jovem e não teve esta oportunidade. Agora, mais de 75 anos depois, o trazemos de volta para nos contar, por meio de seus escritos, como foram aqueles dias de incerteza, medo e também de glórias. Ele perdeu amigos íntimos e viu companheiros que ele considerava como irmãos, serem feridos e mandados para hospitais. Com tudo acontecendo ao redor, ele tinha que manter a cabeça fria e continuar na missão dele, que era ser uma espécie de faz-tudo dentro do batalhão, trabalhando com remuniciamento, como motorista, tirando hora e mesmo guarnecendo pontos estratégicos", explica Gerson.

Sobre Mário

Mário era o filho mais novo de sete irmãos. O pai e a mãe dele eram imigrantes que vieram de Buti/Toscana e de Arezzo. Chamavam-se Giuseppe e Gemma.

O Pracinha serviu no exército, foi dispensado e reconvocado em 1942, um pouco antes de o Brasil entrar na guerra. Já estava com 27 anos de idade quando foi chamado. Largou o trabalho como tapeceiro e voltou para o exército. Era uma pessoa calma, instruída e um amante do cinema. Todo tempo livre que tinha, se dedicava a contemplar a sétima arte. Em 1942 comprou um caderno e começou a registrar tudo o que acontecia no quartel. Por isso, o livro abrange de 1942 até agosto de 1945.

Mário também fazia questão de registrar os bons momentos e alguns treinamentos, em fotografias. O livro conta com mais de 50 registros fotográficos no Brasil e na Itália. “Meu tio-bisavô era uma pessoa bastante adiantada para a época. Lia muito bem, escrevia muito bem, falava italiano fluente, pois, trazia a herança cultural de casa, e ainda entendia e conversava um pouco em inglês. Tanto é verdade, que a gente nota que era para ele ir para infantaria, como integrante de algum grupo de combate (ele era campeão
de tiro), mas, os superiores o puxaram para servir junto ao posto de comando do batalhão”, explica Gerson Doria.

“Talvez por conta desta carga intelectual que ele trazia consigo, que era natural dele, a guerra se mostrou bastante bruta para o Mário. Com o tempo, tudo que ele vivenciou foi afetando a sua saúde física e ele faleceu em 1954, apenas nove anos depois da guerra, sem deixar nenhum descendente e sem nunca ter sido casado”, explica Helton.

Desejo realizado

No final do diário, Mário deixou um aviso para quem fosse ler aquelas palavras. Ele escreveu: "não façam caso das minhas palavras alterando cartas que já tenho escrito, porque já estou acostumado com a nossa gíria, e também gosto de falar demais. Até gostaria de ser um escritor escrever um grande livro para mostrar ao mundo o que é a guerra".

Gerson e Helton cumpriram a vontade do autor, apenas fazendo as correções/atualizações ortográficas e gramaticais e inserindo notas de rodapé quando necessário.

O livro está à venda no link https://clubedeautores.com.br/livro/dias-de-quartel-e-guerra

Sobre os autores

Gerson Doria é profissional de Recursos Humanos e foi o sobrinho-bisneto que pesquisou as lembranças familiares e acabou por
descobrir uma relíquia que agora colaborará com história nacional social e militar. Foi ele quem digitalizou fotos e conferiu documentos originais da família. Mora em Santo André/SP.

Helton Costa é o autor dos livros “Confissões do front: soldados do Mato Grosso do Sul na Segunda Guerra Mundial” (2013/Arandu) e “Crônicas de Sangue: jornalistas brasileiros na Segunda Guerra Mundial” (2019/Clube de Autores). É doutor em Comunicação e Linguagens, especialista em Arqueologia e Patrimônio e fez estágio pós-doutoral em História. É natural de Dourados e criado em Ponta Porã, ambas cidades do MS. Atualmente reside em Ponta Grossa/PR.

*Legenda galeria: Página do diário de Mário e autores Helton Costa e Gerson Doria

Deixe seu Comentário

Leia Também

Jaguatirica é resgatada em estado grave na MS 480
ANAURILÂNDIA
Jaguatirica é resgatada em estado grave na MS 480
PRF apreende cocaína em ônibus de viagem
DOURADOS
PRF apreende cocaína em ônibus de viagem
Butantan deve iniciar nesta semana pré-cadastro para teste da ButanVac
SAÚDE
Butantan deve iniciar nesta semana pré-cadastro para teste da ButanVac
SoulRa apresenta show nesse domingo no YouTube
MÚSICA
SoulRa apresenta show nesse domingo no YouTube
Olimpíada: conjunto brasileiro de ginástica rítmica está em Tóquio
ESPORTE
Olimpíada: conjunto brasileiro de ginástica rítmica está em Tóquio
TRÁFICO DE DROGAS
Cocaína apreendida no Campo Dourado soma 81,5 quilos
ESPORTE
Juventude AG vence de 6x4 na Liga Nacional de Futsal
ESPORTE
Após idas e vindas, Copa América começa neste domingo, no Brasil
DOURADOS
Aglomeração termina em prisão no Canaã III
PANDEMIA
MS registra mais 1.138 novos casos neste domingo

Mais Lidas

FLEXIBILIZAÇÃO
Decreto que libera atividades comerciais a partir de domingo é publicado
EMOCIONATE
VIDEO: Recuperada da Covid-19, douradense é recebida pela mãe em Rondônia
LOCKDOWN
Decreto flexibiliza atendimento via delivery no Dia dos Namorados em Dourados
LOCKDOWN
Fiscalização encontra funcionários dentro de filial das Casas Bahia em Dourados