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ARTIGO

O que é educação?

23 outubro 2020 - 10h59Por Rodolpho Barreto Pereira

Ainda em clima de dia das crianças e dia dos professores, vamos falar um pouco mais sobre educação? Como já comentávamos no último artigo, sabemos que o Brasil (ainda) está muito mal neste aspecto. Grande parte das escolas públicas não tem o mínimo de condições materiais básicas de funcionamento. Muitas não podem voltar ainda simplesmente porque não conseguiriam atender os protocolos mínimos de higiene (como por exemplo, ter torneiras suficientes para lavar as mãos de todos os alunos ou banheiros em condições adequadas). Nesse contexto dramático, com estruturas precárias, falta de recursos e baixos salários, o professor é um verdadeiro herói da resistência, merecedor de toda a nossa admiração. 

São muitas as matérias em que estamos sendo reprovados: disciplina, organização, respeito e até segurança. É a decadência dos valores daquela educação que deveria "vir de casa", culminando também em violência, drogas e afins, ou seja, verdadeiros crimes ocorrendo dentro da escola, que já deixou de ser um local seguro faz tempo, muito antes da pandemia. Tudo isso é lamentável, decepcionante, mas não é nenhuma novidade. Entretanto, o que gostaria de pensar com o(a) leitor(a) neste espaço de hoje é algo mais conceitual. O que é realmente a educação, quais seriam os objetivos do modelo educacional vigente e quais resultados estamos (ou não) alcançando na prática? Vamos refletir?

Muitos dizem ser necessário o aumento constante de investimentos do governo no setor. Ok, dificilmente alguém vai discordar da necessidade de investir pesado em educação, que é a base fundamental do progresso. Tudo muito bonito no discurso. Só que todo investimento tem que ter previsão de retorno, certo? Tem que haver resultados concretos que justifiquem o investimento. Aqui, como em qualquer outra área, o dinheiro precisa ser bem gasto. Os recursos públicos devem ser fundamentados e bem aplicados. Investimento mal feito é jogar dinheiro fora. Portanto, o problema da educação brasileira não é falta de dinheiro. Como disse Rubem Alves, não se faz uma comida melhor somente por comprar panelas novas. O problema não é só a falta de material. Obviamente, os recursos materiais são importantes e necessários, mas a educação tem que ser toda repensada (e bem planejada) para que a sua "semente" realmente dê "os frutos" esperados, no amanhã melhor que todos desejamos.

A educação é um projeto de longo prazo, do presente para o futuro. Infelizmente, vivemos no presente uma realidade triste, por conta de um passado de descaso. O sistema escolar foi sucateado e está decadente. É um sistema que estava falindo e parece que ninguém percebeu. Hoje serve para quê? Para educar? O que é educação escolar? Será que é um professor cansado e estressado, com um toco de giz na mão, diante de uma platéia desinteressada e indisciplinada, despejando uma série de informações prontas, numa espécie de acordo: "eu finjo que ensino e vocês fingem que aprendem"?

Vejamos por algo bem básico, tanto para o bom convívio social, como para qualquer profissão: a leitura do bom e velho português. Você já estará acima da média, querido(a) leitor(a), se estiver conseguindo ler e interpretar este artigo, pensando nas palavras aqui escritas. Isso significa que você é mais bem escolarizado que muita gente. Milhares de pessoas se formam nas escolas de todo o país, mas não sabem ler direito e não sabem fazer interpretação de texto (lembram do lema de um certo governo anterior, a"Pátria Educadora"? Está aí o resultado). Ler é básico. Onde estão os professores treinados para incutir o hábito e o gosto pela leitura nas nossas crianças e jovens? A família também deveria ter essa consciência. Mas muitos pais não sabem ler, não gostam ou não têm tempo para ensinar. Infelizmente, apenas algumas poucas escolas e entidades realizam movimentos de estímulo à leitura. Eu mesmo, que tive a oportunidade de estudar num dos melhores colégios do país (o que fez total diferença na minha vida), lembro-me bem que tínhamos que ler obrigatoriamente certos livros da literatura clássica nacional simplesmente por que seria cobrado na prova e no vestibular - e ponto final. Não havia, por exemplo, um debate em sala de aula sobre os capítulos, com o professor mediando e incentivando os pequenos leitores iniciantes a mergulharem nas histórias e reflexões propostas pelo escritor.

O Brasil é hoje uma das maiores economias do mundo e está ao lado de países miseráveis quando se trata da educação básica, que é medida por: saber ler, interpretar, escrever minimamente de forma correta e ter noções mínimas de matemática e de ciências. A educação de qualidade deveria ser prioridade de uma nação "em desenvolvimento". O triste fato é que ainda somos uma colônia subdesenvolvida, o "país do futuro" que nunca chega. Ou, como disse Peter F. Drucker: “Não existem países subdesenvolvidos. Existem países subadministrados.” Esperamos que os nossos atuais e futuros administradores tomem cada vez mais consciência deste pilar fundamental de qualquer democracia. Que possamos melhorar (muito) nesse aspecto e realmente avançarmos. Pois sem educação, não há evolução.

A metodologia precisa ser profundamente revisada. Já estamos há muito tempo na era do fácil acesso ao conhecimento por meio dos livros e da internet. Mesmo assim, continuamos em um modelo educativo quase todo expositivo, monótono, como se educar fosse apenas o professor despejar informações e conceitos em cima dos alunos. Na raiz da palavra educação temos o "educatio", que significa "criar, alimentar ou instruir".  Educar é trabalhar os talentos que todos temos. Fazer pensar sobre si mesmo e o mundo. Despertar o melhor que existe em cada um de nós. Segundo o Grande Dicionário Larousse Cultural da Língua Portuguesa, educação é a ação de “despertar as aptidões naturais do indivíduo e orientá-las segundo os padrões ou ideais de uma determinada sociedade, aprimorando-lhes as faculdades intelectuais, físicas e morais". 

Então o que estamos fazendo, senhores pais e educadores? Precisamos desenvolver indivíduos e cidadãos! Precisamos formar pensadores, leitores, escritores, cientistas! No entanto, estamos formando o quê? Uma avalanche de despreparados e analfabetos funcionais, segundo revelam as pesquisas e avaliações. Como é possível? Nem o básico está sendo feito? Como um jovem pode sair "aprovado" de uma escola mal sabendo ler e escrever? Infelizmente, essa é uma preocupante realidade do nosso ensino público. Os alunos são aprovados sem verdadeiramente obter as condições mínimas de aprovação.

Portanto, é preciso transformar completamente esse sistema fracassado, restabelecer as prioridades, reformular os métodos! Os professores precisam ser mais valorizados e capacitados, não mais como apenas os repetidores e transmissores de conteúdo, mas como parceiros, tutores, colaboradores e guias de seus alunos. O professor deve ser capaz de levantar debates em sala de aula, conduzir aulas práticas, trabalhar em equipe, instigar o raciocínio e estimular o prazer de ler, estudar e aprender. A atuação do professor deve ser semelhante a do maestro de uma orquestra. O papel do educador é o de conduzir, já que tem mais experiência, vivência e sabedoria. 

Será que uma escola se resume a ser um grande depósito de crianças, que passam um determinado tempo decorando (ou fingindo decorar) um monte de coisas, sem saber exatamente o porquê de estarem ali? Será que esse modelo, claramente retrógrado, arcaico, antiquado e falido, é a proposta com a qual devemos seguir para as nossas futuras gerações? Até quando seremos privados da educação de qualidade, sendo esta a que se propõe ao desenvolvimento e aperfeiçoamento constantes das potencialidades do ser humano, em todos os seus aspectos, a única ferramenta capaz de transformar para melhor as pessoas, a sociedade e o país? 

Assim encerro a reflexão de hoje, transcrevendo um trecho do artigo de Lya Luft sobre o mesmo tema: "As infelizes cotas servem magnificamente para alcançarmos este objetivo: a mediocrização também do ensino superior. Alunos que não conseguem raciocinar porque não lhes foi ensinado, numa educação de brincadeirinha. E porque não sabem ler nem escrever direito, não conseguem expor em letra ou fala seu pensamento truncado e pobre. Professores que, mal pagos, mal estimulados, são mal preparados, desanimados e exaustos ou desinteressados. Atenção: há para tudo isso grandes e animadoras exceções, mas são exceções, tanto escolas quanto alunos e mestres. O quadro geral é entristecedor." Espero sinceramente que, após essa pandemia, governantes e famílias não voltem ao "normal" que tínhamos antes, mas que voltemos muito melhores e mais conscientes de uma Educação de verdade para todos! 

Instagram: rodolphobpereira

Whatsapp: (51) 98616-3132

*O autor é palestrante, colunista e articulista nas áreas de desenvolvimento pessoal, espiritualidade e atualidades.

 

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