Após conhecer, pelo Facebook, um interno do Presídio Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima, em Campo Grande, e passar a manter relacionamento com o homem, uma mulher teve a vida transformada em um verdadeiro inferno. Sob ameaça de morte, ela era coagida a ir ao presídio visitá-lo e a depositar dinheiro para o preso. O nome do agressor não foi divulgado pela polícia.
De acordo com informações do site Campo Grande News, na manhã desta quarta-feira, dia 23 de fevereiro, o preso - membro de facção criminosa denominada PCC (Primeiro Comando da Capital) - foi alvo da Operação Custodire, deflagrada pela Polícia Civil. Na cela onde ele estava, foram encontrados 11 celulares.
Conforme a Polícia Civil, a vítima conheceu o agressor por meio do Facebook, quando ele já estava preso na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande pelo crime de tráfico de drogas. Durante conversas por aplicativo, o agressor passou a coagir a mulher a visitá-lo no presídio, situação que vinha ocorrendo desde 2021.
Além disso, o agressor exigia o depósito regular de valores pela vítima em determinada conta, sob pena de morte. Para que as visitas continuassem, o criminoso ameaçava os filhos da mulher.
Ainda de acordo com a polícia, todas as vezes que ela decidia parar de visitá-lo, o agressor mandava membros da facção para ameaçá-la e constrangê-la, o que ocorreu por ao menos três vezes. Segundo relatos da vítima à polícia: “Uma vez reviraram a casa toda, outra vez quebraram os aparelhos de telefone celular dos meus filhos, quebraram os vidros de casa e colocaram uma arma na minha cabeça e me fizeram ficar de joelhos até que eu aceitasse ir para Campo Grande visitá-lo”, contou. Ela mora em Água Clara, município distante 193 quilômetros da Capital.
No dia 18 de fevereiro deste ano, a mulher procurou a Delegacia de Polícia de Água Clara para registrar boletim de ocorrência e pedir medidas de proteção. O agressor havia determinado que ela mantivesse relação sexual com uma pessoa que ele iria indicar, filmasse o ato e mandasse para ele, o que ela recusou.
Segundo a vítima, o homem ficou sabendo do envolvimento da polícia no caso e mandou que integrantes da facção fossem até a casa dela e ateassem fogo, o que de fato ocorreu no dia 20 de fevereiro, por volta das 9 horas.
A vítima, então, foi abrigada provisoriamente na casa de um parente não identificado, mas o agressor descobriu e mandou que ela fosse sequestrada e levada até Campo Grande para, supostamente, ser “julgada” no “Tribunal do Crime”.
Na data de ontem, homens desconhecidos vinculados à facção criminosa foram até Água Clara e levaram a vítima e seus três filhos até Ribas do Rio Pardo, de onde iriam para Campo Grande.
A Polícia Civil de Água Clara, que já vinha monitorando o caso, descobriu que a vítima havia sido sequestrada e obteve a localização. Imediatamente, foi solicitado apoio da Delegacia de Polícia de Ribas do Rio Pardo, que conseguiu resgatar a vítima e seus três filhos. Os sequestradores não foram localizados.
Na sequência, a família da vítima recebeu ameaça dizendo que suas residências seriam incendiadas em Água Clara. A Polícia Militar foi acionada e passou a fazer rondas nos endereços relatados.
Em razão da situação, a vítima e os três filhos foram transferidos para um abrigo sigiloso fora do Estado. Nesta manhã, foi realizada busca na cela do agressor, na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, onde foram encontrados 11 celulares e anotações referentes a crimes. O criminoso foi transferido para outro local, onde não terá contato com o mundo externo.
Houve representação da Polícia Civil pela prisão preventiva do agressor, que aguarda análise pelo Poder Judiciário. As investigações continuam para identificar os coautores do incêndio e do sequestro. O nome da operação, Custodire, significa proteger em Latim.
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