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PANDEMIA

Mais "agressiva", nova variante já representa 70% dos casos atuais de Covid-19 no Estado

31 março 2021 - 10h42Por Thalyta Andrade

Mato Grosso do Sul vive há semanas uma nova e mais rápida onda de contágio pela Covid-19, que inclusive levou o governo do Estado a estabelecer no dia 26 deste mês um novo decreto restritivo de 10 dias para conter a disseminação da doença. 

Segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde), o cenário está diretamente relacionado a predominância da circulação da nova variante P1 (a de Manaus). A informação foi confirmada ao Dourados News pelo secretário estadual de saúde, Geraldo Resende, que alertou para o cenário preocupante.

“Eu acredito que a variante já é dominante aqui em Mato Grosso do Sul e que 70% dos casos do Estado devem ser da P1. Isso por causa do comprometimento atual de jovens, de crianças, de mulheres gestantes e dos quadros graves em que a doença está se apresentando. É uma situação que não somente preocupa, mas já estamos inclusive tratando a pandemia como essa variante sendo a mais predominante aqui no Estado, muito mais forte que o vírus inicial, que é o Sars-CoV-2”, explicou o secretário.

Conforme revelou o Dourados News ontem (30), o número de mortes entre a população mais jovem aumentou consideravelmente em Mato Grosso do Sul.  Dados dos boletins epidemiológicos estaduais apontam que entre o dia 1º de março e a última segunda-feira (29), houve um aumento expressivo de óbitos de pacientes com idades entre 30 e 39 anos, avançando de 93 para 124 mortes nesta faixa etária (confira clicando aqui).

Geraldo classificou o cenário como “bastante preocupante” e destacou ainda a importância das medidas preventivas pela população e principalmente por parte dos mais jovens, que em parte ainda descredibilizam a gravidade da pandemia.

“O que eu tenho a dizer é o que venho dizendo já faz um ano e que não estamos sendo correspondidos: a população tem que fazer a sua parte e manter os cuidados, isolamento, uso de máscara, regras de higiene. E sobre a vacina, para os prefeitos e prefeitas, secretários e secretárias, digo que é no braço e não guardada na geladeira”.

MAIS DE 40 CASOS ESTÃO SOB INVESTIGAÇÃO

Até hoje (31), Mato Grosso do Sul confirmou oficialmente somente um caso da variante P1, no dia 2 de março. Foi em um paciente do sexo masculino, de 37 anos, morador de Corumbá. Conforme divulgado pela SES, o homem apresentou sintomas da Covid após uma viagem a Manaus (AM), cidade de origem da variante P1. 

O resultado foi confirmado pelo Lacen/MS (Laboratório Central de Mato Grosso do Sul), que é quem centraliza a triagem de casos suspeitos e encaminha para confirmação em unidades laboratoriais de referência, indicadas pelo Ministério da Saúde. 

Até a publicação dessa matéria, a direção do Lacen confirmou o envio de mais de 40 amostras para análise na Funed (Fundação Ezequiel Dias), em Belo Horizonte, Minas Gerais, que é um Instituto de Ciências Biológicas e de tecnologia que atua em parceria com a Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz).

A identificação de uma nova variante da Covid-19 não é possível nos exames popularmente já conhecidos, como o RT-PCR ou teste rápido. Somente se confirma esse tipo de caso por meio de uma análise de sequenciamento do genoma, que seria de forma mais simples a identificação estrutural genética do vírus.

“O sequenciamento genético é uma ferramenta de vigilância em saúde, portanto o paciente não recebe como um diagnóstico. É para identificarmos e estabelecermos medidas de controle, saber qual variante está circulando. Não envolve diferenças no tratamento do paciente especificamente”, explicou ao Dourados News o diretor do Lacen/MS, Luiz Dermachi.

A Secretaria Estadual de Saúde e também a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) estão à frente dos trabalhos no Estado para identificação e controle de circulação de novas variantes. Ainda conforme a secretaria, há também uma preocupação que com o avanço da onda de contágio e a presença massiva da nova variante, Mato Grosso do Sul possa desenvolver mutações e variantes próprias do coronavírus.

Apesar das normas técnicas estabelecidas para controle e encaminhamento para análise de casos, a variante P1 se espalha com muita agilidade, pois possui alto grau de transmissibilidade. E essa é a maior preocupação atualmente.

“As pessoas devem estar ainda mais atentas com relação a medidas preventivas porque estamos em uma situação crítica e com uma variante mais agressiva circulando. A evolução do quadro dos pacientes para um estado grave tem sido bem rápida. A população jovem principalmente precisa ter disciplina e entender que nesse momento o vírus tem acometido os mais jovens”, alertou Dermachi.

“AS PESSOAS CONTINUAM FAZENDO FESTAS, É DESESPERADOR”

Também ouvida pela reportagem do Dourados News, a doutora em Ciências Biológicas e Bioquímica Edmarcia Elisa de Souza, que trabalha com pesquisas de vacina contra a Covid-19 em um laboratório de referência da USP (Universidade de São Paulo), aponta que não somente a P1, como também diferentes variantes podem estar em circulação no Estado.

“O alerta é a de que novas cepas poderão surgir. Isto por que o vírus encontra-se em alta circulação hoje no Brasil. Quanto mais o vírus circula, maior a probabilidade de mutação e surgimento de novas cepas, o que é preocupante, pois as mutações que ocorrem nas variantes poderão causar um escape à vacinas e/ou medicamentos”. 

Edmarcia classificou como “lamentável” a falta de compreensão da população sobre a gravidade do problema desde o início da pandemia e que, apesar de Mato Grosso do Sul estar se destacando pela agilidade na vacinação, a falta de empatia das pessoas continua evidente.  

“As pessoas continuam fazendo festas. É desesperador. Desde o início da pandemia nós orientamos exaustivamente e permanentemente para que não promovam aglomeração em nenhuma escala. Infelizmente, estamos no topo do mundo com quase 4 mil mortos por dia.  Quantas vítimas ainda serão necessárias para as pessoas entenderem a gravidade da situação?”, alertou a doutora.  
 

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