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SAÚDE

Ligas acadêmicas da UFGD levam promoção de saúde a comunidades pantaneiras

19 dezembro 2021 - 16h20Por UFGD

Principal elo entre a universidade pública e a sociedade, a extensão é um dos três pilares da educação superior junto ao ensino e à pesquisa. É por meio da ação extensionista, que envolve professores, estudantes e técnicos, que a população tem acesso ao conhecimento gerado pela instituição de forma bilateral, numa verdadeira troca de saberes.
 
Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) são muitos os programas, os projetos, os eventos, os cursos, a prestação de serviços e a produção e a publicação dos produtos desenvolvidos nas unidades acadêmicas e administrativas. Um exemplo desse tipo de ação é a atuação das ligas acadêmicas dos cursos de graduação.
 
Por meio da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PROEX) da UFGD – que orienta, coordena e acompanha as ações de extensão e de cultura da universidade – as ligas realizam um trabalho totalmente voltado à comunidade externa, levando, de forma prática, o conhecimento acadêmico à população.
 
Tutor da Liga Acadêmica de Nefrologia de Dourados (LANED), o professor Márcio Eduardo de Barros, da Faculdade de Ciências de Saúde (FCS) da UFGD, explica que as ligas são agrupamentos de alunos, totalmente organizados por eles mesmos, e que enfocam em um assunto ou em uma área específica. Dessa forma, por meio desses grupos, os estudantes propõem projetos de pesquisa e de extensão.
 
Na UFGD, as ligas acadêmicas são organizadas pelo Conselho de Ligas (ConLig), também formado somente por alunos, e, assim, são planejados eventos de promoção de saúde do porte da Ação Social feita em Ladário.
 
“Colocar o aluno em campo, vendo, ouvindo e vivenciando onde e como as pessoas moram, é uma oportunidade única de contato com a população e suas realidades. Essa experiência gera a possibilidade de se criar empatia, senso crítico, ampliação da consciência social e coletiva, além de oferecer atendimento e orientação onde a estrutura de saúde do Estado não chega. E como professor é a chance de ver na prática a execução do aprendizado dos alunos. Dá muito orgulho perceber a responsabilidade, o carinho e a alegria com que eles fizeram os atendimentos”, relata o docente.
 
AÇÃO SOCIAL
Como última Ação Social de 2021, um grupo de ligas acadêmicas esteve, na última semana (3/12), na cidade de Ladário, na região pantaneira de Mato Grosso do Sul, onde realizou atendimentos de prevenção e de educação em saúde às comunidades que vivem na região da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra – primeira Unidade de Conservação de Uso Sustentável criada no Pantanal e localidade em que a UFGD dispõe de uma base de estudos.
 
Com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde local foram realizadas interações no período da manhã, junto à comunidade do Assentamento 72 e, à tarde, na Policlínica de Ladário. A iniciativa da Ação Social partiu da LANED, que efetua exames visando a detecção precoce de doenças crônicas por meio do projeto Rastreamento da Doença Renal Crônica (DRC).
 
O grupo teve projeto de extensão aprovado via edital da PROEX em 2020, visando a execução de atividades nas bases de estudos e nas incubadoras da UFGD e na Reserva Indígena de Dourados. Diante disso, outras ligas acadêmicas dos cursos de Medicina e de Nutrição se juntaram à iniciativa, formando uma grande caravana extensionista com cerca de 50 pessoas, entre estudantes e servidores.
 
EXPERIÊNCIAS E RELATOS
Em meio a realidades completamente distintas das quais estão acostumados, alunos e alunas das diferentes ligas acadêmicas presentes na Ação Social de Ladário retrataram em relatos suas experiências no Pantanal – alguns lá estiveram pela primeira vez. Entre o encanto com a biodiversidade e a prática da promoção da saúde, eles contaram como a vivência extensionista vem mudando seus olhares.
 
As estudantes de Medicina Isabella Clemente Alencar e Caroline de Alexandre Rosa, integrantes da LANED e idealizadoras do projeto junto ao professor Márcio, explicam que a ideia inicial era a de promover mudanças, mesmo que mínimas, relacionadas aos hábitos das populações carentes de Ladário quanto a fatores de risco para a Doença Renal Crônica. “Com o passar do tempo, outras ligas se juntaram a essa aventura e o resultado imaterial da ação acabou superando o científico. A experiência foi simplesmente única e muito gratificante. Temos certeza que a oportunidade de conhecer a realidade das pessoas no meio das belezas e das riquezas inigualáveis do Pantanal abriram a mente de cada aluno envolvido”.
 
O atendimento feito pelos estudantes da Liga Acadêmica de Nutrologia e Medicina Esportiva (LANEME) levou às comunidades de Ladário conhecimentos básicos sobre a prática de exercícios físicos e a alimentação saudável. “Foram atendidas 37 pessoas, que receberam informações sobre práticas alimentares saudáveis e práticas corretas de exercícios físicos, como os itens que devem ser introduzidos/reduzidos em uma dieta para se evitar diabetes e hipertensão, além de exercícios físicos adequados para o combate a essas doenças”, diz Osmar Monteiro Rodrigues, acadêmico de Medicina e integrante da Liga. Ele conta que todos os moradores que participaram da atividade receberam seus resultados e mais informações sobre saúde de forma individualizada, por WhatsApp.
 
Já a Liga Acadêmica de Infectologia (LAINF) se empenhou na disseminação de conhecimento sobre HIV/AIDS, sífilis, hepatite B e HPV, abordando a população para conversas e distribuindo folhetos informativos. Formas de contágio, sintomas, prevenção e tratamento dessas enfermidades foram os principais pontos enfatizados pelos estudantes que, além disso, distribuíram preservativos e atuaram na realização de testes rápidos na Policlínica da cidade. “Interagimos com pelo menos 40 pessoas e a maioria foi muito receptiva, ouvindo tudo o que tínhamos para falar. Ficamos impressionados em como os moradores, principalmente os do Assentamento 72, se mostraram contentes com a nossa chegada e em nos relatar suas experiências de vida”, afirma Luís Henrique Franco Pael, integrante da LAINF e aluno do curso de Medicina.
 
A saúde feminina também teve grande relevância nas atividades efetuadas pelo grupo em Ladário. A presença da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia (LAGO) proporcionou às mulheres da comunidade esclarecimentos sobre HPV, câncer de colo de útero, câncer de mama, herpes genital, HIV/AIDS e sífilis e a passagem por testes rápidos para algumas enfermidades, trabalho feito em parceria com a LAINF. A acadêmica de Medicina Beatriz Olenski Braun conta que a experiência a fez perceber a enorme importância da educação sexual nas comunidades e lamenta que essa seja uma lacuna do sistema educacional brasileiro. “Além disso, o atendimento básico em Ginecologia na cidade se demonstrou precário, principalmente diante do elevado número de mulheres entrevistadas que afirmaram não fazer acompanhamento médico”.
 
Estiveram presentes, ainda, os integrantes da Liga Acadêmica de Medicina Intensiva e Cardiologia (LAMIC), que ministraram valiosas aulas de noções básicas de primeiros socorros, sobretudo, com o ensino prático de reanimação cardiopulmonar (RCP). Lucas Santa Cruz, aluno do curso de Medicina, relata a vivência como algo único. “Foi simplesmente uma experiência única! É muito gratificante você se sentir útil praticando promoção de saúde, especialmente para quem mais precisa. Não tem preço! Volto para casa com extrema alegria por ter feito, mesmo que de forma simples, a diferença na vida daquelas pessoas e com a certeza de que essa experiência me fará um profissional e um ser humano muito melhor!”.
 
O acadêmico de Medicina Alexandre Ribeiro também afirma se sentir grato pela participação na viagem a Ladário. Integrante da Liga Acadêmica de Diabetes e Hipertensão (LADHAS), ele e seus colegas realizaram aferição de pressão arterial e orientações sobre cuidados em saúde, com enfoque nos distúrbios de hipertensão. “A Ação Social foi extraordinária. Isso, em diversos aspectos: acadêmicos, assistenciais, socioculturais e por meio do contato com a natureza e a beleza que só o pantanal sul-mato-grossense possui. Os frutos dessa ação e de programas de extensão desse tipo transcendem o tempo presente. São experiências que formam futuros profissionais altruístas e que promovem qualidade de vida à população”.
 
Para os estudantes Felipe de Oliveira Duarte e Giovana Sottolano, também do curso de Medicina, a realidade totalmente diferente das comunidades ribeirinhas, seus costumes e a riqueza de sua cultura e das paisagens são inexplicáveis. Participantes da Liga da Saúde Coletiva (LISCOL), eles atuaram na execução de testes de glicemia, contando com grande adesão da população. “Conseguimos observar a relevância de uma medicina passada de geração em geração, o quanto os indivíduos são unidos na comunidade e ficamos fascinados com a gentileza e a importância que concederam à nossa ação de promoção de saúde. O tempo para nós passou de uma forma indescritível, parecia que teríamos que viver uma eternidade para admirar tudo com detalhes. Mesmo assim, conhecemos lugares antiquíssimos da região, o rio Paraguai, que tem suma importância na história brasileira e observamos animais exóticos demasiadamente raros de se ver outros lugares”.

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