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INSEGURANÇA NO CAMPO

Justiça liberta quadrilha de ladrões de gado e põe pecuaristas em alerta

22 julho 2015 - 11h23

A notícia divulgada esta semana de que o Judiciário concedeu liberdade provisória para a maior quadrilha de roubo de gado presa em Mato Grosso do Sul, está deixando a Polícia e os pecuaristas em alerta. A quadrilha, composta por 17 membros, foi presa em março deste ano depois de uma megaoperação comandada pelo Garras ((Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros), quando foram apreendidas cerca de 300 cabeças de gado, além de caminhões e outros equipamentos utilizados nos ataques pelos ladrões.

Segundo o delegado do Garras, Fábio Peró, essa quadrilha profissionalizou-se neste tipo de crime e não vai parar de agir no Estado. Para ele, é preciso que os pecuaristas fiquem alerta e a polícia irá monitorar as ações do bando, o tempo todo.

Segundo Francisco Maia, presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), a entidade vai reunir seu departamento jurídico para estudar uma medida contra a decisão judicial que determinou a soltura da quadrilha. “Isso cria um clima de insegurança no campo, que além de conviver com outras ameaças agora também os pecuaristas têm de manter uma vigilância redobrada para zelar por seu patrimônio”, frisa Maia.

###Mais roubos
Na última segunda-feira, dia 20 de julho, quatro pessoas foram presas em flagrante, por volta das 19h30, por furtar e vender, sem nota fiscal ou GTA (Guia de Trânsito Animal) por R$ 700 gado da fazenda Aliança, em Campo Grande. O funcionário da Sefaz (Secretaria de Fazenda) Antônio Jocival de Almeida, 43 anos, o corretor André Luiz Leite, 37 anos, o peão Gedison Nunes Teixeira, 30 anos, e José Leonardo Correia Manus, 25 anos, foram presos pelo crime. Dos três, apenas o peão continua preso por não ter levantado o valor para pagamento da fiança.

O bando foi indiciado e irá responder em liberdade por crimes como furto, roubo, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, entre outros tipos penais. Os quatro foram presos em flagrante pelo crime de associação criminosa, sendo que Antônio também foi acusado de inserção de dados falsos em sistema de informações, porque utilizou o cargo na Agenfa para emitir as notas falsas.

Conforme o relato policial, o proprietário da fazenda comunicou o furto, então os investigadores da Garras (Delegacia Especializada em Repreensão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), através do Posto de Atendimento da Seção de Repreensão a Crimes de Abigeato, começaram a levantar pistas sobre o caso.

Através de diligências, a polícia identificou o peão, sendo que ele furtou 20 cabeças de gado, juntamente com o corretor e o motorista, vendendo os animais para José, sem quaisquer documentos de origem.

José acabou revendendo o gado para outra pessoa, porém foram adquiridas notas fiscais e GTA, sendo fornecidas por Antônio, que trabalha na Agenfa (Agência Fazendária de Mato Grosso do Sul), com sede na Acrissul (Associação dos Criadores de MS). As notas foram vendidas a R$ 35 por cabeça de gado.

Segundo o delegado, ainda não há informações específicas sobre como o esquema funcionava ou se há outros envolvidos, mas o caso será investigado pela Polícia Civil.

Este ano mais de 800 cabeças de gado foram recuperadas pela Polícia e mais de 30 pessoas foram presas por crime de abigeato.

A Acrissul lembra os produtores que o posto avançado da Garras, recém-inaugurado no Parque Laucídio Coelho, em Campo Grande, está operando e apto a receber denúncias, registrar boletins de ocorrências e investigar casos envolvendo roubo de gado, insumos e equipamentos agrícolas.

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