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DISCUSSÃO

Justiça analisa prisão de pai e filho suspeitos de atirarem em vizinha

26 maio 2020 - 07h30Por Da Redação

Na manhã desta segunda-feira, dia 25 de maio, os 16 autos de prisão em flagrante lavrados ao longo do último final de semana foram apresentados para apreciação da justiça. Dentre os mais diversos crimes, destacou-se a prisão de pai e filho suspeitos de terem efetuado disparos de arma de fogo contra uma vizinha após discussão.

De acordo com informações do auto de prisão em flagrante, a Polícia Militar da Capital foi acionada na tarde de domingo (24) para atender ocorrência de disparo de arma de fogo no loteamento Cristo Redentor, região leste de Campo Grande. Ao chegar ao local, a guarnição deparou-se com uma confusão generalizada, em que vários moradores do entorno apedrejavam a oficina mecânica onde os suspeitos estariam escondidos. Reforço precisou ser acionado para conter a multidão e realizar a detenção dos dois suspeitos.

Após entrevista com a população, colhimento de depoimento de testemunhas e dos envolvidos, os policiais militares puderam entender o que, de fato, ocorria.

Por volta das 15 horas do mesmo dia, dois filhos da vítima, um com 18 anos e outro menor de idade, voltavam para sua residência após soltarem pipa no bairro, quando começaram a serem xingados pelo proprietário da serralheria. Entre as ofensas proferidas havia muitas relacionadas à mãe dos jovens. Ambos, então, contaram à genitora o acontecido ao chegarem em casa. A dona de casa de 47 anos foi de moto, na companhia de um parente, até o estabelecimento para tomar satisfações. Segundo apurado pelos agentes policiais, o dono da oficina e seus filhos são pessoas conhecidas na rua pelo comportamento agressivo e problemático, tendo, inclusive, já atirado contra a casa de outra vizinha após briga por motivos banais.

Ao chegar no local, a mãe e o comerciante começaram a discutir, sendo que, em dado momento, o filho de 20 anos daquele entrou na oficina e rapidamente voltou com um revólver em mãos, efetuando disparos em direção ao chão, no intuito de intimidar a mulher. A dona de casa, porém, permaneceu imóvel, sem reação, de forma que o pai teria tomado a arma do filho e atirado rumo à vizinha. Um projétil atingiu seu braço direito, na região abaixo da axila.

Revoltados com o ocorrido, populares teriam começado a arremessar pedras nos suspeitos, que correram para o interior da oficina. Posteriormente, eles foram para a residência que fica no mesmo terreno, local onde foram abordados pela Polícia Militar e detidos. Dentro da oficina, os policiais encontraram uma caixa contendo 25 munições intactas de calibre .38, além de capsulas de munições deflagradas, mas nenhuma arma de fogo foi localizada.

O serralheiro de 41 anos foi autuado nos crimes de posse irregular de arma de fogo e homicídio simples na forma tentada. Já seu filho recebeu apenas a imputação pelo crime de disparo de arma de fogo.

Em depoimento prestado na delegacia, os suspeitos contaram versão diferente dos fatos. Segundo eles, os filhos da vítima foram quem provocaram inicialmente o filho do autor, tendo este apenas retrucado as ofensas em defesa de seu filho. Posteriormente, a mãe dos rapazes teria vindo até sua oficina para ameaçá-lo, inclusive, tendo o homem que a acompanhava sacado uma arma e disparado contra ele. Então, o serralheiro teria se trancado em sua própria oficina com o filho por medo, vez que pedras começaram a ser arremessadas contra o local, além de dois homens tentarem invadir para matá-los. Ainda de acordo com os suspeitos, quando os agentes policiais chegaram, eles estavam ligando para a delegacia para pedir socorro.

Em decisão proferida nesta manhã (25), o juiz em plantão criminal, Francisco Vieira de Andrade Neto, converteu o flagrante do serralheiro em prisão preventiva. “Verifica-se, no caso do autuado, pelas condições do delito, em especial pela natureza do crime, praticado com emprego de grave ameaça e ou violência a pessoa, aliados ao fato já ter outras passagens policiais, bem como por ter sido, supostamente, o autor dos disparos que atingiram a vítima, não ser recomendável a, no momento, concessão de liberdade provisória”, argumentou o magistrado.

O juiz, porém, ressaltou que, nos termos da Recomendação 62, do CNJ, artigo 8º, §1º, a conversão da prisão em flagrante em preventiva neste período de pandemia será excepcional para crimes cometidos com o emprego de violência ou grave ameaça contra a pessoa. Assim, concedeu liberdade provisória para o outro suspeito, autuado apenas no crime de disparo de arma de fogo.

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