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ESPECIAL LIBERDADE VIRTUAL

"Fui julgada por minha filha encontrar com rapaz que conheceu na internet", diz mãe

13 julho 2015 - 06h45

Difícil hoje para muitos é pensar o dia-a-dia sem acessar informações pela internet e conversar sobre vida pessoal ou trabalho através de alguma rede social. Imagine então para aqueles que já nasceram conectados, como é o caso dos adolescentes atuais? O uso já está agregado à rotina. Mas, e quando o tempo de uso extrapola os limites? Ou quando aproveitadores tem acesso a esses jovens usando essa ferramenta que é ímpar em aproximar pessoas?

Vivenciando esse universo, os pais e um desafio: como impor regras aos filhos adolescentes sem privá-los do acesso à rede? Pensando nisso o Dourados News preparou a série Liberdade Virtual e esta primeira matéria traz um caso extremo, mas que leva a todos a reflexão.

A história é da Vitória, uma estudante de 13 anos de idade que em janeiro deste ano passou a ficar muito tempo acessando as redes sociais. Ela é filha única e mora com os pais, que sentiram a diferença no comportamento dela quando passou a mal conversar com os moradores da casa para permanecer online. O comportamento preocupou.

A mãe dela decidiu então verificar com quem a filha tanto conversava e descobriu que era com um rapaz que dizia ter 16 anos de idade e que ela conheceu na internet. O papo ousado do rapaz e os pedidos para que a jovem mandasse fotos, dançasse ou tirasse as roupas não agradou. Ela conversava com o rapaz, mas não mandava suas imagens. Mesmo assim, a mãe proibiu a conversa e, como castigo, proibiu também o acesso da jovem às redes sociais. Ela ficou dois meses nessa situação.

Ele chegou a ir à casa da família pedir a mão de Vitória em namoro, mas a família disse que ela ainda era muito jovem para namorar. Em março, quando chegou seu aniversário, Vitória pôde ter acesso de novo à internet e, sem que os pais soubessem, voltou a conversar com o rapaz.

Os pais acharam que a questão estava solucionada, quando no dia 30 de junho, Vitória pegou o ônibus 6h para ir à escola e não voltou para casa.

Os pais desesperados procuraram os amigos da jovem e descobriram que ela não tinha ido à instituição de ensino e que possivelmente estaria com o rapaz, que ninguém sabia exatamente quem era ou onde morava.

Por volta de 17h, a família registrou um boletim de ocorrência. Logo depois a mãe, com a ajuda de uma amiga, colocou fotos da filha e um apelo nas redes sociais para que ajudassem a encontrá-la. Em torno de 2h, na madrugada do dia 1º de julho, uma ligação anônima disse onde ela poderia estar.

Os pais entraram em contato com a Polícia Militar e uma guarnição que estava perto foi ao local com eles. Quando chegaram à casa, as luzes se apagaram. A polícia acionou o giroflex do veículo e, então, uma luz se acendeu e uma mulher saiu de dentro da residência e disse que a jovem estava lá. Vitória voltou à casa dos pais.


O caso relatado ao Dourados News pela mãe da jovem, a pedagoga Elzima Aparecida Fernandes Soares, 32, aconteceu em Campo Grande, mas chamou a atenção de todo o Estado. Ela diz que estava tão transtornada e ao mesmo tempo feliz em ver a filha que não sabe ao certo quem é a mulher que estava na casa e nem se o “pretendente” da filha tinha mesmo a idade que tinha.

“Foi através das redes sociais que eu encontrei a minha filha, então tem esse lado bom. Mas, foi também através das redes que eu fui julgada. Gente que não me conhece ou que não sabe a história ao certo questionando a minha posição enquanto mãe porque a minha filha sumiu de casa para encontrar com o rapaz”, diz Elzima.

Ela conta que mesmo antes do ocorrido, sempre orientou a filha sobre uma boa conduta nas redes sociais, como postar fotos adequadas e não falar com pessoas desconhecidas. “Nós, eu e meu marido, somos pais muito presentes na vida dela. Sempre dialogamos, orientamos. Temos uma vida simples, mas nunca faltou nada em casa e não foi falta de falar”, disse.

Quando conversou com o Dourados News, Elzima ainda não havia falado com a filha para saber os motivos que a levaram tomar essa atitude.

A queixa na polícia permanece e ela quer que o caso seja investigado para que as reais intenções do rapaz com sua filha sejam esclarecidas. “Ela tem parte da culpa, reconheço isso, os dois [ela e o rapaz] tem. Ela [filha] não quis falar nesse primeiro momento e, já que estamos todos abalados, eu respeitei. Mas, essa conversa vai acontecer”, disse a mãe.

A mãe ainda disse que se pudesse dar um conselho aos pais de adolescentes que tem acesso às redes sociais é “investigue, investigue sempre. Procure saber com quem falam e orientem. Eu investiguei e mesmo assim isso aconteceu, então todo cuidado, toda orientação é pouca. Ninguém está livre de passar por uma situação como essa. As redes sociais têm seu lado positivo e são necessárias hoje, mas também podem tirar a paz de uma família”, relatou.

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