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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Fórum debate política de pesca e relação entre humanos e animais silvestres

11 junho 2025 - 12h43Por Da Redação

A terceira edição do Fórum Estadual de Mudanças Climáticas atraiu centenas de representantes do poder público, do setor produtivo, de universidades, das organizações da sociedade civil e de comunidades tradicionais a Bonito, na terça-feira (10), para discutir demandas e soluções visando a mitigação, adaptação e transição para uma realidade de mudança do clima e para uma economia de redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa (GEE). Na ocasião, foram entregues as notas técnicas elaboradas pelas três Câmaras Técnicas instituídas na primeira edição do evento, realizada em março do ano passado, em Campo Grande, e foram anunciadas as duas temáticas que concentrarão os debates dos membros do Fórum a partir de então.

“Um ciclo se encerra aqui em Bonito e novos desafios são lançados, não só para quem estava participando das Câmaras Técnicas, como para todos nós que não estávamos acostumados a espaços de debates tão complexos e representativos. Esse Fórum está aberto para novas demandas, porém duas temáticas já estão definidas e quero anunciar agora e vai mobilizar todos os participantes e também o Governo do Estado. Trata-se de discutir a Política Estadual de Pesca, junto com o Conselho Estadual de Pesca, abordando todos os desafios que essa temática concentra, e ainda a relação entre humanos e animais silvestres, especificamente sobre a problemática do crescimento desordenado das populações de javali e do javaporco, que era visto como um problema de natureza econômica, pois destruía lavouras, e agora se tornou um problema ambiental com a degradação de nascentes por esses animais”, afirmou o secretário adjunto da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette.

Na abertura do evento, na manhã de ontem, estiveram presentes, além de Falcette, o secretário da Semadesc, Jaime Verruck; o prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues; o presidente da Câmara Municipal e também presidente do Comdema (Conselho Municipal de Meio Ambiente), vereador Paulo Henrique Breda Santos; o secretário municipal de Meio Ambiente, Thiago Sabino; e os empresários Lucas Alves e Eduardo Coelho, representantes do Comtur (Conselho Municipal de Turismo) e do IASB (Instituto Águas da Serra de Bodoquena).

Na quarta-feira, acontece no mesmo local o II Encontro de Secretarias Municipais de Meio Ambiente, reunindo representantes de diversos municípios do Estado para debater medidas e desafios das cidades ante as mudanças climáticas e visando cumprir a agenda sustentável do Estado. Simultaneamente, a área externa do Centro de Convenções sedia a XIII Feira Socioambiental de Bonito, um espaço de exposição dos projetos realizados por órgãos públicos e entidades da sociedade civil na conservação ambiental, com atividades interativas que agradaram em especial o público infantil.

Instrumento de governança

Falcette destacou a principal característica do Fórum, que é ser um instrumento de governança, um espaço para a sociedade dialogar em torno dos desafios surgidos com as mudanças climáticas e propor soluções conjuntas que abarquem desde o poder público, as empresas, as instituições e todas as pessoas. “Seria mais fácil para nós produzirmos um projeto dentro dos gabinetes, mas escolhemos o caminho mais longo. Esse Fórum cria a capacidade de produzir algo mais realista. O Fórum é a resposta do Estado, dizendo que vai cumprir com seu dever, mas precisa da sociedade mobilizada e engajada para discutir e propor soluções”, salientou o secretário adjunto.

O prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues, assegurou que a pauta mais importante do município é a ambiental. “É o que a sociedade mais discute”, completou. Sendo assim, o prefeito lembrou que está sendo elaborado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e em parceria com Governo do Estado, o novo Plano Diretor Urbano que vai trazer “medidas drásticas”, porém necessárias, para restaurar e conservar os rios e nascentes, atrações que fazem de Bonito o principal destino do ecoturismo mundial.

Futuros possíveis

Ainda na parte da manhã, o diretor de Desenvolvimento da FBDS (Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável), Rafael Loyola, apresentou sua palestra abordando os Futuros Possíveis e a visão para o clima, a biodiversidade e a sociedade. Segundo ele, o modelo atual de desenvolvimento econômico se baseia em extrair todo proveito possível dos recursos naturais disponíveis. A consequência disso foi o aumento da temperatura do planeta e todos os transtornos causados pelas mudanças climáticas. “Em 2023, 50 mil pessoas morreram em consequência do calor excessivo na Europa”, pontuou.

O futuro possível precisa contemplar três ângulos de vista, conforme Loyola: a proteção da natureza por si só, para preservar a biodiversidade; a proteção da natureza para usufruto da sociedade no uso dos recursos naturais disponíveis, com racionalidade e sustentabilidade; e a proteção da natureza como um benefício que se estende a todo planeta. “Toda política de desenvolvimento tem que ser também uma política ambiental. Precisamos ver a natureza como uma infraestrutura complexa, construir níveis de governança para entregar soluções, como vocês fazem hoje”, concluiu.

Números de Mato Grosso do Sul

O secretário Jaime Verruck encerrou a programação da parte da manhã apresentando dados da economia sul-mato-grossense que está alicerçada em diretrizes sustentáveis, mas busca ainda a segurança alimentar, a inclusão social e a transição energética. “Mato Grosso do Sul é o primeiro Estado que fez carne carbono neutro, um trabalho científico imenso da Embrapa no sentido de neutralizar as emissões de gás metano pelo gado. Tivemos redução de 50% das emissões de carbono no último inventário nacional”, mostrou o secretário, detalhando outros indicativos econômicos e sociais que colocam o Estado no topo do ranking nacional de desenvolvimento sustentável.

A redução de 5,1 milhões de hectares degradadas, antes ocupadas pela pecuária extensiva, e que agora se transformaram em lavouras de cultivo de grãos, florestas plantadas, cana-de-açúcar e até mesmo em reservas de preservação ambiental, ajudaram o Estado a reduzir as emissões de carbono, na avaliação do secretário. Há 10 anos a pecuária extensiva ocupava 21,8 milhões de hectares. Sem impacto no volume de produção de carne, a área ocupada pela pecuária encolheu para 16,6 milhões de hectares. “Ainda restam 4 milhões de hectares degradadas, sobretudo nas regiões Sul e Norte, que serão as próximas regiões a sofrerem importantes transformações”, previu Verruck.

O secretário listou, ainda, os principais programas de apoio à produção sustentável coordenados por sua pasta, como o Precoce MS, o Leitão Vida, Peixe Vida, PDAgro, Frango Vida e Extra Leite, todos com diretrizes ambientais rigorosas e cada vez mais abrangentes. “O Precoce já tem 60% dos critérios de base sustentável”, disse. Ainda programas de intervenção direta em apoio e proteção do meio ambiente, como os Programas de Pagamento por Serviços Ambientais Rios Cênicos e Pantanal, foram lembrados pelo secretário como exemplos de investimento do Governo do Estado na agenda verde.

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