É chocante e revoltante assistir, praticamente todos os dias, notícias de mulheres assassinadas por maridos, companheiros, ex-companheiros, noivos ou até namorados de poucas semanas. Crimes bárbaros que se repetem em todo o Brasil e deixam um rastro de dor, lágrimas, famílias destruídas e crianças marcadas para sempre pela violência.
O mais assustador é perceber que, em muitos desses casos, o motivo principal é um sentimento doentio de posse. Homens que acreditam ter o direito de controlar a vida da mulher, decidir seus passos, vigiar suas escolhas e, principalmente, não aceitar um “não”, uma separação ou o fim de um relacionamento.
Quando a mulher decide seguir outro caminho, muitos desses homens transformam amor em ódio, carinho em agressividade e convivência em ameaça. E então surgem as tragédias que estampam jornais, telejornais e redes sociais diariamente.
O Brasil segue registrando números alarmantes de feminicídio. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que milhares de mulheres são vítimas de violência todos os anos, muitas delas assassinadas dentro da própria casa — justamente o lugar onde deveriam encontrar proteção, segurança e amor. Em grande parte dos casos, o agressor é alguém próximo, alguém que dizia amar aquela mulher.
Mais do que endurecer leis — o que também é necessário —, o país precisa enfrentar as raízes desse problema. É preciso agir com medidas imediatas, mas também construir soluções de médio e longo prazos.
E tudo começa dentro de casa. A educação dos filhos, especialmente das crianças e adolescentes do sexo masculino, é fundamental para mudarmos essa realidade no futuro. Meninos precisam crescer aprendendo que mulher não é propriedade de ninguém. Precisam entender, desde cedo, o valor do respeito, da gentileza, do autocontrole, do diálogo e da dignidade humana.
Pais e mães têm responsabilidade decisiva nessa formação. É dentro do lar que a criança aprende como tratar as pessoas. É observando o comportamento do pai com a mãe, dos irmãos entre si e das palavras usadas no cotidiano que se formam valores morais e emocionais. Um menino que cresce vendo agressões, humilhações, gritos e ameaças pode acabar naturalizando esse comportamento. Por isso, é urgente ensinar aos filhos, desde pequenos, que jamais devem levantar a mão contra uma mulher. Nunca. Em hipótese alguma.
As escolas também precisam participar desse processo educativo, trabalhando valores humanos, respeito mútuo, empatia, inteligência emocional e solução pacífica de conflitos. A formação acadêmica é importante, mas a formação moral e emocional é indispensável.
Infelizmente, essa cultura machista vem de muito longe. Ainda me recordo, na infância, de episódios absurdos em bailes de fim de semana, quando algumas mulheres eram ameaçadas simplesmente porque se recusavam a dançar com determinado homem. Muitos se sentiam “donos” da vontade feminina. Diziam, diante de todos, que aquela mulher não dançaria com mais ninguém naquela noite. Era o orgulho masculino ferido se transformando em intimidação pública.
Décadas se passaram, mas o comportamento de muitos continua parecido. Mudam apenas os cenários. Hoje, homens matam porque não aceitam o término de um namoro, a separação de um casamento ou a liberdade da mulher de reconstruir a própria vida. Confundem amor com domínio. Confundem relacionamento com posse.
Isso precisa acabar. A sociedade inteira precisa reagir: famílias, igrejas, escolas, autoridades, Poder Judiciário, Legislativo, Executivo, forças de segurança, meios de comunicação e organizações comunitárias. Todos devem atuar unidos para combater essa violência cruel e crescente.
É necessário ampliar campanhas educativas, fortalecer redes de proteção às mulheres, garantir punições rápidas e exemplares aos agressores, oferecer apoio psicológico às vítimas e criar mecanismos preventivos capazes de identificar sinais de violência antes que o pior aconteça.
Mas, acima de tudo, precisamos reconstruir consciências. Nenhum homem é superior a uma mulher. Nenhum relacionamento dá direito à violência. Nenhuma frustração justifica agressão. E nenhum sentimento de posse pode valer mais do que uma vida.
Basta de feminicídio. Que o Brasil aprenda, de uma vez por todas, que amar jamais será controlar, humilhar, ameaçar ou matar. Amar é respeitar, proteger, compreender e permitir que o outro tenha liberdade para viver sua própria história.
A Palavra de Deus é clara ao ensinar que homens e mulheres são filhos amados do Pai Celestial e merecem ser tratados com dignidade, respeito e amor. Em Efésios 5:25, o Senhor orienta: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Cristo jamais ensinou violência, humilhação ou domínio pela força. Seu exemplo sempre foi de amor, proteção, paciência e serviço.
Da mesma forma, em Colossenses 3:19, lemos: “Vós, maridos, amai vossas mulheres e não as trateis asperamente”. Infelizmente, muitos homens se afastaram desses princípios divinos e passaram a agir movidos pelo orgulho, pela ira, pelo egoísmo e pelo sentimento maligno de posse.
Talvez esteja na hora de o mundo entender que a solução para muitos dos dramas da humanidade não está apenas nas leis dos homens, mas também no retorno sincero aos ensinamentos de Deus dentro do lar. Famílias que oram juntas, dialogam, cultivam respeito e vivem princípios cristãos tendem a formar filhos mais equilibrados, amorosos e preparados para construir relacionamentos saudáveis.
Que Deus toque o coração dos homens violentos antes que destruam vidas e famílias. E que nossas futuras gerações aprendam que a verdadeira força do homem não está na agressividade, mas na capacidade de amar, respeitar, proteger e honrar as mulheres que caminham ao seu lado.
*Jornalista, Professor e Escritor - wilsonaquino2012@gmail.com
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