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ARTIGO

Esquerda ou Direita?

18 setembro 2020 - 10h48Por Rodolpho Barreto Pereira

Ninguém é dono da verdade. Como estamos numa democracia, precisamos aprender a conviver com um pluralismo saudável de ideias e propostas divergentes quanto aos métodos de edificar o Brasil melhor que queremos. Mas, independentemente da ideologia de sua preferência, não pode haver dúvidas de que precisamos resgatar o crescimento econômico, sem o qual não pode haver "ordem e progresso" de fato. Para tanto, é urgente a adoção de medidas para manter a economia nos trilhos e conter os gastos excessivos (o aparelhamento estatal brasileiro está entre os mais caros do mundo). Temos ainda muita coisa a ser feita - e desfeita. Para uma boa saúde fiscal é preciso entrar em forma. Ainda tem muita gordura para cortar e muitos quilômetros para correr. Essa necessidade não é de hoje, mas o quadro se agravou. O país vive um momento extremamente delicado. Nosso Estado, já falido com o rombo previdenciário (e outros rombos criminosos de gestões passadas), agora tem que encarar a recessão econômica provocada pela pandemia. Ainda que não fosse a alarmante situação desta crise mundial histórica, qualquer pessoa minimamente sensata não pode deixar de reconhecer que o Brasil precisa de maior estímulo ao setor privado para geração de emprego e renda à população e redução contínua da interferência e gastos públicos desnecessários.

Parece uma pauta "liberal-conservadora" (de direita?), mas mesmo os "progressistas" (da esquerda?) podem compreender essa realidade. É preciso esquecer um pouco os rótulos ideológicos e os interesses partidários para pensar no que é bom ao país, no que realmente funciona e dá resultados positivos, a exemplo de fundamentos e práticas bem sucedidas em outros países. Na maioria das vezes, ninguém precisa inventar a roda, basta fazer o que já foi feito (e que precisa ser feito). "Mais Brasil e menos Brasília". Ajuste de contas, reformas tributária, administrativa e política, que possibilitem uma máquina estatal eficiente e uma iniciativa privada promissora. Estamos há muito tempo funcionando ao contrário: enquanto o estado brasileiro é perdulário (gastador) e não corresponde aos serviços essenciais (saúde, segurança, educação etc), as nossas empresas privadas (particularmente os pequenos e médios empresários) são heróis nacionais enfrentando os diversos tributos e burocracias que dificultam o avanço econômico e a geração de empregos. Lembrando que o serviço público subsiste justamente dos impostos do setor privado (ou seja, do bolso do trabalhador), portanto, uma coisa não funciona bem sem a outra. 

Mesmo com todos os seus defeitos, sempre bem destacados por alguns telejornais, é evidente a postura inédita do governo atual neste sentido de mais avanço econômico e menos peso estatal nos ombros do cidadão contribuinte, já há décadas explorado e mal assistido. Obviamente, não é papel do jornalismo fazer propaganda governamental. Críticas podem ser bem-vindas. E a tensão entre governo e imprensa, muitas vezes, é quase inevitável. A liberdade de expressão é necessária. Mas é possível mais responsabilidade, justiça e imparcialidade na cobertura dos fatos. Seria importante considerar os aspectos positivos também, não só demonizar as falhas.

Lá no início da atual gestão, num lampejo de lucidez, cada vez mais raro em certos setores da mídia e da política, Carlos Alberto Di Franco, jornalista, escreveu: “Nós, da imprensa, talvez ressentidos pelo estilo polêmico do presidente, sobretudo pela agressividade dos seus filhos, não estamos captando os sinais do governo. Por isso temos sido excessivamente críticos com uma administração que está nos começos e carregando uma herança para lá de incompetente, corrupta e irresponsável.Os leitores, com razão, manifestam cansaço com o tom sombrio das nossas coberturas. É possível denunciar mazelas com um olhar propositivo. É hora de todos fazerem uma reflexão e um mea-culpa, aparando arestas e focando naquilo que importa. O Brasil tem pressa!" 

As principais lideranças do país, portanto, deveriam, por obrigação moral, colocar as diferenças de lado e convergirem para salvar o Brasil do caos. No entanto, poucos têm adotado uma postura agregadora. Boa parte do Congresso tenta preservar os velhos privilégios e regalias. Já boa parte da imprensa, por causa de antipatia ao presidente, acaba exagerando nas críticas para obter manchetes sensacionalistas. O STF, contrariamente aos anseios da nação, totalmente desconectado dos clamores das ruas, demonstra pouco ou nenhum patriotismo, sendo o refúgio de criminosos poderosos. Todos os citados dizem defender a democracia, mas, de forma contraditória, estão todos agindo contra a vontade popular majoritária.

Escutamos de todos os lados discursos em defesa da "esquerda" ou da "direita", contra o "comunismo" ou o "fascismo". É preciso pesquisar sobre a origem destes termos e como foram historicamente empregados (hoje em dia parece ser mais uma forma de ofender aquele que pensa diferente do que qualquer outra coisa). Segundo o economista Leonard Read: "Esquerdista passou a ser sinônimo de igualitarista, sendo depois associado às vertentes do socialismo marxista. E "direitista"? Os camaradas de Moscou também se encarregaram deste conceito e qualquer coisa que não fosse comunista ou socialista foi decretada e propagandeada como "fascista". Logo, qualquer ideologia que não coubesse integralmente dentro do rótulo comunista (esquerda) passou a ser popularmente denominada de fascista (direita). Sendo assim, o libertário não pode querer nada com "esquerda" ou "direita" simplesmente porque ele desdenha qualquer forma de autoritarismo - o uso do aparato estatal para tolher e controlar a criatividade e o empreendedorismo do indivíduo." 

Atualmente, há quem conceitue direita ou esquerda de outras formas. Mas o mais importante é avaliar o que é bom para o país, não para grupos políticos deste ou daquele lado. O partido de todos deve ser o Brasil. Ainda falta Amor à Pátria. E sobram interesses particulares. Integrantes do supremo tribunal, do congresso e da mídia, que não se contentam em cumprir apenas com o dever institucional, dentro de suas atribuições (longe disso, muitas vezes), costumam opinar e atuar conforme predileção ideológica, ainda que seja em desfavor da nação. Muitos têm postura autoritária enquanto, ironicamente, dizem estar lutando contra o autoritarismo. Alguns mais ousados afirmam lutar contra a implantação de uma "ditadura fascista" no Brasil. Como pode ser isso, que ditadura imaginária é essa? O governo atual, eleito democraticamente, mantém ampla aprovação popular e tem demonstrado preocupação com a garantia da liberdade do indivíduo e incentivo ao empreendedorismo. Nenhuma ação concreta foi tomada pelo executivo federal que atentasse contra direitos e garantias democráticas fundamentais previstas na Constituição (diferentemente de ações recentes bem questionáveis de certos prefeitos, governadores e juízes). Onde está esse "fascismo verde-amarelo" que querem pintar?

Além disso, há outros desserviços. O sujo fala do mal lavado - e ainda quer sujar o que está limpo. Não faz muito tempo que a grande imprensa divulgou irresponsavelmente uma possível saída do ministro da economia que não aconteceu. No entanto, a notícia causou instabilidade no mercado. Deputados e senadores gostam de fazer acusações aqui e acolá, mas fingem que não é com o congresso a responsabilidade da questão econômica (mas depende dele discutir e aprovar as reformas necessárias com a urgência devida). O alvo das críticas ainda é quase sempre somente o governo Bolsonaro, como se tudo estivesse andando muito bem nos demais poderes. Outro exemplo são os casos gravíssimos de corrupção em governos estaduais e municipais durante a pandemia (desvio das verbas emergenciais de saúde) que, infelizmente, não recebem o mesmo destaque de alguns editores jornalísticos. Já o STF (também quase isento de críticas pela grande mídia) parece sempre atuar em desfavor do país e frequentemente em áreas que não são da sua competência, a exemplo das censuras na internet e decisão recente que restringiu operações policiais nas favelas. Essas "ações supremas" que, na visão de muitos especialistas, extrapolam as funções legais do tribunal, não são autoritarismo? Ou será que os ministros do Supremo podem tudo, por isso são supremos?

Para encerrar a reflexão: ninguém é obrigado a gostar de um governo A ou B, mas ser adversário a todo custo, torcer e agir contra o Brasil? Se o governo afundar, o país afunda também e todos nós estamos neste barco. Mais uma vez, ressalto que as críticas são importantes e devem ser feitas, mas visando o bem maior da nação, do povo brasileiro, não a constante briga pelo poder, que pode ocasionar suicídio nacional. Vamos nos unir!? Avante! Entre direita e esquerda? Que tal, em frente!? O progresso, a justiça, o patriotismo devem estar acima de qualquer disputa de lados. Podemos ter mais união e mais ação - e na mesma direção! Nem de um lado, nem de outro, vamos JUNTOS pelo Brasil! 

Instagram: rodolphobpereira

Whatsapp: (51) 98616-3132

*Analista judiciário, pós-graduado em direito público e cidadão brasileiro

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