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ARTIGO

Em busca da felicidade

26 fevereiro 2021 - 11h43Por Rodolpho Barreto

A felicidade é o grande objetivo das pessoas. Quem não quer ser feliz? Quem, em sã consciência, acorda dizendo para si mesmo: - "Hoje quero ser infeliz!"? No entanto, o que é exatamente essa tal "felicidade" que todos dizem buscar? Muitos acreditam que ela está nas posses materiais, no conforto, nos chamados "prazeres" da vida. Mas essa é uma noção equivocada de felicidade. Este engano já está mais do que demonstrado. Podemos comprar muitos objetos caros e momentos prazerosos, mas ainda assim ter uma vida infeliz. Como podemos ter momentos de dores e tristezas, mas mesmo assim ter uma vida feliz. Vamos exemplificar essa reflexão com situações bem práticas e reais. Sabemos que as drogas proporcionam elevadas sensações de prazeres físicos, não é mesmo? Isso significa que o viciado em drogas é feliz? Muito pelo contrário. Por outro lado, sabemos que toda mãe sofre (a começar pela gestação e parto) para ter e criar os seus filhos, certo? Mas a mãe se diz infeliz por causa disso? Não é curioso? O viciado em drogas tem prazer em se drogar, mas não é feliz. A mãe sofre para criar o filho, mas é feliz. Portanto, não é difícil de concluir: felicidade não é só prazer. Se fizéssemos só o que dá prazer, só o que é agradável, confortável, provavelmente a humanidade já teria sido extinta. Como dizem, "para fazer o omelete, temos que quebrar os ovos". Felicidade real é fazer o que é bom, é fazer o que é correto, é fazer o que tem que ser feito, ainda que isso nos custe um sacrifício (e quanto maior o bem que se faça, maior será o sacrifício exigido). As grandes personalidades da história, os grandes exemplos de vida, são justamente aqueles que mais sacrificaram-se em prol de um bem maior. Eles foram infelizes? Ao contrário. Perceba, o que nos fez chegarmos até aqui, enquanto seres humanos em evolução que somos, é justamente a capacidade de superação, de auxílio mútuo, de viver coletivamente, aprendendo e trabalhando, um com o outro - e um pelo outro. Portanto, reflita: que ideia é essa de buscarmos desenfreadamente a felicidade nos exageros, na volúpia, na luxúria, na ociosidade, nas frivolidades? Alegrias e tristezas são circunstâncias passageiras. Felicidade ou infelicidade é o que fica, a depender de como você leva a vida. No final das contas, "o que se leva da vida, é a vida que se leva". Tudo passa? Nem tudo. O segredo é saber identificar o que é ilusão e o que é realidade.

Agradeça pelas alegrias, aprenda com as tristezas e valorize cada momento. As experiências passam, mas os valores ficam. Que mal há em aproveitar prazeres da vida? Se houver bom senso, equilíbrio e responsabilidade, nenhum. O problema é que abusamos. Nos tornamos viciados em falsas formas de felicidade. Vamos tomar como exemplo o carnaval que passou. Mesmo com a proibição, muitos insistiram em se aglomerar e "extravasar", o que resultou em picos de contágio em vários lugares do país, com mais internações e mais mortes. E tudo isso para quê, para "ser feliz"? Pessoas respeitáveis, cidadãos dignos, que se permitiram sair da rotina, para aproveitar "dias de prazer". E o resultado disso? Felicidade? Trabalhadores que, muitas vezes, andam endividados o ano todo, gastam o que não têm para participar de dias de "alegria". Jovens e adultos, sedutores e seduzidos, que se deixam cair nas armadilhas viciosas das bebidas, drogas diversas e sexo inconsequente. Passada a "curtição", e aí? Agora é só apertar um botão, despir o personagem e voltar a realidade? Depois de um carnaval intenso, como o corpo e a cabeça voltam ao cotidiano? Normal? "Feliz"? As consequências físicas e sociais são sentidas no curto e longo prazo, como já comentamos aqui em um artigo. O pós-carnaval não é nada feliz. Além do agravamento da pandemia, temos os acidentes de trânsito com mortes e sequelas, as drogas e os abusos com prejuízos à saúde no geral, as brigas, os crimes etc. Sem falar nas consequências espirituais e psicológicas, nem sempre percebidas imediatamente, nesses dias em que a liberdade dá espaço para a libertinagem, com "momo" reinando soberano sobre as criaturas que decidiram "cair na folia", extravasar, "curtir", enlouquecer, "ser feliz"!? Felicidade ou infelicidade é também onde, como e com quem sintonizamos. A sintonia no Universo é como a gravitação - é lei da vida. Vive-se no lugar e com quem se deseja.

Há um intercâmbio vibratório em todos e em tudo. E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências acalentados na intimidade do ser. Existe uma famosa sabedoria popular que afirma: "Dize-me com quem andas e eu te direi quem és". Também poderíamos refletir ao contrário: "Dize-me quem és e eu te direi com quem andas." Via de regra, onde e com quem estamos são fatores determinantes dos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. Influenciamos e somos influenciados o tempo todo. Somos afetados pelo comportamento do grupo, ainda que a nossa decisão íntima seja por um comportamento oposto. Há uma piada (com fundo de verdade) que nos faz refletir nesse sentido: A jovem menina pede ao pai para ir em uma determinada balada de carnaval. O pai questiona: - Você vai beber e fumar? Ela diz: - Não! O pai continua: - Você vai usar outras drogas, maconha, cocaína, "balinhas"? Ela responde mais enfática: - Não, de jeito nenhum! O pai com mais ênfase: - Então você vai fazer sexo com alguém? E a menina: - Claro que não! A conclusão do pai: - Bom, já que você não vai fazer nada do que é feito lá, então para que você quer ir? Fica em casa! O fato é que o ambiente e as pessoas exercem poderosa influência sobre nós. Não estamos impedidos de entrar em nenhum lugar. Importante é saber COMO vamos sair. E deve o jovem, especialmente, ter essa consciência: de que nesses ambientes "carnavalescos" (que não existem só no carnaval), há uma pressão muito grande, estimulando ao sexo promíscuo e vícios em geral.

Não é fácil conservar a própria integridade em meio às festividades dessa natureza. O apóstolo Paulo de Tarso dizia: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém." Ninguém está dizendo para não participar de nenhum tipo de festa ou encontro social. Os abusos, os exageros, é que são o problema. Fala-se em liberdade, mas, a pretexto dela, podemos acabar nos tornando escravos de nós mesmos, dos nossos impulsos, dos nossos desejos, dos nossos vícios. Não adianta viver em busca de uma suposta felicidade (confundida com a ilusão dos prazeres), quando a vida nos chama por CONSCIÊNCIA e responsabilidade. "A consciência responsável jamais concorda com o erro, ou submete-se à ociosidade, não aceita a fatalidade perturbadora, nem se acomoda ao gozo anestesiante. O sono é necessário para o repouso, assim como o prazer para os estímulos. Mas a ação bem dirigida é o que nos impulsiona para as conquistas da legítima felicidade. Responsabilidade é luz para o discernimento que dignifica e renova. A consciência estabelece as diretrizes para a ação e aponta as metas que deve alcançar. Se algum escravo sonha com a liberdade é imprescindível despertá-lo para consegui-la. Você é Espírito em luta de evolução. Não estacione nunca, e faça-se todo o bem possível, espraiando-o pelos caminhos por onde transite." (Marco Prisco - livro: Diretrizes para uma Vida Feliz ). Quando estamos em dúvidas sobre o que é positivo/construtivo (gerador de felicidade) ou negativo/destrutivo (gerador de infelicidade) devemos analisar, não as nossas sensações do momento, quase sempre enganosas, mas os resultados/consequências a médio e longo prazo do que estamos fazendo. Pois, mesmo aquilo que pareça ser "alegre, agradável e prazeroso, poderá trazer consequências tristes, sofridas, infelizes. Como o diabético, que tem prazer em comer doce. O remédio amargo pode ser o que melhor restaura a saúde. No caso dos carnavais, já sabemos de muitas das suas consequências danosas. Além das mais notórias, já aqui relatadas, podemos acrescentar algumas mais difíceis de perceber, como as doenças e os abortos realizados alguns meses depois, fruto de envolvimentos levianos, do sexo "sem compromisso"; as separações de casais que já não se suportam mais, depois das sensações vividas sob o calor da festa; o exercício apático dos afazeres profissionais, familiares e sociais (podendo chegar ao descumprimento ou abandono de deveres e responsabilidades básicas); a futilidade das relações e o estímulo a um "estilo de vida" cada vez mais consumista, materialista e sensualista; enfim, a depressão e frustração de muitos, depois que as ilusões e os prazeres passam, quando "cai a máscara", e tem que se voltar realidade...

"Para viver bem não basta possuir e deixar -se possuir pelos gozos. Oportunidades para que você se comprometa com o erro surgem, contínuas, como tentações, desafiando suas forças morais. Resisti-las, todavia, é a decisão que você se deve impor, sem que dessa atitude lhe advenham tristeza e dissabor. O homem forte faz-se resistente mediante ingentes lutas que o capacitam para a vitória sobre si mesmo. Você vê os amigos dando largas concessões aos prazeres e atormenta-se, como se estivesse a perder o melhor da vida. No entanto, lembre-se que os mais preciosos valores são os de natureza moral, espiritual. É certo que lhe não sugerimos clausura, ascetismo ou fuga da convivência social. Antes o conclamamos à saúde interior e à alegria contagiante, que somente possuem aqueles que são livres das conjunturas inditosas, dos acumpliciamentos com a venalidade. Liberdade é um estado interior. Amar, empreender realizações de enobrecimento, viver, são consequências da liberdade de que o homem dispõe para seu gáudio e ventura. A honestidade que o fará tranquilo nos empreendimentos nobres deve ser cultivada interiormente. Mesmo que ninguém a identifique em você, não se importe. O diamante é precioso, apesar de dormir, ignorado, no seio da terra. A lapidação realça-lhe somente a beleza que jaz adormecida no seu imo. Quando os impulsos violentos o assaltarem, frene-os. Quem não é capaz de dominar as paixões não é digno de triunfar e ser feliz. O instinto rebelde, se dirigido, transforma-se em usina de força para as realizações da inteligência. Não se afadigue, portanto, pelo prazer que deseja agora, e logo mais se lhe terá desvanecido. Não infira, disso, que você se deve abster das emoções ditosas. Ao contrário: está, como todos nos encontramos, destinado à felicidade das emoções sem fim e dos gozos sem limite, se aguardar, no dever e na honra, o momento próprio da sua vitória. A isto chamamos bem viver." (Marcelo Ribeiro - livro: Terapêutica de Emergência).

Muitos voltam de um carnaval, ou até de um simples final de semana, chateados porque a "alegria" acabou, tendo que voltar a "dura" realidade. A cabeça já na próxima festa, planejando o próximo feriado, a próxima viagem, desejando ter que comprar ou experimentar isso ou aquilo para "ser feliz"... E assim muitos vão vivendo, buscando as sensações 'por fora' para tentar preencher o vazio 'de dentro'. O carnaval, por exemplo, bem como toda e qualquer festa marcada pelos excessos e extravagâncias materiais, virou essa espécie de fuga coletiva da realidade, por uma sociedade de indivíduos que ainda não buscam desenvolver em si mesmos, na própria vida (real), por meio de suas próprias ações e serviços diários, o sentimento puro de satisfação da consciência tranquila pelos deveres cumpridos e da gratidão às coisas simples e fundamentais da vida. É essa a alegria, a felicidade genuína, que está ao alcance de todos, pois que não tem preço! Depois do carnaval das ilusões, chega a vida como ela é, com tristezas, dificuldades, mas cheia de aprendizados e oportunidades! A verdadeira vida feliz, bela, duradoura e muito boa de ser vivida! Portanto, não busque a felicidade, pois ela não está aqui ou acolá. Ela está em você, na sua maneira de viver. Viva bem. Viva para o Bem. E SEJA FELIZ!

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Whatsapp: (51) 986163132

 

*O autor é palestrante e escritor nas áreas de desenvolvimento pessoal, espiritualidade e atualidades.

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