O comércio de Naviraí tem sentido há alguns meses o reflexo da crise da Infinity Bio-Energy, usina de álcool combustível instalada na região. O Dourados News visitou o município e conversou com alguns comerciantes. Eles afirmaram que o movimento nos estabelecimentos tem diminuído desde que a empresa começou a demitir funcionários. Além da 'paradeira', eles também tem sofrido com o problema gerado por “calotes” dos empregados, situação que preocupa. Até agora, segundo o sindicato da categoria no município, dos 1 mil empregados, a empresa já demitiu 200 trabalhadores.
Para a comerciante Elizabete Ferreira Neto que trabalha com o setor de vestuário, a queda nas vendas e as dívidas não pagas por conta da clientela tem causado problema. Ela conta que o ano começou difícil por conta da crise geral no país, mas que no local a dificuldade é maior há cerca de três meses devido ao fato dos trabalhadores da usina ajudar no movimento do comércio.
“Nunca tivemos um ano tão ruim assim, desse período para cá estagnou bastante e sabemos que nosso movimento conta muito com esse público [da usina].Não sei como será mas, precisa melhorar, tem muita gente que não está pagando os boletos que deve e tenho que tirar do bolso para manter a loja ultimamente”, destacou.
O empresário Luiz Henrique Bruno de Almeida é proprietário de um hotel na cidade e afirma que a queda no movimento nos últimos meses é de 20%. Ele cita que quando o setor industrial vai bem isso atrai público para a cidade que vem com foco nos negócios, o que não tem acontecido ultimamente.
“Com esse problema da usina fechada, vendedores e outros prestadores de serviço deixaram de vim à cidade e isso foi perceptivo no meu estabelecimento, o sinal é de alerta”, comenta, destacando que alguns empreendimentos têm fechado as portas e não vê boas perspectivas.
“A demanda baixa desse público e dos que são atraídos pelo bom andamento do setor industrial só prejudica, revendedoras e lojas já fecharam aqui e de modo geral não tem melhorado a situação nem para os comerciantes já estabelecidos e muito menos para atrair novos investidores”, diz.
Para o presidente da Associação Comercial de Naviraí, Mário Sakuno, a crise da usina local afetou um pouco o comércio do município, porém o mesmo não deixou de crescer. Para ele, a perspectiva é que a cidade atraia novos empreendimentos que irão fomentar a economia local.
“É certo que Naviraí sofreu um ‘baque’ com essa questão e não só isso influenciou como a crise em geral, mas, não deixou de ter força. Sabemos que temos grandes empresas que se mantém em pé e novos comércios virão também”, pontuou.
Campanha Bolsa Alimentação
Mário Sakuno destaca sobre uma ação desenvolvida pela associação junto a entidades da cidade para auxiliar os trabalhadores que foram demitidos da usina. Ele conta que alimentos foram arrecadados e cestas básicas foram montadas em busca de ajudar.
“Fizemos uma campanha junto ao Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e arrecadamos essas cestas e distribuímos 600 cestas básicas na semana passada, sabemos sobre a situação e temos tentado contribuir”, disse.
Crise na Infinity
Recentemente funcionários da usina fecharam por duas vezes a BR-163 em Naviraí em protesto por conta dos problemas trabalhistas enfrentados com a empresa. Uma ação contra a Usina corre no MPT (Ministério Público do Trabalho), em Dourados. A InfinityBio-Energy foi criada em 2006.
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