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ECONOMIA

Azambuja e mais 21 governadores se unem contra discurso de Bolsonaro

03 fevereiro 2020 - 15h35Por Da Redação

Governadores de 22 Estados, entre eles o de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), assinaram uma carta que pede o debate a respeito da diminuição do preço dos combustíveis. A medida foi apontada como possível alternativa por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a cobrança do ICMS no país. 

Além do chefe do Executivo de MS, assinaram os governadores dos Estados de São Paulo, Maranhão, Amapá, Piauí, Sergipe, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Pará, Santa Catarina, Paraná, Alagoas, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Roraima, Ceará, Amazonas, Minas Gerais, Paraíba e Distrito Federal.

No domingo (2/2), o presidente Jair Bolsonaro anunciou que enviará uma proposta ao Congresso Nacional para alterar a forma de cobrança do ICMS nos combustíveis. 

Segundo o presidente, o governo tem se esforçado para baixar os preços da gasolina e do diesel nas refinarias, mas que essa redução não chega aos postos. “Por que [sic]? Porque os governadores cobram, em média 30% de ICMS, sobre o valor médio cobrado nas bombas dos postos e atualizam apenas de 15 em 15 dias, prejudicando o consumidor [sic]”, explicou.

Hoje, a Agência Nacional de Petróleo publica uma média do valor dos preços dos combustíveis para cada estado. A partir disso, os governos estaduais estabelecem um valor nominal para cada litro vendido — e não uma alíquota, como é o comum para outros produtos.

Confira a nota na íntegra:

“Os Governadores dos Estados e do Distrito Federal têm enorme interesse em viabilizar a diminuição do preço dos combustíveis. No entanto, o debate acerca de medidas possíveis para o atingimento deste objetivo deve ser feito nos fóruns institucionais adequados e com os estudos técnicos apropriados.

Diante da forma como o tema foi lançado pelo Presidente da República, exclusivamente por intermédio de redes sociais, cumpre aos Governadores esclarecer que:

1 – O ICMS está previsto na Constituição Federal como a principal receita dos Estados para a manutenção de serviços essenciais à população, a exemplo de segurança, saúde e educação.

2 – O ICMS sobre combustíveis deriva da autonomia dos Estados na definição de alíquotas e responde por, em média, 20% do total da arrecadação deste imposto nas unidades da Federação. Lembramos que 25% do ICMS é repassado aos municípios.

3 – Segundo o pacto federativo constante da Constituição Federal, não cabe à esfera federal estabelecer tributação sobre consumo. Diante do impacto de cerca de 15% no preço final do combustível ao consumidor, consideramos que o governo federal pode e deve imediatamente abrir mão das receitas de PIS, COFINS e CIDE, advindas de operações com combustíveis.

4 – O governo federal controla os preços nas refinarias e obtém dividendos com sua participação indireta no mercado de petróleo – motivo pelo qual se faz necessário que o governo federal explique e reveja a política de preços praticada pela Petrobras.

5 – Os Estados defendem a realização de uma reforma tributária que beneficie a sociedade e respeite o pacto federativo. No âmbito da reforma tributária, o ICMS pode e deve ser debatido, a exemplo dos demais tributos.

6 – Nos últimos anos, a União vem ampliando sua participação frente aos Estados no total da arrecadação nacional de impostos e impondo novas despesas, comprimindo qualquer margem fiscal nos entes federativos.

Os Governadores dos Estados e do Distrito Federal clamam por um debate responsável acerca do tema e reiteram a disponibilidade para, nos fóruns apropriados, debater e construir soluções.”

*Com informações da Veja

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