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REGIÃO

Autoridades de segurança e comerciantes pedem Força Nacional em Ponta Porã

15 julho 2014 - 16h00

Autoridades de segurança e empresários de Ponta Porã, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, a 323 quilômetros de Campo Grande, querem que a Força Nacional de Segurança atue no perímetro urbano da cidade, para conter a violência que, segundo os dados oficiais, diminuiu. O assunto motivou reunião realizada na segunda-feira na cidade, com representantes da Polícia Civil, Polícia Militar e do empresariado na cidade.

Moradores e comerciantes reclamam do elevado número de assaltos. “Ponta Porã está às moscas. O bandido faz o roubo de manhã, deixa o bilhete dizendo que volta e realmente volta à tarde. Essa é nossa situação. Tem comércio que já foi assaltado quatro vezes em uma semana”, reclama o presidente da ACEPP (Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã), Eduardo Gauna. A reunião ocorre vinte dias após o dono de um bar, Wagner Barbosa Medina, de 34 anos, ser executado dentro do estabelecimento

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Francisco Jacini, afirma que o sistema da Polícia Civil registrou queda no número de ocorrências nos últimos seis meses, em comparação com o último semestre de 2013. Ele não detalhou números. “O que estamos constatando é uma diminuição na criminalidade, pode ser que as pessoas não estejam registrando as ocorrências na delegacia, aí não sai na estatística”, afirmou o secretário.

O secretário disse que vai encaminhar a solicitação do retorno da Força Nacional de Segurança à cidade ao Governo Federal. “A Força estava envolvida em ações relativas à Copa do Mundo e nesta semana haverá um evento em Brasília que reunirá representantes de vários países, mas acredito que em seguida eles voltam a atuar no município”, informou.

O tenente-coronel da Polícia Militar de Ponta Porã, Hélio Gauto Rios, confirma a preocupação com a criminalidade e acredita que o retorno da Força irá coibir ações criminosas. “É importante o retorno da Força na cidade toda, porque quanto mais gente tiver abordando na rua, a população vê a Polícia andando e se sente mais segura e por outro lado aos delinquentes se preocupam”.

Também participaram da reunião, o presidente da Câmara Municipal, Agnaldo Miudinho; o Cônsul do Paraguai no Brasil, Pedro Martinez; o delegado da Polícia Civil, Marcius Cordeiro; o Capitão Alan da Força Nacional e o Comandante da Polícia Nacional em Pedro Juan Caballero, Mario Ortellado.

Falta de pessoal – Segundo o presidente da ACEPP, é conhecida em toda a cidade a falta de efetivo, tanto na Polícia Civil quanto Militar. “Estamos à deriva, pois a Polícia Militar está incapacitada por falta de pessoal. Há 15 pessoas pra fazer o policiamento da cidade inteira, incluindo os presídios. Isso é o que os próprios policiais informaram na reunião”, disse.

O secretário reconheceu a falta de pessoal e lembrou que aprovados em concursos da Polícia Militar e Civil estão em fase de formação. “A previsão é que estes concursados assumam os cargos ainda neste ano”, afirmou Jacini.

O funcionário público Armando Gomes Rodrigues esteve na reunião, pois na madrugada de sábado (12) teve o veículo, que usa para trabalhar no transporte escolar junto à família, roubado e conseguiu registrar o boletim de ocorrência apenas cinco horas após o roubo. Armando conta que acordou, às 4h, com o barulho do carro funcionando e correu até a Polícia Civil para pedir ajuda, mas a delegacia estava fechada. Enquanto se dirigia ao quartel, ele fez ligou para o 190, mas ninguém atendeu. No batalhão da Polícia Militar, também não havia policiais. Armando conta que permaneceu cerca de 15 minutos lá, inclusive circulou nos corredores. “Estava tudo aberto e não tinha ninguém. Nós gritamos, chamamos, batemos nas portas e nada”, afirma.

Armando disse que continuou ligando no 190 e foi atendido depois de uma hora. “Me passaram o telefone da Polícia Civil, então eu liguei e a pessoa que me atendeu disse que eu só podia registrar a ocorrência das 8h as 18h”, disse. Na esperança de deter o ladrão para que o carro não fosse levado para o Paraguai, a funcionário público foi até a delegacia do país vizinho, mas não pôde formalizar a ocorrência sem o boletim emitido pela Polícia do Brasil. Ao voltar para casa, Armando viu que os bandidos abandonaram um outro veículo antes de roubar o dele. “Somente às 7h recolheram o carro que estava aqui e eu fiz a ocorrência às 8h”.

Segundo Armando, a Polícia informou que naquele dia havia apenas dois policiais militares, que estavam acompanhando presos internados no hospital. “A gente fica à merce, porque nós não podemos correr atrás de bandido. Eu pensei que podia correr na Polícia e daria tempo de recuperar o carro ou pelo menos impedir que ultrapassasse a fronteira, pois eu moro a três quadras da Polícia Civil e a um quilometro da linha internaciuonal”, lamentou.

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