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MELHORIAS

Audiência sobre mandiocultura apresenta propostas para o setor

29 maio 2015 - 16h00

Durante o dia 7 de maio passado, deputados estaduais discutiram com representantes de todas as categorias do ciclo de produção e comercialização da mandioca soluções para combater a crise no setor. O debate se deu por meio da audiência pública “Aspectos Econômicos na Cadeia Produtiva da Mandioca em MS”, proposta pela Comissão Permanente de Agricultura por sugestão do deputado Renato Câmara.

De acordo com o secretário da Associação Estadual de Produtores de Mandioca, Osvaldo Cardogna, atualmente são quase 40 mil hectares de plantação do produto no Estado, por mais de mil produtores familiares. “Hoje somos o 3º no Brasil em produção, mas estamos com deficiência de indústria para o consumo. É do mercado: muita produção e pouca procura acabamos tendo que vender a preço baixo, que hoje não está pagando nem a produção. Pedimos ajuda porque somos pequenos”, afirmou Osvaldo.

O deputado Renato Câmara (PMDB) explicou que essa não é a primeira crise que o setor da mandiocultura enfrenta. “Esse é um setor de altos e baixos e agora com a crise é o momento de discutir e de pavimentar um novo caminho para conseguir mudar essa realidade”, ressaltou o deputado.

Renato Câmara acrescentou que o problema a ser tratado de imediato é o financiamento. O Banco do Brasil financiou centenas de produtores e agora o produtor não tem como pagar essa dívida. Um segundo ponto também urgente é a questão do preço mínimo da mandioca, que hoje está abaixo dos custos de produção. O preço mínimo é estabelecido pelo Ministério da Agricultura com base nos dados da Conab. “Se o mandiocultor vender o seu produto nesse preço mínimo, não consegue pagar seus custos de produção”, explicou o deputado.

Uma das soluções pensadas pelos deputados membros da Comissão de Agricultura e colocada em debate na audiência é a criação de um projeto de lei para incluir de 3% até 10% de farinha de mandioca no produto final da farinha de trigo.

Representantes do setor do beneficiamento do trigo sugeriram a não obrigatoriedade no projeto de lei. “Não somos contra o projeto, somos contra obrigar. Isso pode ser optativo, pois corremos o risco de prejudicar certos produtos com o uso de uma farinha modificada, como o pão francês, que é o carro chefe da nossa produção”, destacou o vice-presidente do Centro Oeste da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria, Paulo Sérgio Dias Lopes.

Também participou da audiência o representante do Banco do Brasil, gerente Rafael Remonti, que explicou que em situações de crise os produtores podem pedir a prorrogação da dívida do financiamento em até cinco anos. “Basta procurar a agência e após um estudo técnico, se ficar comprovado a necessidade, podemos estender. Atualmente 93% dos contratos são com pequenos produtores. Da safra de 2013 a 2015 foram R$ 50 milhões em empréstimos”, destacou.

Por parte do governo Estadual, o secretário de Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul, Fernando Lamas, se comprometeu a levar a demanda ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para buscar soluções em políticas públicas.

“Estamos sensibilizados com a discussão e precisamos pensar em diversificar a produção para que ela seja sustentável economicamente. O desafio é por fim na sazonalidade do preço, pois em crises ocorrem sequelas profundas, tem produtor que tem que vender os bens para pagar o financiamento. Nós vamos estudar canais para fora do Brasil ou até mesmo como limitar a produção para não sofrer essa demanda excessiva. O governo vai levantar propostas para atrair indústrias beneficiadoras também”, concluiu.

Após o debate, o deputado Renato Câmara afirmou que as ideias e propostas apresentadas durante a audiência serão trabalhadas pela Comissão de Agricultura, da qual ele é membro, para serem feitos os encaminhamentos aos responsáveis.


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