Menu
Busca terça, 24 de novembro de 2020
(67) 99659-5905
ARTIGO

Amor Verde e Amarelo

20 novembro 2020 - 09h31Por Rodolpho Barreto

A nossa Constituição Federal, no seu artigo primeiro, diz que: "A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:  I -  a soberania; II -  a cidadania; III -  a dignidade da pessoa humana; IV -  os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V -  o pluralismo político." República? União indissolúvel? Vamos refletir? 

Segundo os historiadores, a chamada Proclamação da República Brasileira foi um levante político-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, destituindo o então chefe de estado, o Imperador Dom Pedro II. A proclamação da república foi, portanto, este acontecimento marcante na história de nosso país, trazendo muitas mudanças significativas nas estruturas dos poderes constituídos até então. Com a implantação do federalismo, o estabelecimento do sufrágio universal masculino, o fim do voto censitário, a implantação do chamado "Estado laico" e o estabelecimento do presidencialismo como regime de governo, deixamos de ser monarquia para sermos república. Na época, o Marechal Deodoro da Fonseca foi convencido a derrubar o Gabinete Ministerial e acabou tornando-se o primeiro Presidente do Brasil. 

A década de 1890 ficou marcada como um período de conflitos, tendo em vista a disputa entre monarquistas e republicanos e as divergências entre os diferentes interesses políticos que lutavam pelo poder na recém-instalada república. Diante deste fato, pensava o escritor português Eça de Queirós, no fim do século XIX, que acabaria também a unidade do Brasil. Escreveu ele que "cada Estado, abandonado a si mesmo, desenvolverá uma história própria, sob uma bandeira própria, segundo o seu clima, a especialidade da sua zona agrícola, os seus interesses, os seus homens, a sua educação e a sua imigração". 

No entanto, o sociólogo Gilberto Freyre entendeu que Eça de Queirós errou redondamente pois, segundo ele, "existia entre a gente do Brasil, do Norte ao Sul do país, uma unidade nacional já tão forte, quanto às crenças, aos costumes, aos sentimentos, aos jogos, aos brinquedos dessa mesma gente, quase toda ela de formação patriarcal, católica e ibérica nas predominâncias dos seus característicos, que não seria com a simples e superficial mudança de regime político que aquele conjunto de valores e de constantes de repente se desmancharia!" Desta forma, podemos concluir que a união nacional mantida após a inauguração da república federativa não foi um ato político, mas um ato de AMOR e de união do povo brasileiro à terra e UNS AOS OUTROS, apesar das naturais diferenças que existiam (e ainda existem) entre nós.

O Brasil é um país continental, mas que se mantém unido, grande, vibrantes e pulsante, mesmo com muitas adversidades e divergências. Todos passamos juntos por diversas dificuldades históricas, como a atual pandemia, que também certamente vamos superar - e esperamos fazer isso, entre erros e acertos, da melhor e mais rápida forma possível. 

Tivemos as eleições, mas o nosso papel como cidadão brasileiro não é só votar num candidato de preferência e ficar em casa esperando os resultados. Lamento informar, caso você, querido(a) leitor(a), ainda não saiba, mas as nossas vidas não serão resolvidas por nenhum político escolhido, como num passe de mágica, da noite para o dia, no simples apertar de um botão de uma urna eletrônica. Se você tem alguma ilusão de mudança apenas por exercer tão somente o ato de votar, acabe com ela. A votação é um direito conquistado e um importante dever cívico a ser cumprido, mas apenas um movimento inicial de cidadania, uma ponta do grande iceberg da democracia, uma pequena parte do conjunto de todos os deveres e responsabilidades que nos cabem. Ser cidadão brasileiro de verdade vai muito além de um voto.

Que possamos fazer a devida conscientização a respeito dos nossos deveres perante a nossa terra e nosso povo! Somos uma nação de milhões e cada um de nós faz parte deste gigante país! A manutenção da nossa união, após a proclamação da república, foi uma comprovação de amor à pátria pelos brasileiros. A pátria é como uma mãe. Toda mãe quer ver seus filhos como irmãos unidos, convivendo, trabalhando e aprendendo juntos. Esta renúncia ao individualismo em benefício do coletivo é a nossa cota de patriotismo, o nosso sacrifício em prol de um bem maior chamado Brasil. Este é o nosso desafio e a nossa força: seguir, evoluir e permanecer juntos. 

Sendo assim, que tal proclamar mais amor (união) em sua vida? República tem tudo a ver com amor: a palavra é derivada de "res publica", uma expressão latina que significa literalmente "coisa pública". O termo se refere a uma coisa que é mantida por um conjunto de muitas pessoas. Todo bem público é uma conquista da contribuição e colaboração de muitos, que deve ser cuidado e preservado por todos. É preciso muito amor para uma "coisa pública" tão grande como a nossa permanecer unida e funcionando, não acham? O amor, ao qual me refiro aqui, não é para ser entendido na sua forma romântica ou vulgar, mas o amor no seu significado mais prático e universal, ou seja, o amor-trabalho, o amor-paciência, o amor-perseverança, o amor-tolerância, o Amor-União!

Fica a reflexão. Antes de pensar como anda a grande República do Brasil, reclamar, criticar, apontar o dedo, que tal pensar como estão as pequenas repúblicas da nossa casa, do nosso ambiente profissional, da nossa comunidade? Tem se esforçado por manter a união e bom funcionamento nestes "pedacinhos" do nosso gigante Brasil? O meu papel para com o país que me acolheu é de apenas proclamar (reclamar) o que eu quero e como eu acho que deveria ser? Ou a minha responsabilidade (dever) de cidadão, filho desta nação verde e amarela, não seria o compromisso de colaborar o melhor que eu puder para fazer acontecer o bem-comum que todos almejam? E as diferenças? São para somar ou dividir? Já pensou que talvez as nossas diferenças sejam o nosso grande diferencial? Somos verdes, somos amarelos, somos brancos, somos negros, somos índios, americanos, europeus, japoneses, somos um caldeirão de culturas, de raças, de forças, somos um e somos muitos, somos criativos, somos calorosos, somos o povo mais misturado e mais alegre do planeta! E, ainda assim, cheio de diferenças, continuamos unidos, formando a grandiosa República Federativa do Brasil!

Gosto da simbologia das peças de um quebra-cabeças. As peças são diferentes entre si. Mas quando somadas e devidamente encaixadas formam o conjunto imenso de uma grande e bela imagem, a qual seria impossível se não fosse a participação de cada peça, no seu devido lugar, cumprindo o seu papel, fazendo a sua parte! Essa é a verdadeira república, buscar encaixar e somar ao coletivo para formar a família, a empresa, a sociedade, enfim, a nação! Então proclame (construa) mais trabalho, amor e união em sua vida! Vamos juntos, sempre juntos! Avante!

Instagram: rodolphobpereira

Whatsapp: (51) 9 8616-3132

Deixe seu Comentário

Leia Também

Estuprada pelo cunhado, adolescente será ouvida em depoimento especial
JUSTIÇA
Mãe e filho são proibidos de publicar ofensas em rede social
Ex-prefeito de cidade paulista condenado por estupro é preso na fronteira
PEDRO JUAN
Ex-prefeito de cidade paulista condenado por estupro é preso na fronteira
EDUCAÇÃO
Cerimônia de premiação do Inova-UEMS será no dia 02 de dezembro
Travestis são presas por agredir motorista de aplicativo e destruir carro
CAMPO GRANDE
Travestis são presas por agredir motorista de aplicativo e destruir carro
COVID-19
Comissão do Congresso quer ouvir Pazuello sobre testes encalhados
PONTA PORÃ
Briga por causa de cachorro termina em morte a tiros na fronteira
REGIÃO
Governo entrega veículos para produção de erva-mate na fronteira
CAPITAL
Assassina diz que jogou chargista de escada após levar tapas na cara
AVANÇO DA PANDEMIA
Brasil registra 638 mortes por Covid em 24 horas e ultrapassa 170 mil

Mais Lidas

DOURADOS
Carro invade parque no final da Avenida Marcelino Pires, cai em valeta e pega fogo
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Homem ameaça ex com faca e apanha de vizinhos em Dourados
DOURADOS
Homem é preso após tentar atropelar policiais em abordagem na BR-163 
DOURADOS
Mulher é presa após atear fogo na casa do ex-marido, cadeirante