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HISTÓRIA

Agepen diz quem são as pessoas que dão nome a presídios de Mato Grosso do Sul

14 janeiro 2020 - 09h31Por Redação com Agepen

A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) completou 41 anos de existência no dia 1º de janeiro. Responsável pelo gerenciamento de 42 unidades prisionais, distribuídas em 20 cidades de Mato Grosso do Sul, decidiu contar as histórias de personalidades, entre servidores penitenciários, agente religiosa, defensor público, advogado criminalista, policial militar e delegados de Polícia Civil que dão nome a 9 delas.

A penitenciária segurança máxima de Campo Grande carrega o nome de uma pessoa considerada exemplo como servidor por seus colegas da época. Jair Ferreira de Carvalho atuou em unidades prisionais de Mato Grosso do Sul por quase 20 anos, entre eles como diretor da Máxima, sempre demonstrando comprometimento com a instituição. Era formado em Direito e respondia como chefe da Divisão de Estabelecimentos Penais do Departamento do Sistema Penitenciário (DSP) quando teve sua vida interrompida no ano de 1997, em uma emboscada a tiros.

A homenagem, concedida em 2001, foi fruto de pedido daqueles que conviveram com ele em seu local de trabalho. No relato de seus companheiros de profissão, a figura de um homem que tinha a vocação para atuar na lida diária com o sistema prisional. Na justificativa apresentada pelos colegas, sua ficha funcional impecável, registrada com “dignidade, honestidade, seriedade e muita responsabilidade”.

Com isso, Jair Ferreira de Carvalho deixou eternizada sua história não só na lembrança, como no dia a dia profissional dos que vivem, direta ou indiretamente, a rotina de um dos maiores e principais presídios do Estado.

Assim como no caso de Jair, nomear um prédio público é uma forma de homenagear pessoas que prestaram relevantes serviços à sociedade e se destacaram nesta missão.

Em Campo Grande, o Centro de Triagem “Anízio Lima” presta reverência a um servidor da primeira turma da Agepen, que faleceu em 1979, em um acidente de carro durante uma perseguição a detentos foragidos do Instituto Penal de Campo Grande, conforme relatos de companheiros que trabalhavam com ele na época. Com isso, Anísio é considerado o primeiro servidor penitenciário de Mato Grosso do Sul a morrer em serviço.

A freira Irma Zorzi foi uma agente religiosa assídua e dedicou grande parte de sua vida em visita às unidades penais, levando palavras de conforto e espiritualidade aos internos. A irmã também participou ativamente  apoiando o trabalho ao preso, desde a antiga Cadeia Pública até a criação do Instituto Penal de Campo Grande, quando foi inaugurado o pavilhão de trabalho chamado “Ampare”, que era administrado pela Igreja Católica.

Considerada o “anjo da guarda da cadeia”, desde 1974, Irma trabalhou em período integral na Cadeia Pública auxiliando e atendendo aos presos, além disso, foi vice-presidente da Ampare dos Encarcerados. Faleceu em 1990, aos 79 anos, com problemas cardíacos. Cinco anos depois, foi homenageada com o nome da unidade penal feminina de regime fechado da Capital.

No aniversário de 100 anos de Campo Grande, a Irmã Irma Zorzi recebeu uma homenagem póstuma entre as cinco mulheres que mais trabalharam por Campo Grande. Por sua dedicação à educação e às pessoas, também deu nome a uma escola municipal.

Interior

A Colônia Penal Industrial, unidade regime semiaberto masculino de Três Lagoas, foi denominada Paracelso de Lima Vieira Jesus. Servidor do sistema prisional, de 1980 a 1997, atuou como Agente de Segurança, Oficial de Segurança, diretor da Casa do Albergado e Chefe de Vigilância do Antigo Estabelecimento Penal de Três Lagoas. Em julho de 2008, faleceu em um trágico acidente automobilístico e, como forma de respeito e admiração pelo relevante trabalho desenvolvido, foi realizada esta homenagem no final de 2009. Seu nome também foi indicado a pedido de companheiros de profissão.

Carlos Alberto Jonas Giordano foi defensor público em Corumbá, passou grande parte de sua vida prestando serviços ao sistema prisional. Após falecer em um acidente de carro, foi homenageado pelas autoridades com nome do presídio feminino da cidade.

Em Ponta Porã, a unidade penal recebeu o nome de Ricardo Brandão, que foi formado em Direito e batalhou desde jovem pela democracia, ingressando em movimentos que combatiam os ideais da revolução de 1964. Por muitas vezes foi preso por lutar por seus ideais, mas mesmo assim, manteve-se como um dos líderes que não aceitavam a ditadura militar. Além disso, Ricardo Brandão foi um dos grandes criminalistas de Mato Grosso do Sul.

Já Máximo Romero deu nome ao Estabelecimento Penal de Jardim, criado em 2008, pelos relevantes serviços prestados ao Estado de Mato Grosso do Sul. Pai de cinco filhos, entre eles Hilton Villasanti Romero (diretor-presidente da Agepen de abril de 2007 a agosto de 2008), que também batalhou pela homenagem ao seu pai, já que Máximo Romero foi figura importante para a segurança pública na região, exercendo, entre outras funções, o cargo de delegado de polícia em Porto Murtinho, Bonito e Guia Lopes da Laguna, bem como Delegado Regional de Polícia de Jardim.

Em 2002, o Estabelecimento Penal Feminino de Jateí recebeu o nome de Luiz Pereira da Silva. Luiz Soldado, como era conhecido, atuou por três décadas “com zelo, presteza e honestidade”, e mesmo depois de aposentado continuou a prestar serviços como Comandante da Guarda-Mirim do município. Por ter participado da história de Jateí e ser sempre lembrado pelos moradores jateienses, a denominação do estabelecimento penal foi uma forma de perpetuar seu trabalho e dedicação.

Mais nova unidade a ter administração assumida pela Agepen, em maio de 2018, o prédio do Estabelecimento Penal Masculino de Regime Fechado de Ivinhema recebeu o nome do delegado de Polícia Civil Hoston Belizário, que conquistou reconhecimento público da população ivinhemense até o fim de sua vida, aos 78 anos, em 2005, ainda residindo no município. O Decreto com o nome do prédio foi publicado em maio de 2017, quando a cadeia pública ainda estava sob administração da Polícia Civil.

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