Depois que o ex-governador André Puccinelli reinventou a palavra “alvorecer”, um manto crepuscular baixou sobre a classe política de Mato Grosso do Sul. Há dias, personagens dos mais diversos - e que habitam praticamente toda a sopa de letras partidárias do Estado -, vivem a angústia de serem convidados a dar alguma explicação à Polícia Federal, aos ministérios públicos, ao Gaeco e, quem sabe mais à frente, às instâncias superiores da Justiça por conta da Operação Lama Asfáltica
O processo será mais ou menos longo, mas haverá tempo suficiente para abater em pleno voo pretensões de pré-candidaturas à prefeitura de Campo Grande e de outros municípios de maior importância. Assessores inquietos dos principais envolvidos nesta história afirmam que, por enquanto, tudo “são suposições”.
As gravações telefônicas e vídeos divulgados aqui e ali dão conta de que existe algo de podre no reino da Dinamarca. Mas as provas cabais – prometem - virão nas próximas semanas, depois do aprofundamento das investigações. Por enquanto, políticos de quase todos os partidos e seus notórios operadores, vivem o pânico da expectativa dos inquéritos, das denúncias, das avaliações sobre delações premiadas, enfim, do mesmo roteiro já conhecido da famosa Operação Lava Jato.
Digamos aqui, para efeito de ilustração, que a Lama Asfáltica tenha o mesmo modus operandi da Lava Jato, só que em proporções domésticas, com gente mais tosca, com valores menores, apesar de que há relatos que mostra que nos últimos 18 anos o dinheiro da corrupção local pode ter ultrapassado várias arrecadações anuais em valores atualizados. Como diria o Paulo Francis, “se queres o exemplo, olhem os monumentos em volta!”.
Não gostaria neste momento – até porque isso é papel do ministério público e do judiciário – de apontar este ou aquele chefete político pelas orgias havidas entre o público e o privado.
O que sei, por longa experiência nesta terra, é que ninguém – ninguém mesmo! - pode bater no peito e se dizer vestal por esses tempos. Tanto é assim que depois que a PF fez as batidas nas casas dos principais personagens envolvidos e começou a fazer divulgação seletiva de informação não se ouviu um pio real da classe política e de seu entorno contra ou a favor de qualquer coisa.
É certo que o deputado Federal Zeca do PT cacarejou contra a inação do nosso ministério público estadual em relação ao assunto – no que tem toda a razão -, mas ele, mais do que ninguém, sabe que a carne é fraca e que falar é fácil. Quem resiste aos amorins, ivanildos e bairds da vida?
A corrupção em todo o Brasil tornou-se sistêmica. Isso não é novidade. Trata-se de um modelo de negócio inserido na cultura do submundo de nossas mais variadas camadas sociais. Propina, lavagem de dinheiro, superfaturamento de obras e serviços, tudo isso acontece dentro de um processo “natural” entre iniciativa privada e setor público. Qualquer projeto estatal traz incluídos valores adicionais para o pagamento de propinas.
A questão moral adjacente entra por conta dos contrastes entre a pobreza social reinante e o enriquecimento ostensivo de pessoas destituídas de méritos, mas dotadas de um arrivismo assustador. Esses caras tem tanta certeza da impunidade que não se rogam em ostentar o consumismo conspícuo, mesmo em tempos de redes sociais e em lugares provincianos como Campo Grande.
O sujeito não rouba mais só para ficar rico. Ele rouba para mostrar que se tornou rico porque foi mais esperto que a patuléia, e soube se relacionar com pessoas que tinham a chave do cofre. Em momentos de profunda desconfiança e ressentimento social não é preciso explicar (nem desenhar) os resultados práticos desse processo.
A pergunta que fica é a seguinte: depois que o dia escurecer novamente alguma coisa vai mudar? Difícil acreditar que sim. A prática delitiva pode até atenuar, mas como controlar pessoas que consideram que o salário do serviço público é uma miséria e que receber seu quinhão de empreiteiras e quejandos nada mais é do que um reconhecimento justo pelo seu esforço e trabalho pelo desenvolvimento de nossa terra?
As agruras de ser vice
O famoso dito de que “ser vice é pior do que tomar cuspe fervendo” serve como uma luva ao fato de o governador Reinaldo Azambuja ter enviado a professora Rose para o encontro com Dilma, na semana passada, em evento em Brasília, que não serviu para coisa nenhuma. Ele foi terrivelmente esperto e ela (Rose) deve ter percebido seu “papel” na hora de cumprir protocolos indigestos que o titular não está disposto a encarar.
*Articulista
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