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DEPOIMENTO

Acusado de matar o tio diz ter agido para proteger a família

16 dezembro 2019 - 20h50Por Da Redação

O comerciante Miguel Arcanjo Camilo Junior, de 32 anos, acusado de matar a tiros o tio Osvaldo Foglia Júnior, de 47 anos, em julho deste ano disse ter agido para proteger a família. Segundo o site Campo Grande News, a declaração ocorreu durante audiência realizada nesta segunda-feira, dia 16 de dezembro, na 2ª Vara do Tribunal do Júri, de Campo Grande.

“Não gostaria que tivesse acontecido. Gostaria que tivesse acabado de forma diferente. Só queria proteger minha esposa e minha filha”, declarou Miguel afirmando ter sido ameaçado de morte durante todo aquele dia.

Segundo Miguel, as ameaças feitas pelo tio estavam relacionadas a cobrança de uma dívida de R$ 150 mil. A dívida não foi contraída pelo acusado, mas por um parceiro comercial dele. Ele teria assinado três cheques no valor de R$ 50 mil esperando receber o valor deste outro homem, como o pagamento não foi realizado ele passou a ser ameaçado.

No dia 16 de julho, Osvaldo Foglia Junior, 47 anos, foi morto a tiros em uma conveniência na Rua Marquês de Lavradio. Ele foi até o local cobrar uma dívida do sobrinho. Os dois acabaram discutindo e Miguel disparou várias vezes contra Osvaldo. Ele morreu na hora.

Logo após o crime, Miguel fugiu em um veículo Chevrolet Camaro, e abandonou o carro no quintal de uma residência no bairro Cristo Redentor. No dia 22 de julho, ele acabou preso pela Polícia Civil.

Dívidas, ameaças e agiotagem - Além de Miguel, prestaram depoimento hoje outras nove pessoas, entre a esposa de Miguel, funcionários dele ou parceiros comerciais. Todos de defesa.

O teor das declarações foi semelhante. Miguel e o tio eram íntimos, faziam negócios juntos e nos últimos meses a relação dos dois tinha estremecido.

Este abalo na relação entre os dois foi causado pela abertura de uma mala de Osvaldo. A bagagem estava sob a responsabilidade do acusado durante uma viagem do tio e foi aberta pela esposa de Miguel.

De acordo com eles, a bolsa estava trancada com cadeado e foi aberta com auxílio de uma faca porque a mulher não sabia de quem era. Dentro, foram encontrados documentos e contratos que indicavam supostas atividades de agiotagem feitas por Osvaldo.

As investigações feitas pela polícia na ocasião apontaram que Miguel atuava como laranja do tio. Durante a audiência de hoje, ele confirmou que Osvaldo colocava imóveis no nome dele, mas porque tinha dívidas trabalhistas. Ele disse ainda que na ocasião nem sabia que se tratava de crime.

Miguel disse que o tio tinha temperamento explosivo e o estava ameaçando desde a abertura dessa mala, mas a situação piorou quando o pagamento da dívida não foi realizado. “Falou que ia tirar minha família”, declarou.

O crime

Uma pistola 380 foi usada por Miguel para matar o tio. Ele conseguiu a posse da pistola para usar no comércio dele no primeiro semestre deste ano. Segundo ele, a arma ficava no balcão, mas naquele dia estava na cintura porque ele precisava movimentar dinheiro.

Após esta audiência, o juiz responsável pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Aluizio Pereira dos Santos deve fazer as alegações finais e decidir se Miguel será levado à júri popular. Isto deve ocorrer no início do próximo ano.

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