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ARTIGO

A vida boa de ser vivida - e que está ao alcance de todos!

25 setembro 2021 - 10h45Por Rodolpho Barreto

A cada 40 segundos alguém comete suicídio, alcançando o índice de 800 mil mortes por ano, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em especial, a depressão, chamada por muitos de "a doença do século", vem atormentando milhões de pessoas, sendo uma das grandes causas do suicídio. 

Estudos revelam que as diversas patologias mentais e psicológicas podem ser evitadas e tratadas. O estilo de vida é determinante na prevenção. No entanto, o desgosto de viver parece ter contaminado grande parcela da população mundial. Surpreendentemente, muitos suicidas são jovens, bonitos, saudáveis e das classes média e alta. Vamos refletir?

Diversos fatores são responsáveis pelos conflitos existenciais que devoram a intimidade do ser, destacando-se, na atualidade, a poderosa influência externa das "redes" sociais (virtuais, midiáticas e comerciais), que nos colocam uma série de "exigências", como se fossem requisitos de uma vida "aceitável", um padrão a ser seguido pelos chamados "seguidores" de uma tendência, sem a qual você não pode alcançar a "felicidade" prometida. Uma verdadeira armadilha: para ser feliz, você precisa ter isso ou aquilo? Ou estar em tal ou qual circunstância? 

No entanto, há um esquecido fator de felicidade, um estado de alma, uma forma de viver mais realista, pura e verdadeira, que vai na contramão do que é vendido pela sociedade moderna, consumista, acelerada, ansiosa, materialista, individualista e imediatista. É o conceito de que Vida Feliz é Vida Simples. Quanto mais simples, mais feliz. Simples assim?

Simplificar a vida não é uma questão material. Ser simples é um estado de espírito, um jeito de ser, que carregamos no íntimo. Simplificar a vida é dar mais valor ao que é essencial. É entender o que é realmente necessário e o que é supérfluo. É poder ter uma vida exterior comedida, sem exageros, e uma vida interior rica de valores elevados. É aprender a concentrar nosso tempo, nossa energia, nossos recursos e nossos esforços naquilo que realmente importa para cada um de nós, pois, muitas vezes, mantemos o foco em detalhes sem importância. 

É saber, portanto, que qualidade de vida não tem nada a ver com padrão econômico. Ao contrário, ter um alto poder aquisitivo, muitas vezes, é o que leva as pessoas a um consumismo exagerado, complicando-se e afastando-se do que realmente traz qualidade para a vida: a simplicidade. Não precisamos desempenhar papéis que a sociedade nos impõe e nem buscar sempre consumir o que nos indicam. Quem pode nos determinar o que é preciso ter para "ser feliz"? Bom mesmo é ser feliz sem precisar. Felicidade verdadeira não é ter algo ou alguém, mas, simplesmente: ser. 

Os excessos de toda ordem, sejam eles de consumo, de alimentação, de trabalho (ou de ociosidade), nos fazem perder a leveza e dificultam o nosso bem-estar. Qualidade de vida é viver de forma equilibrada, valorizando o que realmente tem valor para cada um de nós. A jornalista Leila Ferreira publicou um texto na internet sobre a obsessão atual com o melhor, onde enfatiza que hoje o bom não serve mais.

Tudo tem que ser o melhor? A melhor marca, o melhor emprego, o melhor computador, o melhor marido, a melhor esposa e por aí vai. Ela comenta que nessa busca incessante pelo melhor, o bom passou a ser pouco, o que gera uma eterna insatisfação e impede que desfrutemos do que já conquistamos. Estamos desaprendendo que ter menos, por vezes, é mais do que suficiente. Menos é mais. Menos coisas, mais vida!

Podemos não ter a melhor casa, mas ela pode ser um lar acolhedor, que nos dá segurança e tranquilidade. Podemos não ter o melhor emprego, mas com ele nos tornamos úteis e pagamos as contas. Talvez não tenhamos o corpo que gostaríamos, mas é esse corpo que nos serve à caminhada terrena e conta belas histórias de uma vida. Valorizar cada conquista é escolher ser simples.

A história de Sidarta Gautama, considerado o fundador do Budismo, há mais de 2.600 anos, ilustra bem a ideia da simplicidade. Sidarta, com poucos dias de vida, ficou órfão de sua mãe. Seu pai, o rei, fez com que o filho vivesse uma vida somente entre as paredes do castelo, com muitos luxos e prazeres, afastando-o assim de todos os problemas e sofrimentos do mundo. 

Um dia, porém, Sidarta, já moço, fugiu do palácio e teve contato com a doença, a miséria, a morte e diversas situações de dificuldades que ele desconhecia. Diante dessa realidade, ele entrou em uma crise existencial, abandonou tudo e resolveu viver entre os mais pobres, sem planejamento ou trabalho, de forma totalmente dependente do meio: se tivesse comida, comia; se tivesse água, bebia; se tivesse que passar fome e sede, passava. 

No entanto, ainda não encontrava a paz que desejava e o sofrimento o fez repensar no sentido das privações pelas quais estava passando. Depois de muito meditar, percebeu que a chave do viver estava no equilíbrio, onde todas as situações, prazerosas ou dolorosas, tinham algo a ensinar, contribuindo ao crescimento espiritual do ser.

Recordemos a pureza de Jesus Cristo, que sempre ensinou com simplicidade e humildade. Utilizou-se de exemplos singelos para transmitir grandes ensinamentos. A sua mensagem estimula nossas mentes e corações a dar valor ao amor, que está relacionado às coisas mais simples da vida. Jesus nos ensina a viver de forma digna e de acordo com as nossas reais necessidades. Não importam os trajes, as posições sociais ou os bens materiais com que nos apresentemos ao mundo. Felicidade rima com simplicidade! 

Mas o que ocorre quando somos cada vez mais exigentes da vida e dos outros, menosprezando os infinitos recursos e potencialidades que já temos? Colhemos o que plantamos. Desenvolvemos internamente as "doenças da alma" (inveja, ciúme, indiferença etc), que serão as grandes causadoras das doenças mentais e físicas. 

"Dentre os estados da alma que anunciam sinal vermelho no trânsito da existência, a angústia se destaca na condição de grande perigo. Crepúsculo da esperança, a presença da angústia inunda de sombras o claro sol da razão, gerando perturbação para o discernimento - e desinteresse para o prosseguimento da luta. Má conselheira, afasta a sua vítima do bom convívio social. Alienando-se da realidade, o homem em crise de angústia encontra-se a um passo da autodestruição física. Porque da vida ele somente vê o lado negativo e apenas anota as impressões desagradáveis, tal enfermo necessita de socorro urgente, que ele próprio deve buscar, embora com gigantesco esforço, bem como por meio da ajuda dos familiares que o devem assistir com paciência e meios especializados. 

Sem descartarmos a terapia médica, sugerimos ao paciente de angústia um esquema de emergência que lhe resulta em salutar recuperação: a caridade, o servir no bem. Não faltam os enfermos do corpo e da alma aguardando uma presença amiga e confortadora. Os tombados nas ruas da miséria econômica e moral, que suplicam, em silêncio ou ostensivamente, uma ajuda, mínima que seja. Portanto, se a angústia tentar aninhar-se nos teus sentimentos e dominar-te a mente, reage com todas as tuas forças e sai a ajudar o próximo. O contato com aqueles que mais sofrem do que tu, te despertará para a alegria de viver, ensinando-te a agradecer a Deus esta oportunidade e ganhá-la com ânimo e trabalho." {Joanna de Ângelis}.

Para uma vida mais saudável e verdadeiramente feliz, precisamos cada vez mais compreender: não somos aparência, somos essência! Não estamos aqui para apenas passear, gozar e usufruir, mas para aprender, trabalhar e evoluir! Não somos matéria, somos energia! Não viemos para acumular, viemos para compartilhar! 

A vida boa de ser vivida não é medida pelos bens que julgamos ter a receber, mas pelo bem que já podemos (e devemos) fazer, por nós próprios e pelo mundo à nossa volta! O bem de que precisamos, para viver bem, não virá de algo ou de alguém, mas de nós mesmos! Assim como o maior mal a ser temido (e combatido) é aquele que ainda mora dentro de nós. 

"Lembre sempre que os seus fracassos são os melhores professores e é nos momentos difíceis que as pessoas precisam encontrar uma razão para continuar em frente. As nossas ações, especialmente quando temos de nos superar, fazem de nós pessoas melhores. A nossa capacidade de resistir às tentações e aos desânimos para continuar o caminho reto é o que nos torna pessoas especiais. Ninguém veio a essa vida com a missão de juntar dinheiro e comer do bom e do melhor. Ganhar dinheiro e alimentar-se faz parte da vida, mas não pode ser a razão da vida.

Tenho certeza de que pessoas como Martin Luther King, Mahatma Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e tantas outras, anônimas, que lutaram e lutam para melhorar a vida dos mais fracos e dos mais pobres, não estavam motivadas pela ideia de ganhar dinheiro. Infelizmente, muita gente distorce o sentido de sua existência, pensando que acumular bens e prazeres materiais é o objetivo da vida. E quando chega ao final do caminho, percebe que só vai poder levar daqui o bem que fez às pessoas. Se você tem estado angustiado, sem motivo aparente, está aí um aviso para parar e refletir sobre o seu estilo de vida. Escute a sua alma: ela tem a orientação sobre qual caminho seguir. Tudo na vida é um convite para o avanço e a conquista de valores, na harmonia e na glória do bem." {Roberto Shinyashiki}

Para uma verdadeira qualidade de vida, importante e urgente, como medida preventiva de saúde integral do ser, treinarmos o padrão mental de ressaltarmos o lado bom das pessoas e situações, descartando, perdoando, relevando ou desconsiderando tudo aquilo que julgamos ruim. Fundamental a aceitação da vida como ela é, sem acomodação, conformismo ou lamentação, fazendo sempre a parte que nos cabe para melhorá-la. Imprescindível não alimentar ressentimentos e dedicar-se ao trabalho, ao serviço, ao servir uns aos outros! 

Quem concentra os seus esforços para amar não encontra tempo para reclamar! Assim, vamos afastando e derrotando o mal, pelo Bem, cultivando otimismo, esperança e alegria de viver. "O simples fato de olharmos de frente para o que chamamos o mal, o perigo, a dor - com a resolução de os afrontarmos, de os vencermos - diminuem-lhes a importância e o efeito." {Léon Denis}

"De ânimo forte, sempre! Não estamos na obra do mundo para aniquilar o que é imperfeito, mas para completar o que se encontra inacabado. Renovemos para o bem, transformemos para a luz. O Supremo Pai não nos concede poderes para disseminar a morte. Nossa missão é de amor infatigável, para a Vida Abundante. 

Ergue-te a cada manhã para servir e deixa que teu coração compreenda e ampare, reconforte e auxilie. Perceberás, deste modo, que o Senhor te chamou como és, com o que tens, onde te encontras e como te encontras, para seres uma bênção entre Ele e os outros - traço de união entre a Terra e os Céus. Nada entenderemos da luz de Deus, que nos sustenta a vida, sem despertarmos a luz em nós." {Chico Xavier}

*O autor do artigo é palestrante e escritor nas áreas de desenvolvimento pessoal e espiritualidade. Adquira o livro beneficente "Palavras de Luz". Saiba mais, entre em contato. Instagram/Facebook: @rodolphobpereira

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