A tilápia é um peixe diferente. Colonizou as águas doces em uma era geológica recente, é um peixe do mar que vive em água doce. Observando bem, a gente percebe que a tilápia tem cara de peixe do mar. Isto reflete no seu sabor, destinado a um paladar mais universal, daí a sua boa reputação em todos os países do mundo.
A tilápia que conhecemos é uma mistura de várias espécies de tilápia. Todas elas viviam em ambientes de água salobra. Assim elas podem se adaptar tanto em água doce como em água salgada. Mas o ótimo é sempre água salobra.
Há inúmeros vídeos no YouTube mostrando tilápias colonizando a água do mar, provavelmente peixes que escaparam do cativeiro, e que vivem e crescem nas praias. Virou moda falar mal das tilápias no mar, mas a verdade é que mesmo que haja condições de crescimento, estas tilápias não conseguem se reproduzir no mar. Ou seja, qualquer dano é temporário. O mesmo ocorre nos rios e reservatórios, quase não há relatos de colonização bem sucedida. No entanto, foi utilizada largamente no nordeste no povoamento dos açudes artificiais, onde ela se deu bem, e serviu de fonte de alimento para aquelas populações humanas.
E nas pisciculturas, onde aparecem numerosas, adquirindo status de praga. Lá elas reproduzem o tempo todo.
Um grande esforço é realizado em piscicultura no intuito de evitar o excesso de reprodução. A reversão sexual, ou masculinização das tilápias é o principal deles, mesmo assim não é suficiente, exigindo a introdução de peixes carnívoros como o nosso Dourado. Estamos falando de tanques escavados, em tanques redes não há problemas.
O peixe é complexo, mas hoje é responsável por mais de 70% dos peixes produzidos em piscicultura no Brasil. Estima-se mais de 80 espécies sendo criadas em piscicultura no Brasil, e a tilápia domina, soberana, sobre todas.
É o peixe que permitiu que diminuíssemos a importação. Vocês se lembram, tinha peixe do mundo todo: Vietnã, Chile, Alasca, Noruega, Argentina. Nossas peixarias foram invadidas por peixes no mundo todo. Agora não, a tilápia dominou as peixarias. E equilibrou nossa balança comercial.
Infelizmente não atendeu os anseios de piscicultores nacionalistas, que gostariam que este peixe, campeão de vendas, fosse uma espécie nativa.
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