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ARTIGO

A quebra da caderneta de poupança

28 dezembro 2015 - 17h35

Aquilo que parecia impossível, aconteceu. Estamos fechando o ano com a popular caderneta de poupança rendendo pouco mais de 8% e a inflação oficial batendo em quase 11% ao ano. Quem buscou a segurança do investimento garantido pelo governo – normalmente o pequeno investidor – vai resultar com seu capital defasado em mais de dois por cento.

É a mais clara demonstração de que a economia nacional necessita de grandes transformações pois a poupança, fator de prosperidade e equilíbrio para qualquer povo, resta maculada para os brasileiros. Depois de levar na cabeça, muitos dos pequenos investidores, simplesmente deixarão de investir ou procurarão outras alternativas, entre elas o dólar, que, mesmo com todos os seus problemas, mantém o poder de compra.

A inconsistente política econômica dos últimos anos que, através de renúncia fiscal e expansão temerária do crédito, alavancou o mercado e endividou a população, nos conduziu a esse estado de coisas. Somada à gastança do governo, que não consegue (e talvez nem queira) reduzir o preço de sua máquina, trouxe o Brasil inadimplente que compromete sua imagem internacional, deixando de pagar suas contribuições para organismos como a ONU e o Acordo Internacional do Café, onde está sem poder de voto, mesmo sendo o maior produtor mundial da rubiácea. Também deixa em estado de penúria suas representações no exterior, mas não abre mão de viagens nababescas da presidente e extensas comitivas que contratam caríssimos hotéis, restaurantes e limusines.

Precisamos de urgente correção de curso. Um país que mantém milhares de contratados por via política, muitos deles sem ocupação definida, não pode continuar impondo prejuízos ao cidadão que, na tentativa de proteger seu parco dinheirinho, o deposita em caderneta de poupança. Não pode continuar penalizando o empresariado que, distante das maracutaias dos grandes lobbies, até hoje só soube trabalhar e atender a um mercado dito florescente. Não pode continuar gastando mais do que arrecada e tentando, todos os dias, criar novos impostos para o cidadão pagar.

Pelo que se vê hoje, todos os esforços empreendidos durante anos pela estabilização econômica, estão sob sério risco. A inflação alta, os artifícios usados ora para privilegiar setores, ora para penalizar o trabalhador e o cidadão, nos dá a sensação de uma nação sem lei. É preciso corrigir o passo da economia com toda urgência antes que, juntada à crise política, ela se transforme na crise social que, se chegar, ninguém pode prever as conseqüências...

Dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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