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ARTIGO

A mente da mulher que trai, mas mantêm o casamento

09 março 2020 - 09h08Por Jackeline de Lara

Em tempos de tantos divórcios, onde a aceitação da separação está cada dia menos difícil, e casais que estão no segundo, terceiro, quarto casamento, está tão comum atualmente, será possível que ainda existam mulheres que ficam em um relacionamento por causa dos filhos? Será que não é desculpa, para não se separarem? Será que ela não está enganando a si mesma, e/ou o seu amante, sim amante, hoje não apenas alguns homens têm amantes, mas algumas mulheres também.

A intenção do artigo não é discutir o que leva homens e mulheres a adulterarem, muito menos julgar, a intenção pura e simples é entender a mente dessas mulheres que mantêm uma vida dupla e afirmam que por causa dos filhos continuam em seus matrimônios sem amor por seus esposos.

Levando em consideração uma vida de convivência com mulheres, entre elas as que vivem um triângulo amoroso,  me atentei à essas que afirmam não ter mais amor em casa, apenas um amor de irmão por seus companheiros, fiz um estudo de caso, onde conversei com 50 mulheres que dizem viver de “aparências”, e achei interessante a semelhança em seus argumentos.

Todas foram traídas, no início de seus casamentos, todas amavam demais seus parceiros, todas acreditam que abriram mão de sonhos, até certo ponto lutaram com tudo o que eram, e podiam para obterem a fidelidade, e o romantismo, dentro do matrimônio, até que se cansaram, desistiram, e sem pretensão, sem articular, sem esperar, surgiu alguém que de início elas rejeitaram, mas por vingança, se envolveram, achando que seria apenas uma aventura que ficaria no passado como é muito comum se ver por aí, mas elas se apaixonaram de verdade, e o que era para ser um encontro casual, vingativo, se tornou um verdadeiro romance, que em alguns casos já duram mais de 10 anos.

Para minha surpresa, embora suspirassem falando sobre seu “amor”, todas se culpam, todas vivem uma adrenalina que esbarra em desespero, todas convivem com o  medo de seus filhos, descobrirem, acreditam que o dia que forem descobertas suas vidas estarão arruinadas, e mesmo assim, se sentem incapazes de abandonar o amante.

Quando questionei o motivo de não se divorciarem, a resposta de quase todas me surpreendeu. Acreditam que no momento, precisariam escolher entre o amor dos filhos ou do homem que amam. Decidiram esperar os filhos se casarem, ou estarem maior de idade, pois não querem que os filhos carreguem na lembrança um passado de dor, mas uma vida feliz na infância e adolescência, de uma família estruturada, que viveu em paz. É necessário enfatizar que algumas traem simplesmente porque sentem necessidade de variedade de parceiros para o sexo, e nada além disso, não há envolvimento emocional.

Em relação as que afirmam que estão mantendo uma relação extraconjugal, quando instigadas a falarem o real motivo, todas afirmaram que não suportariam carregar a dor de ter “destruído”, as vidas dos filhos, alegando que os mesmos, não pediram para nascer, não têm culpa dos erros dos pais, e são enfáticas em afirmar que mãe e pai têm obrigação sim, de zelar pela saúde emocional de seus filhos até terem idade adequada para enfrentar determinados problemas.

Perguntei se em relação aos seus esposos tinham algum peso de consciência, e para minha surpresa, a maioria disse que não. Elas acham que os pais de seus filhos são merecedores de tudo, traíram e estão apenas vivendo o resultado dos próprios erros, e que nunca as amou, pois acreditam que quem ama não trai então o único inconveniente são para elas os filhos, e seus familiares.

Questionei sobre seus amantes, e sobre eles se sentiam sim com peso de consciência, vontade de compensá-los por suportarem seus casamentos, por as esperarem, passarem natal, festas importantes sem elas, e até serem obrigados à assistirem suas fotos familiares em redes sociais, em relação à esses senti que elas demonstravam tremenda dor em seus olhares, e em relação à esses, elas se emocionavam em dizer o quanto os amavam.

A princípio me parecia de uma frieza indiscutível a postura daquelas mulheres, no que diz respeito aos seus maridos, até me aprofundar em suas histórias. Todas se casaram amando, sonhando comum casamento para a vida toda, vendo esses homens como seus verdadeiros príncipes, o homem que tinham certeza que seriam últimos de suas vidas, porém, todas vivenciaram o adultério em todas as suas formas, redes sociais, telefone, flertes com colegas de trabalho, colegas de faculdade, escola, e o adultério físico, algumas sofreram agressões emocionais, e físicas, cada história não vou negar, era de se revoltar, de se amargar a alma.

Cada um tem uma forma de ver a vida, de se posicionar diante das experiências, sejam elas boas, ou dolorosas, cada ser tem uma história, um nível de evolução emocional, espiritual, um limite, e uma forma de lidar com a dor. Não julgo esses homens que torturaram suas esposas, de forma à matarem o amor que elas lhes dedicavam, apesar que em alguns casos, a Lei Maria da Penha, seria uma das alternativas, ao me ver, correta. Não julgo essas mulheres, que foram vítimas do abuso dos que deveriam dar proteção, respeito, amor, e por imaturidade, perderam suas companheiras. Não julgo os que com elas se envolveram, até porque, na maioria das situações, tiraram elas da depressão, e até do suicídio.

Todo esse trabalho me mostrou, que independentemente do que penso, não sou nada e ninguém, para ter uma opinião formada sobre situações como essas, pois andei a minha estrada, e só dela posso concluir algo, se é que posso, já em relação à essas entrevistas, e muitas outras que conheço a história mas não conversei sobre, apenas fico na torcida de que tudo de certo para elas, seus filhos, e até pelos outros envolvidos.

*Pedagoga, pós graduada em Educação Infantil e Educação Especial. Proprietária do Centro de Recreação Espaço Kid's em Dourados

 

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