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Chinês encontrado em coma em presídio morre no Rio

05 setembro 2003 - 06h21

O comerciante chinês Cham Kim Chang, que estava em coma profundo no Hospital Salgado Filho, no Méier, no Rio de Janeiro, morreu na noite de ontem. Chang foi preso no dia 26 de agosto no Aeroporto Internacional Tom Jobim, tentando embarcar para os EUA com US$ 31 mil não-declarados à Receita Federal. Ele foi levado para o Presídio Ary Franco, em Água Santa e, no dia seguinte, mesmo dia em que sua libertação foi determinada pela Justiça, foi encontrado em coma na cela em que estava. A informação foi confirmada pelo diretor do IML (Instituto Médico Legal), Roger Anceloti. De acordo com a rádio CBN, o filho de 13 anos do comerciante embarcou na noite de ontem para os Estados Unidos sem saber da morte do pai. O chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Álvaro Lins, transferiu o inquérito que apura a agressão e morte para a Delegacia de Homicídios. A Globonews informou que a governadora Rosinha Matheus pediu rigor na investigação e designou o delegado Marcelo Fernandes, da corregedoria da Polícia Civil, para acompanhar o inquérito. Os primeiros a prestar depoimento serão o diretor do presídio, o major Luiz Gustavo Matias, afastado do cargo desde o di 1º de setembro, o subdiretor, Luiz Torres, e os quatros agentes penitenciários que foram ao IML pedir os endereços dos médicos legistas que fizeram o exame de corpo de delito no comerciante.AgredidoHoje, o secretário de Estado de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, João Luís Pinaud, disse não ter dúvidas de que as lesões sofridas pelo comerciante chinês Cham Kim Chang, 46 anos, indicam que ele foi agredido, e não se autolesionou durante uma crise nervosa, como chegou a ser cogitado. A família acusa os policiais de espancamento. Agentes do presídio, ouvidos na terça-feira pela delegada titular da 24ª DP do Rio, Danielle Christine Bessa Netto, haviam afastado a denúncia de espancamento, alegando que o comerciante teria tido um "surto" e batido com a cabeça voluntariamente em um móvel da sala de identificação de presos. Mas o fato de a sala ter sido lavada após o "surto", ou a agressão, reforçam a suspeita de espancamento. O secretário disse que fotos do comerciante mostram que ele estava em posição fetal. Segundo Pinaud, essa posição é característica de quem tenta se defender de uma agressão. O caso está sendo acompanhado de perto pela alta cúpula da Segurança do Rio.     

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