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Censura bate à porta de Amambaí

13 setembro 2004 - 14h40

Como a imprensa se manifesta no interior do BrasilAtendendo a pedidos de “patrões” que sempre manipularam a imprensa em Amambai, o único periódico bissemanal do município, censura as informações veiculadas nas edições do jornal.Primeiro era de maneira escamoteada, não direta. Agora, com as eleições, a censura se estendeu pela publicação de matérias, colunas sociais e, inclusive, no espaço determinado como legal pela Justiça Eleitoral para publicação de material de campanha política.Questionado sobre esta conduta, o empresário de comunicação, que é o dono das informações, o dono da bola, o dono do jornal, primeiro censurou a coluna retirando fotos de pessoas que hoje são oposição na atual conjuntura municipal política e, depois, suspendeu a publicação da coluna social (social, não política!!!) que, segundo sua opinião, feria os interesses de seus patrões maiores.Não sou jornalista graduada, apesar de trabalhar com comunicação social há mais de 20 anos; concluí curso de Letras e cursei 3/4 do curso de comunicação social, com habilitação em jornalismo, mas defendo a graduação e o diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Acho que o fato de ter passado por uma universidade na área, faz com que o profissional tenha mais conhecimento de sua profissão, seus objetivos e funções. Sei que a ética e o bom-senso não se aprende nos bancos escolares, mas uma formação profissional e intelectual ajuda em muito.A pergunta que se coloca é: a imprensa está engajada em torno da idéia de liberdade de expressão, ou pretende apenas ser a expressão dos interesses políticos e econômicos que a sustentam?Ora, aqui em Amambai e acredito, infelizmente, na grande maioria do interior deste país, salvo algumas exceções, os donos dos jornais são também os senhoris das informações. O juízo é o político, é o apadrinhamento e o faturamento do jornal. O elo maior é entre a imprensa e capital. São estes os critérios que determinam a publicação de uma matéria, um artigo, uma foto e até mesmo a publicação legal permitida pela justiça eleitoral em época de campanha.O jornalista Carlos Castilhos em conferência produzida na Universidade Federal de Goiás, assim se manifestou: “ainda e sempre é o mesmo problema: informação é poder: informação controlada é poder fechado, concentrado, em benefício de uns poucos (países e pessoas). Por isso a informação tem de ser aberta, democratizada, para que haja igualdade de oportunidades para todos, que é a base de qualquer sistema democrático”.Durante anos escutei queixas de populares, pessoas comuns, políticos, lideranças municipais e população em geral que sempre enxergaram além das páginas impressas, que viram por detrás das letras e palavras, que não se deixam levar e influenciar por mecanismos de manipulação política e de informação. Eu agora estou entre este grupo que pode não ter o poderio feudal, mas com certeza, tem a melhor visão de sociedade que queremos. Sou agora uma excluída do meu direito de ter e favorecer informação lícita, pelo menos no que diz respeito ao jornal local. Porém, sempre preferi a liberdade à opressão. A liberdade de imprensa é desejada. Ela é indispensável para a vivificação da democracia. Ela engloba o direito à informação, o direito à crítica, o direito à opinião, o direito ao comentário, o direito ao humor. Cada um desses gêneros jornalísticos deve vir caracterizado com clareza, para que o leitor não seja enganado e tome a peça de ficção pelo fato. A simples existência de jornais, entretanto, não assegura a liberdade de ninguém. Há quem afirme que na Alemanha Nazista havia 28 jornais em circulação e quem ousará dizer que a liberdade era assegurada pela imprensa?Não vivemos mais na era da Alemanha Nazista, mas em Amambai vive-se à mercê de um único jornal. Seu proprietário, quando questionado sobre a censura imposta em seu jornal, manda o questionador montar seu próprio jornal. Ora só, o dono da bola determina quem e quando vai jogar. Esquece ele que a informação não tem dono.Talvez o que os senhoris políticos e da informação de Amambai precisem é ler Antonio Gramsci que diz que o jornalista é um intelectual que não pode ter apenas na eloqüência a finalidade de seu labor, eis que esta é apenas o motor interior e momentâneo de afetos e paixões. Deve estar cônscio de seu papel em face da sociedade, imiscuir-se ativamente na vida de relação, como construtor, organizador, persuasor permanente.A imprensa sempre exerceu um papel fundamental na história dos povos. Desde seu surgimento ela assumiu  papel informativo, crítico, opinativo, compromissado com as grandes questões nacionais e internacionais. No entanto, a  qualidade do produto jornalístico e a confiabilidade da instituição devem ser aprimoradas. É necessário dispor de informação ampla e crítica sobre os fatos e desenvolver uma visão ética do exercício da liberdade de imprensa, a qual permita ao profissional lidar com instituições e pessoas, relacionar-se com os valores de diferentes grupos da sociedade, com transparência, dando ao leitor a exata medida de sua parcialidade, quando esta houver.Não é jornalismo acusar sem provas, esconder-se através das fontes em off,  se é que estas existem. Não é jornalismo fazer denúncias sem dar aos acusados o direito de serem ouvidos na mesma matéria e com o mesmo destaque. Não é jornalismo contar histórias pela metade, escondendo dos leitores o que não contribui para reforçar a versão eleita. Não é jornalismo descartar todos os fatos que não corroboram o ponto de vista do jornal.Não é jornalismo, sem sombra de dúvidas, censurar colunas sociais, retirando fotos indesejosas aos senhoris políticos e da informação. Não é jornalismo manipular a publicação de material de propaganda política, restringindo sua publicação.Que a cidade de Amambai continue crescendo e evoluindo, mas de maneira libertadora, não opressiva. Viviane ViautProfissional da área de comunicação social, professora eempresária de comunicação socialConsulta: CASTRO, Flávia de Almeida Viveiros de. A liberdade de expressão no contexto dos Direitos Fundamentais, a responsabilidade da Imprensa e os Tribunais. Disponível na Internet: . Acesso em 13 de setembro de 2004 

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