Menu
Busca domingo, 11 de abril de 2021
(67) 99257-3397

Cartão de crédito muda taxa de juros para atrair clientela

13 junho 2005 - 09h48

O rotativo do cartão de crédito, a juros pós-fixados, pode estar com os dias contados no Brasil. Aos poucos, bancos emissores como Real, Banespa, Credicard e BankBoston começam a dar aos clientes a opção do pagamento parcelado de faturas - e até crédito pessoal - a taxas prefixadas. Embora a sistemática tenha nascido da ampliação da base junto à baixa renda, hoje a alternativa está disponível nos mais diversos estratos sociais. Para se adaptar à cultura do consumidor, o poderoso segmento de meios eletrônicos de pagamento teve que se reinventar no País. Por trás dessa tendência está, de um lado, o hábito do brasileiro de não olhar o tamanho dos juros quando contrata um empréstimo, mas se a prestação cabe no bolso. Na outra ponta, está a necessidade de os bancos incentivarem o uso do cartão na sua concepção original que é o crédito e assim gerarem maior retorno ao negócio. Um estudo feito pelo Banco Real em 2004 levou a instituição a criar um cartão na medida para aquele cliente com mais sensibilidade a juros. O Real Conquista tem apelo entre a segmentação com renda mensal entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil e tem sido usado como isca para atrair novos clientes. "É um incentivo à mobilidade bancária", diz o superintendente da área, Mario Mello. Com um total de 1,8 milhão de cartões emitidos, o produto agregou 100 mil unidades à base em sete meses de oferta. A meta é chegar a 300 mil em três anos. Mas não é só o consumidor de baixo poder aquisitivo que demanda o parcelado. O BankBoston entendeu isso e há um ano oferece a modalidade aos seus clientes que têm mais perfil de investidor do que tomador. Segundo a superintendente de Cartões, Thaís Rohr, o relacionamento de longo prazo tem sido um dos resultados. "Ao concentrar as despesas no cartão, o banco ganha a fidelidade do cliente e um fluxo de receitas estável." Com a possibilidade de pagamento total da fatura no vencimento sem juros ou encargos - prática que não encontra correspondência nos demais mercados -, estima-se que no Brasil só 30% daqueles que têm o dinheiro de plástico no bolso recorram ao financiamento pelo rotativo, a taxas pós-fixadas e, portanto, suscetíveis ao vaivém do mercado e da política monetária. Pelos dados mais recentes do Banco Central (BC), o volume tomado em cartões de crédito era de R$ 9,8 bilhões em abril, menos de 8% dos saldos destinados às pessoas físicas, de R$ 129,9 bilhões (isso porque a contabilidade do BC inclui na estatística de cartões não só o valor financiado no rotativo, como também parcelas em atrasos e faturas a vencer). De qualquer forma, a proporção crédito é muito pequena, considerando-se que o faturamento da indústria de cartões supera os R$ 100 bilhões anuais. "Depois dos anos de hiperinflação, o brasileiro passou a ter dificuldades em lidar com o rotativo", diz o sócio da Partner Consultoria, Álvaro Musa. Com a disseminação do crédito parcelado, o especialista espera que o índice de financiamentos via cartão suba a, pelo menos, 50% em pouco tempo. "A taxa já chegou a 70%", recorda, referindo-se a fins dos anos 70, quando presidia a Credicard. As primeiras experiências com o parcelado têm se mostrado bem sucedidas. A própria Credicard começou a testar o modelo no início do ano passado, com o financiamento de contas de concessionárias de serviços públicos e hoje 20% dos financiamentos feitos via cartão já são na forma parcelada. "É preciso agregar valor na relação com o consumidor para que ele priorize o seu cartão na hora de fazer a compra", diz o vice-presidente de Marketing, Fernando Chacon. É uma questão de sobrevivência. No dia a dia, os gestores de cartões têm que concorrer com outras modalidades que já têm a prefixação como princípio, na medida do gosto do consumidor. E com o advento do consignado tão mais difícil o apelo do produto como instrumento efetivo de crédito.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Covid-19: Brasil registra 72 mil casos e 2,6 mil mortes em 24 horas
SAÚDE
Covid-19: Brasil registra 72 mil casos e 2,6 mil mortes em 24 horas
Wrestling: Laís Nunes leva medalha de ouro em torneio na Bulgária
BRASIL
Wrestling: Laís Nunes leva medalha de ouro em torneio na Bulgária
Real Madrid vence Barcelona por 2 a 1 com golaço de letra de Benzema
INTERNACIONAL
Real Madrid vence Barcelona por 2 a 1 com golaço de letra de Benzema
MEC prorroga prazo de inscrição para o Sisu
NOVO PRAZO
MEC prorroga prazo de inscrição para o Sisu
Petrobras conclui venda de participação em parque eólico no Nordeste
ECONOMIA
Petrobras conclui venda de participação em parque eólico no Nordeste
JUSTIÇA
Fux marca para terça-feira julgamento sobre CPI da covid-19
SAÚDE
Pandemia impacta saúde mental de profissionais da linha de frente
DOURADOS
Homem tem celular roubado por indivíduo armado no centro de Dourados
ECONOMIA
Teto de gastos e reforma da Previdência geraram economia de R$ 900 bilhões
PANDEMIA
Fiocruz: aumento de casos de covid em menores de 59 anos supera 1.000%

Mais Lidas

DOURADOS
Motociclista tem suspeita de fratura nas pernas após ser atingido por carro
VILA INDUSTRIAL
Veículo é destruído pelo fogo em Dourados e ocupantes saem ilesos; veja vídeo
RESGATE
Menina estava brincando com irmãos e avó quando se afogou no Rio Dourados
HOMICÍDIO
Jovem é morta com tiros de escopeta em Itaporã