Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, sugere que o câncer de pele é mais perigoso quando localizado no couro cabeludo ou no pescoço do que em qualquer outra parte do corpo.
A equipe de pesquisadores analisou 50 mil casos de melanoma e descobriu que as pessoas com câncer de pele nestas áreas têm o dobro de chances de morrer do que as que têm a doença nos braços ou pernas.
Segundo os cientistas, parece haver um elemento mais perigoso no câncer de pele quando localizado nesta área. A taxa de sobrevivência de cinco anos para pacientes com câncer de pele no couro cabeludo ou pescoço foi de 83%, comparada com 92% para os pacientes que tiveram a doença no rosto, orelhas ou nas extremidades, braços, pernas, mãos e pés.
A taxa de sobrevivência de pacientes com câncer de pele é relativamente alta. O estudo foi publicado na revista especializada Archives of Dermatology.
Demora
A equipe da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte descobriu que o câncer de pele, quando localizado no pescoço ou no couro cabeludo, parece ser mais espesso e tem mais chances de desenvolver ulcerações do que o câncer de pele localizado em outro local.
Os gânglios linfáticos também são afetados com mais freqüência em pacientes com câncer de pele nestas áreas do que em outras. Os cientistas reconhecem que o câncer de pele no couro cabeludo ou no pescoço pode ficar escondido pelo cabelo e, por isso, pode ser detectado mais tarde.
Mas, mesmo depois de adicionar este fator à análise, os cientistas observaram que a taxa geral de sobrevivência é pior, o que levou a equipe a concluir que existem diferenças biológicas entre os tipos de câncer.
"Apenas 6% dos melanomas são concentrados no couro cabeludo ou no pescoço, mas, entre estes pacientes, 10% são casos de mortes causadas por estes melanomas", disse Nancy Thomas, professora de dermatologia que liderou a pesquisa.
"Por isso, precisamos de mais tempo para examinar o couro cabeludo durante os exames de pele", acrescentou. Os pesquisadores afirmam que os pacientes que têm câncer de pele nestas áreas são um pouco mais velhos (têm, em média, 59 anos), em comparação com a média de 55 anos dos pacientes analisados, e têm mais probabilidade de ser homens.
A organização britânica especializada em câncer de pele, British Skin Foundation, afirma que o estudo aponta que o "pescoço e o couro cabeludo não devem ser ignorados" e que todas as áreas do corpo "devem ser examinadas regularmente".
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