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Cada vez mais, jovens assumem a gestão das propriedades rurais

03 outubro 2014 - 15h35

Eles são jovens, com menos de 30 anos, possuem bagagem profissional e diversas oportunidades para investir seus conhecimentos e aplicar novas ideias e escolheram o campo para desenvolver suas habilidades.

Tendo como exemplo três jovens pecuaristas de Mato Grosso do Sul é possível traçar um perfil rural que se renova, com propriedades administradas por produtores com pouca idade e muita iniciativa. Romeu, Adriane e Duarte vêm de famílias tradicionais na pecuária sul-mato-grossense, mas tiveram a liberdade de seguir outros caminhos. Entretanto, optaram por seguir os mesmos rumos de seus pais e avós e hoje carregam a responsabilidade de administrar sozinhos as propriedades familiares.

Exemplo de quem havia traçado um destino diferente para si, Romeu Barbosa de Souza (28) imaginava ser advogado, mas a morte prematura do pai fez com que assumisse, ao lado da mãe, a propriedade rural da família aos 21 anos. “Concluí a faculdade de Direito e utilizo alguns conhecimentos na gestão rural. Hoje, minha mãe gerencia o escritório e eu fico na fazenda. Percebo que, atualmente, muitas propriedades são administradas por jovens e que a sucessão familiar está cada dia mais forte, com pais e filhos atuando juntos, unindo a experiência com as novas ideias”, avalia Souza.

O pecuarista tem sua propriedade localizada na região de Porto Murtinho (MS) e avalia como promissor o atual cenário administrativo rural. “Talvez por falta de mais conhecimento, nossos antecessores simplesmente ‘tocavam’ a propriedade. Hoje, gerenciamos a propriedade como um negócio”, destaca o produtor, que tem duas irmãs com profissões as quais não tem relação como o meio rural.

O também pecuarista em Porto Murtinho (MS), Duarte de Castro Cunha Neto (29), se auto define produtor rural ‘no sangue’. De família tradicional de produtores rurais, desde criança seu sonho foi suceder seus pais na gestão da propriedade familiar. Aos 23 anos assumiu a administração da fazenda. “Vejo o campo como um meio de oportunidades e muitos jovens estão retornando para trabalhar com os pais, se profissionalizando, buscando consultorias”, avalia o produtor, formado em Engenharia Agrônoma.

O produtor ressalta que seus antecessores foram desbravadores no desenvolvimento da agropecuária da região e que hoje, os atuais gestores investem na gestão com tecnologia. “Nossos pais e avós foram pioneiros, trabalharam com raça, agora temos conhecimento em gestão e eficácia para desenvolver com novas ideias aquilo que eles criaram com muita dedicação”, avalia. Quando questionado se espera que futuramente seus filhos sigam seu caminho, Duarte Neto é certo na resposta. “Ainda não tenho filhos, mas com certeza gostaria que continuassem com o trabalho rural”.

O presidente da Famasul – Federação da Agricultura e Pecuária de MS, Eduardo Riedel, é um representante desse novo perfil que, aos poucos, caracteriza o campo. Filho e neto de produtores rurais, é biólogo de formação. No entanto, desde 1994 assumiu a administração da Sapé Agropecuária, propriedade da família em Maracaju (MS) e que está em constante processo de profissionalização. Entre os compromissos como dirigente da entidade, Riedel dá palestras sobre sucessão familiar, abordando aspectos que vivencia na prática. “Da administração da fazenda passamos para a administração de um negócio rural. Essa mudança de perfil dos empreendimentos do campo demanda a atualização do produtor, de seus métodos tradicionais, e, ao mesmo tempo, atrai e traz de volta as novas gerações para o campo, que hoje representa atividades tão ou mais desafiadoras do que as oferecidas no meio urbano”, avalia o dirigente.

O campo também é delas - Quem vê uma jovem loira, tipo físico delicado e jeito tímido não imagina que se trata de uma veterinária que pega no batente pesado nas propriedades da família. Dividida entre Sidrolândia (MS) e o estado do Tocantins, Adriane Lermen Zart (27) trabalha com pecuária de corte e integração lavoura-pecuária floresta junto do irmão, que é engenheiro agrônomo.

A produtora acredita que o conhecimento adquirido em qualificações e investimentos em novas tecnologias traça o perfil do novo gestor rural. “Percebo que os mais jovens têm muita disposição e conhecimento tecnológico. O campo está exigindo maior qualificação e para isso o produtor precisa buscar a profissionalização”, relata a produtora que assumiu a administração da propriedade da família há três anos.

Quem é o produtor – Segundo o censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traçando o panorama do campo no Brasil, 2,9 milhões de propriedades rurais no País têm como responsáveis homens na faixa etária 25 a 29 anos. Destes, cerca de 43 mil residem em Mato Grosso do Sul. Já as mulheres com a mesma faixa etária são responsáveis por 1,6 milhão de empreendimentos no campo no Brasil, dos quais 21,6 mil são no MS.

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