O advogado de Roberto Cabrini, Renato Martins, afirmou hoje que o jornalista foi obrigado a ser filmado consumindo cocaína não apenas para manter sua integridade física e conservar boas relações com fontes no mundo do crime, mas também para defender sua carreira profissional. "Meu cliente precisava de uma prova da veracidade de sua entrevista com o líder do PCC, era também sua reputação jornalística o que estava em jogo", disse.
Cabrini, repórter da Rede Record, foi detido com cocaína por volta das 18 horas, da última terça-feira na saída de uma favela na zona sul de São Paulo após uma abordagem policial. O flagrante foi relaxado pela justiça e Cabrini foi libertado na noite de ontem.
A prisão por tráfico de drogas, segundo a polícia, foi baseada na quantidade da droga, mais de 10 gramas, e no fato de estar dividida em papelotes. Presa com ele, Nadir Dias, conhecida como Nádia, tinha na bolsa um pendrive que mostra o jornalista fazendo uso de cocaína.
Cabrini alega que Nádia foi sua intermediária na relação com o líder do PCC, Marcos Camacho, o Marcola, em uma entrevista que veiculou em 2006. A mulher confirma que o começo de sua relação com Cabrini foi como fonte, mas depois disso teriam se tornado amantes. De acordo com o jornalista, encontrou Nádia na tarde em que foi preso porque ela teria prometido entregar uma fita que comprovasse a veracidade da entrevista com o líder do PCC.
O advogado afirma que todas as circunstâncias da prisão, e "tudo o que Nádia (mulher presa com Cabrini) fez", principalmente o vídeo, comprovam a má fé da antiga fonte do jornalista. "A simples existência do vídeo com meu cliente mostra que a intenção desta mulher era extorqui-lo", disse Martins.
Pouco antes de serem presos, ela teria dito que iria buscar um DVD com o depoimento de Marcola e, logo em seguida, chegaram as viaturas policiais para o flagrante.
Nádia diz que sua intenção ao produzir o vídeo, há seis meses, era trocá-lo por uma carta que o jornalista teria e que a vinculava ao PCC.
A Polícia Civil pretende seguir investigando a ligação entre Roberto Cabrini e a mulher presa com ele, Nadir Dias, a Nádia. Segundo o delegado titular do 100 Distrito Policial (Jardim Herculano), Ulisses Pascolati, há fortes indícios de que os dois mantivessem uma relação que "ultrapassa a de jornalista e fonte".
Pascolati pretende pedir a quebra do sigilo telefônico dos dois nos próximos dias.
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