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IMUNIZANTE

Vacina da dengue do Butantan mantém proteção por cinco anos

05 março 2026 - 21h20Por G1

Uma nova análise de longo prazo da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan indica que uma única dose do imunizante mantém proteção por pelo menos cinco anos e reduz significativamente o risco de formas graves da doença.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine e fazem parte do acompanhamento de um ensaio clínico de fase 3 realizado no Brasil.

No estudo, que acompanhou mais de 16 mil participantes de 2 a 59 anos, a eficácia geral da vacina foi de 65% contra dengue sintomática confirmada por exame após cinco anos de seguimento. Já a proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme foi ainda maior, chegando a 80,5%.

A pesquisa também mostrou que o imunizante foi eficaz tanto em pessoas que já tiveram dengue quanto naquelas que nunca haviam sido infectadas.

Entre indivíduos com exposição prévia ao vírus, a eficácia foi de 77,1%, enquanto nos participantes sem infecção anterior foi de 58,9%.

Para Kfouri, esses números reforçam o potencial da vacina como ferramenta importante para reduzir hospitalizações e mortes pela doença –ainda que ela não elimine completamente a circulação do vírus.

Proteção maior contra casos graves

O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que esse comportamento é esperado em vacinas contra doenças virais.

Segundo ele, o principal objetivo de imunizantes não é necessariamente impedir todas as infecções, mas evitar as formas mais perigosas da doença.

“A eficácia das vacinas costuma ser maior para os desfechos mais graves. Isso acontece com gripe, Covid-19 e outras infecções. O mais importante é reduzir hospitalizações e mortes”, afirma Kfouri.
No estudo, nenhum caso de dengue grave foi registrado entre participantes vacinados durante o acompanhamento, enquanto episódios graves ocorreram no grupo que recebeu placebo.

Desafio dos quatro sorotipos

A dengue é causada por quatro sorotipos diferentes do vírus — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A vacina do Butantan foi desenvolvida para proteger contra todos eles.

No entanto, durante o período em que o ensaio clínico ocorreu no Brasil, apenas dois tipos circularam amplamente: DENV-1 e DENV-2. Por isso, o estudo não conseguiu avaliar diretamente a proteção contra os outros dois sorotipos.

Kfouri afirma que essa lacuna não significa necessariamente que a vacina não funcione contra eles.

“Nos estudos de laboratório, vemos produção de anticorpos contra os quatro sorotipos. Mas, como no período do estudo não circularam dengue 3 e 4 no Brasil, não foi possível demonstrar essa proteção na prática”, explica.
Segundo ele, pesquisas em andamento em outros países podem ajudar a esclarecer essa questão.

Segurança é ponto central
A avaliação de segurança foi um dos focos principais do estudo. A dengue apresenta um fenômeno conhecido como aumento dependente de anticorpos, no qual uma segunda infecção pelo vírus pode levar a quadros mais graves.

Por isso, especialistas consideram essencial que vacinas contra a dengue não aumentem esse risco.

“O acompanhamento de cinco anos é fundamental justamente para garantir que a vacina não funcione como uma infecção prévia que poderia agravar uma futura dengue”, afirma Kfouri.

No estudo, os eventos adversos graves ocorreram em proporções semelhantes entre vacinados e participantes que receberam placebo, sem sinais de problemas de segurança relacionados ao imunizante.

Vacina não substitui combate ao mosquito

Mesmo com a chegada de novas vacinas, especialistas alertam que o controle do mosquito Aedes aegypti continua sendo essencial.

Isso porque nenhum imunizante oferece proteção total contra a doença, e a circulação do vírus depende da presença do vetor.

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