Dentre os primeiros lugares da lista de desejos de muita gente está o sonho de dedilhar um violão ou tocar um clássico ao piano. Antes, para quem não via a hora de dar show nas festas de família, as alternativas ficavam entre matricular-se em uma escola especializada ou recorrer à ajuda daquele primo que toca em uma banda. Mas hoje, uma nova ferramenta vem mudando este cenário: os tutoriais em vídeo.
Sucesso na internet, eles são a salvação de quem busca flexibilidade de horários, não pode pagar para ter aulas com um profissional ou só quer se divertir. A ideia é bastante simples: de um lado, alguém que se propõe a ensinar. Do outro, milhares de pessoas ávidas por aprender. O resultado são vídeos bastante didáticos, em que o "professor" ensina a tocar todos os tipos de instrumento - na maioria das vezes, sem o auxílio de uma partitura. A proposta é que o aluno aprenda ouvindo e olhando, e depois faça igual sozinho.
O gaúcho Tarcísio Bertim, 24 anos, costuma tirar as músicas de ouvido, mas recorre aos tutoriais quando quer rapidez na hora de aprender a fazer um som ao violão. "Sozinho, eu levaria bem mais tempo. Com o tutorial, aprendo a tocar praticamente no tempo do vídeo", afirma. Morador de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, Tarcísio conta que nunca teve aulas com um professor. "Comecei tocando com amigos, que me passavam algumas técnicas. Nunca fiz aula normal, até porque meu objetivo não era ser músico", diz. Entre as novidades de seu repertório, cita Californication, da banda Red Hot Chili Peppers, e a versão acústica de Índios, da Legião Urbana.
Ainda que se considere apenas um "músico de varanda", o jovem garante que tocar um instrumento exige esforço. "É a união da técnica com o ouvido sensível aos tons dos acordes. É preciso praticar e praticar." Apesar de aprovar os tutoriais, Tarcísio acredita que, com auxílio de um professor, teria aprendido os segredos do instrumento de maneira mais rápida e eficiente. "Eu teria mais disciplina", afirma.
Método pode ser uma boa alternativa para aprender a tocar, diz professora
Para a professora da Faculdade de Música da Universidade de Brasília (UnB) Cristina Grossi, é possível aprender a tocar um instrumento por meio de métodos menos ortodoxos - e os tutoriais podem ser uma boa opção para quem está começando. "Existem muitos jeitos de aprender. Alguns ensinam a ler, outros, a tocar de ouvido. Ver alguém tocar e tentar fazer igual, como é o caso dos tutoriais, é interessante", avalia. No entanto, Cristina recomenda prestar atenção aos vídeos publicados na rede. "Mesmo assim, acredito que o pessoal saiba chegar aos sites com material mais confiável", diz.
Em breve, o aprendizado de música estará além do interesse pessoal. O ano de 2012 é a data limite para a implantação da música como conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica, que inclui a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. A exigência que surgiu com a lei nº 11.769 não pretende formar pequenos virtuoses, mas sim explorar a criatividade e a sensibilidade dos alunos. Um incentivo a mais para quem já dá seus primeiros "cliques" nos tutoriais que circulam pela web.
Já na formação acadêmica, o panorama é um pouco diferente. Ao contrário do público que recorre ao material disponibilizado na internet - formado basicamente por iniciantes -, a graduação em música recebe pessoas com certa experiência no ramo. "Muitos deles já tocam, têm uma carreira profissional. Na faculdade, nós aprofundamos questões relacionadas a arranjo e harmonia. Trabalhamos com músicos que já têm uma formação", explica.
No caso dos iniciantes, a professora explica que a internet pode ser uma boa aliada na hora de encontrar outras pessoas na mesma situação, o que facilita a troca de experiências. "Quem quer começar procura todos os meios possíveis. Mesmo com os tutoriais, ele não vai estar sozinho. Vai conversar com algum usuário, trocar ideia com um amigo. A diversidade favorece o filtro", avalia.
Para Cristina, o importante é encontrar um método que seja prazeroso. "Para quem tem vontade, a dica é ir atrás do repertório, usar o ouvido e a mente. É preciso optar por aquilo que possibilita uma conexão real com a música", aconselha. "Ninguém vai tocar violão, guitarra e piano de uma hora para outra. É preciso praticar. Se o tutorial é interessante, então ele pode, sim, ser uma alternativa", acrescenta.
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