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Técnico da seleção brasileira fica refém de clubes europeus

16 agosto 2004 - 18h51

De nada adiantaram os apelos da CBF em nome da paz. Os dirigentes europeus não pensaram no Haiti e muito menos rezaram pelo povo fanático do futebol brasileiro. Para eles o que vale mesmo são as letras miúdas de contratos e o fato de a Fifa não prever sanções por terem vetado a participação de cinco jogadores no amistoso simbólico desta quarta-feira em Porto Príncipe. Kaká, Cafu e Dida, do Milan, e Lucio e Zé Roberto, do Bayern Munchen, não se integraram à equipe principal do Brasil. Mas, para alegria dos haitianos, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos vão jogar. Os últimos jogadores vindos da Europa chegaram nesta segunda-feira às 16h30 em Santo Domingo, capital da República Dominicana, talvez um dos poucos países do mundo que praticamente desconhece a seleção brasileira. Os dominicanos gostam mesmo é da "pelota", como chamam o beisebol. Por isso, não houve aglomerações no Intercontinental, onde o time se hospeda. Ronaldo, que veio de Nova York, não foi assediado no saguão do hotel - exceto pelos jornalistas brasileiros. Antes da chegada deles, o técnico Carlos Alberto Parreira demonstrava contrariedade e desconhecimento dos jogadores com os quais poderia contar para o amistoso contra o Haiti. Por essa razão, descartou que o encontro do grupo servisse também de treinamento para o jogo das Eliminatórias contra a Bolívia, no mês que vem. "O time está muito desfigurado." De fato, dos 25 convocados, 7 não vieram. Além dos 5 vetados pelos clubes europeus, Adriano, da Internazionale, e Edmilson, do Barcelona, não se apresentaram por motivos pessoais."Conversei com eles (os jogadores do Milan), mas o clube estava irredutível. Foi uma falta de bom senso, esse jogo é diferente. Não tem jogo na Europa, não tem jogo do Milan e os jogadores da seleção italiana vão jogar. Faltou compreensão e um pouco de boa vontade", desabafou Parreira, ainda sem saber do veto do time alemão do Bayern Munchen. O técnico lembrou que Kaká não foi liberado para o pré-olímpico, o que poderia ter influenciado a não-classificação do Brasil, e o amistoso contra a seleção da Catalunha, em Barcelona, além de ter sido poupado para a Copa América. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apelou para a Fifa interceder junto aos clubes europeus. O Milan questionou à entidade maior do futebol mundial se sofreria alguma represália - por um acordo, nos dias de amistosos de seleções, só devem ser liberados os jogadores se a partida ocorrer no mesmo continente onde atuam. A Fifa limitou-se a dizer que a partida terá uma grande importância para a imagem do esporte no mundo, mas não haveria sanções. O atacante Ronaldo não deu entrevistas nesta segunda-feira. Apenas declarou: "Esse jogo vai ser bem legal. A gente vai aproveitar bastante." O lateral Roberto Carlos disse estar ansioso pelo amistoso e feliz pela responsabilidade de entrar em campo no "Jogo da Paz". Vai ser uma goleada ou o time vai poupar o adversário como pediu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva? "A única coisa que prometemos é representar bem o futebol brasileiro." Surpreendentemente, Parreira disse que lembrará aos jogadores brasileiros do ensinamento para respeitar o adversário. O Haiti, uma seleção formada por muitos amadores, seria uma pedrinha para um time pentacampeão? "Quando a seleção joga contra a Argentina ou a Alemanha, a gente sabe (que vai ser uma partida dura). Mas quando jogamos com pedrinha, se não tivermos cuidado, tropeçamos." Nem todos da comissão técnica e jogadores demonstram conhecer bem a atual situação do Haiti. "O Brasil vai parar uma guerra, vamos criar uma clima de harmonia durante 24 horas", disse Parreira, sem saber que os haitianos não estão em guerra.Mas o que vale é a intenção, como ele bem expressou depois: "O importante é que estamos deixando uma semente. No Brasil, que também tem muita pobreza, quando ganhamos uma Copa do Mundo durante uma semana o brasileiro fica com o ego inflado." Veja os jogadores que se apresentaram para o “Jogo da Paz”: os goleiros Julio Cesar (Flamengo) e Fernando Henrique (Fluminense); os laterais Adriano (Coritiba), Belletti (Barcelona) e Roberto Carlos (Real Madrid); os zagueiros Cris (Cruzeiro), Juan (Bayer Leverkusen), Roque Junior (Bayer Leverkusen); os meio-campo Edu (Arsenal), Gilberto Silva (Arsenal), Juninho Pernambucano (Olympique Lyonnais), Magrão (Palmeiras), Pedrinho (Palmeiras), Renato (Sevilla), Roger (Fluminense) e Ronaldinho Gaúcho (Barcelona); e atacantes Nilmar (Internacional), Ronaldo (Real Madrid)

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