quarta, 20 de maio de 2026
Dourados
19ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397
JUDICIÁRIO

STF decreta inconstitucional lei de SC que proibia cotas raciais

17 abril 2026 - 21h50Por G1

O STF (Supremo Tribunal Federal) declarou por unanimidade inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proibia o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado. O prazo para os ministros votarem sobre a ação acabava nesta sexta, dia 17 de abril e todos votaram para declarar inconstitucionalidade da lei.

Gilmar Mendes foi o relator. Na quinta-feira (16), o voto do ministro Edson Fachin formou maioria para declarar inconstitucionalidade da lei. O voto de André Mendonça, na noite desta sexta, decretou a unanimidade entre os atuais 10 ministros da corte.

O que disseram os ministros do STF sobre inconstitucionalidade da lei

Questionado sobre os próximos passos após todos os votos, o STF informou que é necessário aguardar a proclamação do resultado do julgamento.

O entendimento adotado no caso de Santa Catarina deve ser seguido pelo Supremo na análise de eventuais leis estaduais semelhantes sobre cotas.

O governador Jorginho Mello também se manfestou nesta sexta sobre a derrubada da lei. Em uma rede social escreveu que "Quem perdeu não foi o governo ou o governador". Na postagem disse ainda que a lei "não extinguia cotas, melhorava: focava nos mais pobres".

Lei estava suspensa no estado e aguardava julgamento no STF

O questionamento à lei aprovada em dezembro e sancionada em janeiro chegou ao STF através de Ação Direta de Inconstitucionalidade. O PSOL, em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), entrou com o processo.

Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para que o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.

Em janeiro, o governo afirmou, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que a lei é legal porque Santa Catarina tem a "maior população branca do país". Para embasar, utilizou dados desatualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Governo de SC defende proibição de cotas raciais com dados que estado é o mais branco do país; IBGE aponta aumento da população negra

Na prática, a norma estadual permaneceu suspensa mesmo após a aprovação, já que há outra ação na mesma linha tramitando no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

A suspensão na esfera estadual foi por decisão da desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta. A magistrada justificou que a lei poderia produzir efeitos antes do julgamento definitivo da ação judicial, sobretudo no contexto do início do ano acadêmico, período em que se decidem regras de ingresso e contratação.

Como foi o voto do relator Gilmar Mendes

No voto, Mendes sustentou que Lei Estadual 19.722/2026 desconsiderou que ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF.

Destacou ainda que as políticas de cotas encontram respaldo não apenas na jurisprudência da Corte, mas também em normas internacionais incorporadas ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional.

"[...] é possível concluir que a aprovação e a sua sanção pelo Governador do Estado de Santa Catarina basearam-se eminentemente na noção de que as ações afirmativas baseadas exclusivamente em critérios étnico-raciais representariam possível violação ao princípio da isonomia – premissa, como exposto acima, inconstitucional", narra o ministro no voto.

O ministro cita que a lei catarinense começa proibindo a adoção de qualquer política de reserva de vagas em processos seletivos. Em seguida, porém, a própria norma prevê três exceções: a reserva de vagas para pessoas com deficiência, a adoção de critérios exclusivamente econômicos e a destinação de vagas a estudantes oriundos da rede pública estadual de ensino médio.

Na avaliação do ministro, essa combinação revela o objetivo prático da lei: impedir, na prática, apenas as políticas baseadas em critérios étnico-raciais.

"[...] esta Suprema Corte há muito assentou que a utilização chamadas cotas raciais para ingresso no ensino superior público não viola o princípio da isonomia (Constituição, art. 5º, caput). Pelo contrário, políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", continuou.

Lei estadual proibia cotas raciais e prevê multa por descumprimento

A lei 19722/2026 proibia a adoção de cotas e outras ações afirmativas no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.

A regra valia para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Dupla é presa com cocaína escondida em veículo na BR-262
FISCALIZAÇÃO

Dupla é presa com cocaína escondida em veículo na BR-262

Parceria entre Governo e Showtec fortalece agro de MS como referência
MARACAJU

Parceria entre Governo e Showtec fortalece agro de MS como referência

Após exames, COE confirma criança como 12ª vítima da Chikungunya em Dourados
AEDES AEGYPTI

Após exames, COE confirma criança como 12ª vítima da Chikungunya em Dourados

Operação apreende drogas em ônibus e prende quatro envolvidos
POLÍCIA

Operação apreende drogas em ônibus e prende quatro envolvidos

Marta volta à seleção feminina para 2 amistosos contra EUA no Brasil
ESPORTE

Marta volta à seleção feminina para 2 amistosos contra EUA no Brasil

DOURADOS

Cocaína apreendida com taxista na BR-463 pesou 38,5 quilos

POLÍTICA

Comissão aprova criação do Auxílio Recomeço, para vítimas de violência doméstica

INFORME PUBLICITÁRIO

Novo Campo: 10 anos de história no coração do agro em MS

SAÚDE

Ypê orienta consumidores a não usar nem descartar produtos de lote 1

SUBSTITUTO

IFMS abre vagas para professores em Dourados com salários de até R$ 9,5 mil

Mais Lidas

OPORTUNIDADE

MS tem concursos abertos com inscrições encerrando em maio; confira prazos

PEDRO JUAN CABALLERO

Brasileiro é executado com tiros de fuzil na região de fronteira

CLIMA

Dourados segue em alerta após domingo de chuvas intensas

DOURADOS

Prefeitura entrega uniformes para equipe do Samu após oito anos sem reposição