Exatos dez anos depois da criação da Lei Pelé, o futebol nacional ainda engatinha na profissionalização dos clubes. O cenário brasileiro está muito longe do futebol europeu, cheio de craques, brilho e, principalmente, dinheiro. Só para dar uma idéia, a somatória de tudo o que os clubes brasileiros arrecadaram nos últimos quatros anos, considerando transmissões de televisão, venda de jogadores, patrocínios e venda de ingressos, entre outras receitas, chegou a R$ 3,5 bilhões - algo como R$ 875 milhões por ano.
A título de exemplo, o clube de maior faturamento da Europa, o espanhol Real Madrid, ganha sozinho em uma temporada 351 milhões de euros (R$ 944 milhões), o que supera um ano do futebol brasileiro. E não pára por aí. Comparando-se as duas regiões e tomando-se como base somente 2006, o mercado brasileiro de clubes movimentou R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 987 milhões provenientes dos 20 maiores times do País. Já as equipes européias geraram naquele ano 8 bilhões de euros (R$ 21,5 bilhões), segundo a Casual Auditores Independentes, empresa especializada em entidades esportivas.
Há explicações para o abismo entre Brasil e Europa na cena futebolística. A primeira delas é que lá as principais equipes seguem um planejamento estratégico de longo prazo, com ênfase do trabalho de marketing e a ações para gerar receitas, enquanto no Brasil há apenas lampejos de ações desse tipo. Embora a discrepância ainda seja gritante, há sinais de avanços. Isso fica claro quando se observa a composição de receitas de 2003 a 2006 dos maiores times nacionais. No período, a arrecadação com televisão foi de R$ 1 bilhão, com crescimento de 10% ao ano, enquanto a negociação de jogadores proporcionou R$ 978 milhões, uma expansão anual de 16%.
A verba de patrocínio e publicidade alcançou R$ 478 milhões, com aumento de 40% por ano, e a venda de ingressos gerou R$ 247 milhões, com crescimento de 20% ao ano. Para Somoggi, o ritmo de crescimento de patrocínios e ingressos indica uma profissionalização. "Há, sim, uma modernização desorganizada e pontual. Não é algo resultante de planejamento. Em todo caso, há uma tendência de crescimento", afirma. Esse novo cenário sinaliza que os clubes despertam para a necessidade de uma gestão profissionalizada. Em equipes como São Paulo, Atlético-MG e Grêmio, por exemplo, já é possível encontrar consultores com a missão de levar resultados aos novos patrões.
Visto como referência nesse processo, o tricolor paulista adotou o modelo de gestão profissional em meados dos anos 90. "Temos uma auditoria com profissionais terceirizados de várias áreas", conta Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo. Alguns dos profissionais que auxiliam o clube são os publicitários Nizan Guanaes e Ruy Branquinho (marketing) e o advogado Ives Gandra Martins (jurídico). O Estádio do Morumbi é outro exemplo. Historicamente, trazia prejuízos para o clube. Em 2001, a perda chegou a R$ 2,2 milhões. Como parte da estratégia para reverter o quadro, o Morumbi ganhou camarotes, setores VIP e o espaço para venda de publicidade cresceu. Resultado: o aluguel para shows saltou de R$ 170 mil o evento para R$ 1 milhão. "Descobrimos que o Morumbi é o único de São Paulo com alvará para esse tipo de evento", afirma Juvêncio.
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