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Soro antiofídico em pó brasileiro começa a ser testado

11 julho 2005 - 14h25

O índio waimiri-atroari que recebeu soro antiofídico liofilizado (em pó) produzido no Brasil deve fazer hoje a consulta de retorno à Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT), nesta capital. Foi, até o momento, a única aplicação realizada, como parte do ensaio clínico necessário à aprovação do soro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Vamos aplicar o soro liofilizado em 40 pacientes e o soro líquido em outros 40, comparar os resultados e produzir um relatório que será enviado à Anvisa", explicou o capitão Iran Mendonça da Silva, médico infectologista do Instituto de Biologia do Exército, localizado no Rio de Janeiro. A estimativa é que em dois anos o uso do produto esteja liberado para que o Ministério da Saúde o forneça a regiões de difícil acesso. Segundo Iran Mendonça, o soro em pó foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, em São Paulo, especialmente para a Amazônia. "Em 2000, começamos [o Instituto de Biologia do Exército e o Instituto Butantan] a desenvolver um soro líquido trivalente, que neutralizasse o efeito dos venenos da jararaca, da surucucu e da cascavel. A partir daí decidimos também produzir esse mesmo soro na versão liofilizada, pensando nos postos de saúde isolados no meio da mata", explicou. Luiz Losano, infectologista responsável pela Gerência de Animais Peçonhentos da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, explicou que as principais vantagens do soro em pó são o maior tempo médio de vida (oito anos, contra quatro do soro líquido) e a facilidade de transporte e conservação (pode ser guardado a temperatura ambiente, enquanto o soro líquido precisa de refrigeração). "Mas é bom lembrar que ele, assim como o soro líquido, só pode ser aplicado na presença de pessoal especializado, porque pode causar uma reação alérgica tão ou mais grave que o veneno", alertou. "É um soro antiofídico produzido da mesma forma que o outro, a partir do plasma do cavalo, e aplicado também na veia do paciente. Para usá-lo, basta dissolver em soro glicosado e água destilada", acrescentou Iran Mendonça. De acordo com o médico infetcologista Antônio Magela, que atendeu o índio waimiri-atroari, o paciente (cujo nome não foi revelado) fora picado havia dez horas por uma jararaca, responsável por cerca de 91% dos ataques de serpente na Amazônia. O acidente aconteceu no último dia 23, a 250 quilômetros de Manaus, na divisa entre o Amazonas e Roraima. "A princípio, a eficácia do soro foi a melhor possível, neutralizando a tempo o veneno", disse. Em São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do Amazonas, o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Hernane Guimarães dos Santos, contou que desde 2000 eles utilizam soro antiofídico em pó, produzido e comprado na Colômbia. O DSEI São Gabriel da Cachoeira é responsável pelo atendimento básico de saúde de 23 mil indígenas que vivem em 554 aldeias do município. "O soro liofilizado permite fazer atendimentos mais rápidos no meio da mata. Quando começamos a utilizá-lo, evitamos mortes e amputações", ressaltou Santos. Segundo ele, em 2000, as picadas de cobra mataram oito indígenas em São Gabriel da Cachoeira

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