As seis últimas escolas do grupo especial a desfilarem na Marquês de Sapucaí no Carnaval deste ano não deixaram dúvidas sobre a razão de ser da festa e fizeram da música a protagonista da noite. Ainda na segunda-feira, a São Clemente, com direito a violino na bateria, estreou a avenida apresentando a grandiosidade dos musicais da Broadway. A americana Fergie regia os alto-falantes dos camarotes quando foi destronada pela bateria da Mangueira, que emudeceu em dois minutos de "paradona" para ouvir o coro do público. A Unidos da Tijuca se valeu da originalidade do carnavalesco Paulo Barros para brindar às sanfonas de Luiz Gonzaga, e a Grande Rio não esqueceu de homenagear músicos como Ray Charles e o maestro João Carlos Martins ao cantar histórias de superação.
Não foi diferente nos camarotes, onde até mesmo Neymar e Vagner Love acharam palco para fazer música. Enquanto o craque santista imitou o Exaltasamba ao lado de Leandro Sapucahy, o atacante do Flamengo se juntou ao grupo Revelação e a Gabriel, o Pensador, para animar os demais famosos no Camarote da Brahma, cujo primeiro show foi de Preta Gil, que com Fogo e Paixão homenageou o cantor Wando. Se os ouvidos estiveram receptivos às vozes pouco treinadas dos jogadores de futebol, a tolerância não foi menor quando a dançarina Scheila Carvalho rebolou ao sabor de Segura o Tchan para encerrar a cantoria no camarote.
Perto dali, Fiuk se justificava. "Vim apenas para curtir, sem apego, não sei nem avaliar qual escola de samba é melhor", disse, assegurando não ter samba no pé, e sim "rock na veia". Abraçado ao filho de Fabio Jr., Jorge Ben Jor resolveu ir mais longe. "Não conheço o Michel Teló. Me falaram que ele tem uma música que faz sucesso, mas nunca ouvi", afirmou.
Confira como foi a segunda noite de desfiles na Sapucaí:
###São Clemente
A Marquês de Sapucaí foi transformada na Broadway brasileira com o desfile da São Clemente, que apresentou o luxo dos espetáculos musicais. Comemorando seus 50 carnavais no Rio de Janeiro, a primeira escola da noite de segunda-feira cantou o enredo Uma Aventura Musical na Sapucaí, que lembrou musicais grandiosos da Broadway, como O Mágico de Oz e O Fantasma da Ópera . A escola pretende se consolidar no grupo especial do Carnaval em sua segunda passagem entre as grandes escolas de samba. Para contar a história dos espetáculos e mostrar sua riqueza, luxo e diversidade, a escola inovou e incluiu um violino entre os instrumentos da bateria.
###União da Ilha
Com elegância e pontualidade, a União da Ilha lembrou a cultura e a história britânica, misturando a realeza britânica à alegria carioca para mostrar uma viagem de Londres - onde acontecem os Jogos Olímpicos deste ano - para o Rio de Janeiro, que sediará a competição em 2016. O enredo De Londres ao Rio: Era uma vez... uma Ilha surpreendeu com um desfile bem trabalhado. A União da Ilha foi uma das escolas mais prejudicadas com o incêndio no barracão da Cidade do Samba, em 2011, e por isso o desfile não foi julgado. Para retomar sua trajetória no Carnaval carioca, a escola mostrou com brilho alguns personagens, histórias e pontos emblemáticos da capital inglesa, brincando com as semelhanças entre a ilha britânica e a Ilha do Governador, local onde a escola foi fundada.
###Salgueiro
A Acadêmicos do Salgueiro entrou na avenida com muito gibão, couro e empolgação. A escola homenageou a literatura de cordel e o centenário de Luiz Gonzaga com o enredo Cordel Branco e Encarnado. Terceira escola a desfilar na segunda-feira, a Salgueiro teve dificuldades para entrar na avenida com suas alegorias, mas a preocupação deu lugar à alegria durante desfile que contagiou o público. Em função das dimensões, três carros tiveram problemas logo na entrada da Sapucaí. O abre-alas teve um princípio de incêndio na dispersão, e o último carro alegórico entrou apagado na Sapucaí, com problemas no gerador. Além disso, outros carros tinham peças removíveis que foram colocadas com as alegorias já na avenida, o que causou um grande espaço vazio entre as alas iniciais.
###Mangueira
A Estação Primeira de Mangueira entrou na Sapucaí na madrugada de terça-feira para marcar o Carnaval carioca. A escola fez grandes paradas da bateria, trouxe convidados para puxar o samba-enredo e fez o público delirar com sua celebração ao Carnaval de rua carioca. Com o enredo Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira, a escola saudou os 50 anos do bloco Cacique de Ramos e fez o público cantar do começo ao fim. Para homenagear o bloco em grande estilo, a Mangueira fez grandes inovações no seu desfile, sobretudo na bateria. Por cerca de dois minutos, os ritmistas pararam de tocar para ouvir o público cantar seu samba. A Mangueira parou na avenida e vibrou com o público durante a paradinha. No meio da bateria, Dudu Nobre, Alcione e o grupo Fundo de Quintal fizeram uma roda de samba. Antes de entrar no recuo, os ritmistas abriram espaço para a passagem do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Atrás do casal, o tripé que trazia a roda de samba também atravessou os músicos, que faziam coreografias em reverência aos cantores. Durante a performance, a bateria parou de tocar novamente, e o samba foi tocado em ritmo de pagode.
###Unidos da Tijuca
Com muita criatividade, a Unidos da Tijuca celebrou no sambódromo a obra de Luiz Gonzaga e coroou o compositor como o rei do sertão no enredo O Dia em que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão, enredo de Paulo Barros, que desde 2004 tem surpreendido o público. Sempre muito aguardada, a comissão de frente da escola apresentou a "Alma da Sanfona", com dançarinos representando turistas guiados por Lampião e Maria Bonita. Os integrantes trocavam de roupa durante o desfile, se transformando em sanfonas vivas, e um tripé representava o instrumento de cujo interior saía um dançarino executando performances em uma roupa sanfonada e colorida. A história da coroação de Luiz Gonzaga deu margem para o carnavalesco ousar nas alegorias, com muitas coreografias, encenações e tecnologia.
Grande Rio
A Grande Rio encerrou os desfiles do Carnaval carioca mostrando histórias de superação após ter sido prejudicada com o incêndio que destruiu as alegorias e fantasias do seu desfile de 2011. A escola se apresentou com um time de celebridades para apresentar o enredo Eu Acredito em Você. E Você?. Vitórias de personalidades foram lembradas pela escola, que homenageou o atleta Lars Grael, o maestro João Carlos Martins, o lutador Minotauro, entre outros personagens. Além deles, muitos artistas participaram do desfile, como a atriz Ana Furtado, que estreou neste ano como rainha de bateria, e Suzana Vieira, que desfilou à frente do carro abre-alas como Deusa da Vitória.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Imóvel abandonado em centro histórico vira alvo de investigação

ONU apresenta soluções urbanas brasileiras para países do Sul Global

Idosa morta em atropelamento foi arrastada por 10 metros; motorista fugiu por medo de retaliação

Minha Casa, Minha Vida Entidades recebe propostas até 10 de fevereiro

Acusado de 'disk-drogas' é preso com pochete cheia de cocaína perto de escola

Covid-19 mata 29 pessoas em janeiro no Brasil

Filho é preso após agredir com tijolo o pai que tentava separar briga entre irmãos

SUS teve recorde com 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025

Temperatura pode chegar a 40°C neste sábado em Dourados

Inscrições para alunos da rede pública em curso de desenvolvimento de sistemas termina domingo
Mais Lidas

Vítima denuncia inquilino por não pagar aluguel e não devolver itens levados para conserto

Golpe do Pix: vítima perde quase R$ 4 mil após clicar em link de falso crédito

Influenciadora investigada por ataques virtuais e descumprimento de medida protetiva segue presa

